Guerra de posições

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Fiel a uma tática bem sucedida estrategicamente, Jair Bolsonaro lança mão do popular ”bate, assopra” – com o detalhe que a cada dia bate mais forte e assopra menos. Mesmo que suas destemperanças verbais recebam enxurradas de críticas, desaprovações e repúdios, o cálculo político do Presidente acerta por assegurar que uma parcela expressiva da sociedade lhe renda apoio, tributo e dedicação, reproduza seu discurso e se ponha de prontidão para um chamamento mais decidido.

Há inclusive quem especule que o plano golpista se valha justamente desses segmentos radicais, fanáticos e extremistas para avançar tal qual a Marcha dos Camisas Negras na Itália. Ou que se repetiria o modelo aplicado recentemente na Bolívia, onde milícias e grupos paramilitares protagonizaram o grosso das ações que depuseram Evo Morales.

Ciente de que somente esse suporte não lhe dá condições de lograr êxito, faz uso recorrente de uma ”retrotopia” ao invocar a Ditadura Militar e colocar as Forças Armadas como fiadoras de suas pretensões antidemocráticas. O mal estar reclamado pela caserna não autoriza baixar a guarda, tampouco atribuir aos militares – de vasto portfólio intervencionista nas questões nacionais – um fator de estabilidade e segurança.

Corretamente, o jornalista Florestan Fernandes Jr. identificou um aspecto nada desimportante do jogo político: quem tem as FFAA consigo não precisa do Centrão. Mas sendo válido acatar tal raciocínio, também é lícito supor que isso pode ser não mais do que manobra diversionista. Ou um fôlego para ultrapassar momentaneamente as dificuldades postas pela crise econômica, a pandemia, o aparecimento de um flanco opositor no campo interior da burguesia e a queda relativa de popularidade.

No intrincado cenário que evolui em meio às contradições e conflitos, há a possibilidade de comparar – longe dos rigores metodológicos e historiográficos – as situações em curso com duas características que marcaram a 1ª Guerra Mundial no plano bélico: a guerra de posições e a guerra de movimento. Bolsonaro aproveita a excepcionalidade da conjuntura para posicionar suas tropas e artilharia. Estipula fortalecer trincheiras políticas ocupando terrenos mais favoráveis para um embate futuro – que virá – em condições superiores. Sabe ele que mais hora, menos hora, as tropas irão se movimentar para o combate aberto e, precavido, estabelece seu perímetro.

As oposições – a de Direita e a de Esquerda – ainda não trabalham em sincronia, unidade e acordo. Inegável que são adversários do regime, porém patinam nas idiossincrasias de uma visão política que subestima o potencial do fascismo, crédulas que estão nos instrumentos da Democracia. Ensaiam timidamente alguma ação conjunta, mas se chocam por causa das divergências quanto a agenda econômica, submetendo a Política a esse dado que não deveria ser o centro de qualquer iniciativa honesta que preconize a luta contra o perigo golpista e ditatorial.

Ocupa, assim, posições piores, deixa flancos expostos, confunde o efetivo militante com oriente dúbio e vacilante, enfim, prepara-se muito mal para o inevitável confronto em movimento. Apegada a padrões antiquados do fazer politico – os mesmos que decretaram a derrota eleitoral em 2018 – aguardam a batalha sem ordem unida, sem propósitos comuns, sem objetivos estratégicos.

Ainda resta tempo e espaço para definir e determinar posicionamentos inteligentes, capazes de resolver a principal questão que ameaça o edifício social e estatal. Não será fácil, simples e livre de sacrifícios e concessões de ambos os lados contrários à continuidade desse desgoverno. Forjar uma Frente Ampla de Salvação Nacional historicamente sempre apresenta dois fatores: a convicção e a funcionalidade, mas quando faltam opções recomenda-se trilhar por esse caminho sob pena de não ter uma segunda chance. Tomar as posições corretas e organizar a mobilização para a guerra aberta que se anuncia ainda que tardias são urgências. Oxalá os ”generais” cheguem a um consenso.

*Por Alex Saratt

Coronavírus provoca inflamação no coração

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O novo coronavírus (Covid-19) pode levar danos ao coração, gerando complicações como infartos, miocardites, insuficiência cardíaca, isquemia e tromboses, condições que podem agravar ainda mais o quadro clínico dos pacientes.

A conclusão foi feita pela Sociedade de Cardiologia, que monta registro nacional de complicações cardíacas e tem observado, por meio de estudos, que a maioria dos casos confirmados de Covid-19 e das mortes pela doença ocorrem em portadores de hipertensão, insuficiência cardíaca e arritmias.

Mas alguns relatos já mostram que, em menor número, mesmo doentes sem essas condições crônicas prévias podem ser afetados. ”O paciente tem o infarto e, quando você vai olhar, a coronária é normal. O infarto é secundário à inflamação”, afirma a cardiologista Ludhmila Hajjar, médica e professora do InCor (Instituto do Coração) de São Paulo.

Segundo ela, o dano mais comum ocorre no músculo cardíaco e nos vasos sanguíneos como resultado da própria inflamação provocada pela Covid-19. ”Da mesma forma que ela causa pneumonia, a doença também gera inflamação no coração ou em qualquer artéria do coração e aumenta a suscetibilidade à arritmias e a problemas no músculo e nos vasos”, afirmou.

Em pacientes internados em UTI com pneumonia por coronavírus, alguns estudos mostram que há dano no miocárdio em 7,2% dos pacientes, choque em 8,7%, arritmia em 16,7% e insuficiência cardíaca em 23%.

A cardiologista Gláucia Moraes de Oliveira, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), explicou que a inflamação causada pela doença ainda propicia um pior efeito das drogas, como cloroquina e azitromicina associadas, que podem causar arritmias malignas em pacientes cardiopatas.

”A pandemia da Covid-19 desafia os pesquisadores. A forma atual de produção do conhecimento científico, alicerçada na chamada medicina embasada em evidência, foi posta em xeque. Ensaios clínicos randomizados não oferecem respostas a curto prazo e por vezes são onerosos e inconclusivos, sem contar o viés de serem, quase sempre, financiados pela indústria farmacêutica”, avaliou o presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Marcelo Queiroga. As informações são da Folha de S.Paulo.

O vírus que nos humanizou

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A necessidade do isolamento social, sob o decreto de quarentena em vários países, causou modificação forçada em nossa rotina. Para muitos, uma prova de fogo ter que conviver “preso” em suas casas, sem interação e contato social físico.  Para pais e mães, o momento de curtirem, apreciarem e até mesmo suportarem seus filhos. Fomos forçados a essas atitudes. Ou se faz isso, ou pioramos a situação, proliferando rapidamente a pandemia e sobrecarregando os hospitais – públicos e privados.

Junto a essa pausa imposta, a natureza, tão negligenciada, também mostra sua cara e nos dá o recado de que ainda podemos salvar nossa casa. Com o confinamento da espécie humana, outras espécies puderam sair e ocupar seus legítimos lugares. Paralelamente, índices de poluição reduziram drasticamente, permitindo uma sobrevida ao planeta. Impossível não se surpreender com algo que era para ser comum, como a transparência dos canais de Veneza (ainda que a qualidade da água não tenha melhorado), ou a aproximação de animais que viviam a se esconder de nossa presença.

Passamos também a ter tempo. Isso nos estranhou, afinal, estávamos acostumados a correr tanto, que apenas sobrevivíamos; acordávamos, trabalhávamos, mal nos alimentávamos e dormíamos poucas horas. Hoje a vida nos obriga a parar e rever tudo isso. É momento de repensarmos nossas atitudes. Será que precisamos consumir tudo o que consumimos? Precisamos trabalhar tanto a ponto de esquecermos nosso lar, priorizando coisas não tão importantes?

Nosso isolamento nos remete também a uma palavra esquecida até então: empatia. Com os abusos do capitalismo, a solidariedade passou a não ter espaço; o ter sobrepôs ao ser. Esquecemos o coletivo. E isso de nada adiantou: ricos e pobres, todos no mesmo barco. A luta pelo social se fez presente, quer queiram ou não. É o momento de acalentarmos que está em pânico e sofrendo com a ansiedade; momento de estendermos as mãos – ainda que virtualmente – a quem mais precisa.

Curiosamente, li um artigo científico tempos atrás que falava do papel do isolamento social justamente na evolução e sobrevivência das espécies. De acordo com estudo de Bailey e Moore (2018), as experiências ambientais dos animais podem afetar a expressão gênica e determinar quais são ativados, quando e quanto, afetando as respostas à seleção natural em termos de sobrevivência e reprodução. Para os pesquisadores, esse isolamento, ainda que temporário, seria favorável para a evolução de algumas espécies. Em tempos de coronavírus, será que podemos esperar uma evolução parecida entre as pessoas? Ainda que de maneira forçada, as pessoas terão que conviver com seus próprios pensamentos e rever suas atitudes e ações tornam-se inevitáveis. Poderíamos ativar novamente genes adormecidos, responsáveis pela solidariedade e empatia, por exemplo?

Nesses dias de reclusão, assisti ao brilhante filme de Emir Kusturika chamado “El Pepe, uma vida suprema”, onde a vida de José Mujica é retratada de forma espetacular, tal como é notório nos filmes desse diretor. E duas frases de Mujica me tocaram exatamente pelos dias que estamos passando: “A LUTA É COLETIVA” e “O SOCIALISMO TRIUNFARÁ”. Pepe Mujica é um ser humano fantástico, e foi exemplar presidente, forjado durante os anos sombrios da ditadura, e que por conta disso hoje é essa pessoa de vida humilde e simples, como ele mesmo disse. Nós aqui, indignados muitas vezes, bravos e até depressivos por termos que passar alguns dias em nossas casas, deveríamos olhar para seu exemplo. Mujica ficou isolado por mais de dez anos, sem nenhum tipo de regalia como temos hoje. Nesse tempo, ele cresceu e amadureceu para ser o que é até hoje: um humanista e preocupado com o povo.

Tomemos seu exemplo como objetivo e reflexão nesses dias. E que essas mudanças forçadas que temos tomado, nos sirvam de exemplo para que voltemos a ser humanos!

*Por Luiz Fernando Padula / Professor, biólogo, doutor em Etologia, mestre em Ciências, autor do blog ‘Biólogo Socialista’

Afinal, cães e gatos podem transmitir o novo coronavírus?

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A notícia de que o novo coronavírus havia sido detectado em um cão na cidade de Hong Kong deixou alguns tutores de animais domésticos confusos sobre a possibilidade do seu pet transmitir a doença. Confirmada pelo Departamento de Agricultura, Pesca e Conservação de Hong Kong, a informação primária é de que o animal não apresentou nenhum sintoma e que o teste será refeito para verificar se o cachorro foi realmente infectado pelo vírus ou se o resultado foi alterado por algum tipo de contaminação ambiental.

Apesar do susto, segundo a médica veterinária Nádia Rossi, não há motivo para pânico entre donos de cães ou gatos, ou criadores de animais no geral. De acordo com o Membro da Comissão de Ética, Bioética e Bem-estar Animal do Conselho Regional de Medicina Veterinária da Bahia (CRMV-BA) e coordenadora do Laboratório de viroses da Ufba, a falta de informações sobre o teste realizado no cão de Hong Kong invalida qualquer certeza de que os animais domésticos representem formas de infecção.

”Ainda existem muitos estudos para serem feitos, até agora foi um cachorro só, não é uma amostra representativa. O próprio governo fala que pode ter sido uma contaminação ambiental e sugerem um reteste que até agora não foi divulgado o resultado. Outra coisa, eles nem falam qual foi o teste feito”, afirmou em entrevista ao A Tarde.

”Gerou-se um pânico, uma coisa generalizada, em cima de uma notícia que a princípio não tem nenhum valor científico para gente. Pelo contrário, gera uma preocupação muito grande com relação a abandono e maus tratos”, continuou.

Em um primeiro momento, a suspeita era de que o pangolim, animal em risco de extinção, cuja carne é consumida na China, seria o responsável por transmitir o covid-19 ao ser humano. No entanto, segundo Nádia, alguns estudos apontam que a origem do problema possa estar no morcego.

”O que se sabe até hoje sobre esse covid-19 é que ele de fato é uma zoonose (doenças infecciosas capazes de ser transmitidas entre animais e seres humanos). Com o morcego pode ser mais fácil de acontecer, pois ele está em qualquer lugar, seja ambiente domiciliar ou urbano por conta do desmatamento. A gente acaba tendo um contato indireto”, disse.

Para a veterinária, vale um estudo aprofundado sobre a participação do morcego, mais conhecidos por transmitirem raiva, na disseminação de outros vírus. Porém, ela reforça a importância do animal para o meio ambiente e chama a atenção contra qualquer tipo de mau trato.

”Não podemos criminalizar ou matar os morcegos. Eles são muito importantes para a gente. São grandes polinizadores depois das abelhas. Só as pesquisas que precisam estar um pouquinho mais voltadas às viroses de morcego, porque a gente tem percebido que os coronavírus são zoonóticos”, defendeu.

Outros tipos de Coronavírus

Ainda não há provas ou evidências de que os pets possam contrair ou transmitir o covid-19, no entanto, gatos e cachorros estão passíveis de serem infectados por outros tipos de coronavírus. Mas conforme adianta Nádia, as doenças só atingem suas respectivas espécies e não são transmitidas para humanos.

O cachorro pode apresentar dois tipos de coronavírus. Um dos vírus causa diarreia no animal e o outro, que lembra os sintomas observados no covid-19, provoca problemas respiratórios.

”A diarreia é aguda, mas não chega a ser fatal. Já na doença respiratória, o outro tipo de coronavírus é observado na chamada ‘Tosse dos Canis’, que é como se fosse uma gripe nos cães”, explicou.

O gato também pode sofrer com a família viral por meio do Coronavírus Entérico Felino, mas sem maiores consequências. O perigo é se o vírus sofrer uma mutação e favorecer o surgimento de Peritonite Infecciosa Felina (FIPV), que é fatal para o animal.

No caso do cão, é possível prevenir doença por meio da vacina polivalente V8. Já para o gato ainda não existe vacina licenciada. Não há recomendações para os pets, que devem manter em dia as visitas ao veterinário e não usarem álcool em gel.

E quanto ao ser humano? Existe alguma forma de prevenção? Pensando no além da recomendação geral de lavar bem as mãos e usar o álcool em gel, Nádia acredita que o combate a desinformação em torno do coronavírus pode ajudar bastante no combate da doença e dos mitos em torno dela.

”Infelizmente estamos lidando com muita fake news. O Ministério da Saúde disponibiliza um canal bacana para isso. Tem um grupo de pesquisadores com um médico veterinário também. Então, nada de compartilhar desinformação para não causar morte de cão e gato, que a gente acha até que não tem relação nenhuma com o coronavírus”, recomendou.

O novo coronavírus

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Pela Psicóloga Marina Prado Franco. Foto: Divulgação

Com o surgimento de epidemias como a do novo coronavírus, proveniente da China, e alguns casos suspeitos do vírus no Brasil, os brasileiros ficam em alerta constante. Essa situação de alerta, porém, muitas vezes, pode vir acompanhada de um medo desproporcional de ficar doente, ou até mesmo, de um medo da morte.

O medo é um sentimento natural do ser humano, o qual é extremamente importante, pois nos protege em várias situações de perigo iminente. Contudo, existe o que chamamos de medo ”normal” e o que seria considerado um medo patológico. O medo normal considera as probabilidades estatísticas, não traz grandes prejuízos à vida dos indivíduos e serve como proteção a perigos reais.

O medo patológico é um medo que passa a determinar nossas ações, ou seja, para tomarmos qualquer atitude, o medo é ”consultado”. O que ocorre, então, é que, na maior parte das vezes, passamos a evitar diversas situações ou a buscar aconselhamento a todo momento.

Especificamente, em relação ao medo ou ansiedade por doença, o indivíduo está sempre preocupado de ter ou adquirir alguma doença. A partir disto, a pessoa fica com a sua atenção mental concentrada em reconhecer os possíveis sintomas de determinada doença, torna-se hipervigilante, fica mais ansiosa e, então, apresenta sensações autossugestionáveis em razão da ansiedade, na realidade.

Nesses casos de ansiedade por doença, o indicado é que esses indivíduos enfrentem os seus medos, seja buscando conhecimento sobre a doença e suas probabilidades reais, seja levando em conta dos exames realizados que não deram nenhum diagnóstico, seja cuidando da sua saúde ao fazer exercícios físicos e ter uma alimentação saudável.

Desta forma, o foco torna-se a saúde e não a doença. No caso do coronavírus novo, os indivíduos devem estar ligados nas estatísticas atuais que não trazem nenhum caso confirmado no Brasil e, assim, devem tomar as precauções que estão no seu controle como lavar as mãos, evitar contato próximo com pessoas resfriadas, entre outras. Preocupações funcionais, com foco na saúde e não na doença.

(*) Marina Prado é psicóloga formada pela Universidade Federal de Sergipe; Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental pelo CTC VEDA em São Paulo; Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP; realiza atendimento presencial e online. Tem experiência no atendimento com adolescentes e adultos.

Feitiço vira contra o feiticeiro

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Muitos amigos me perguntam se o problema da Petrobras hoje é que a empresa está sendo administrada como uma empresa privada. Nâo é verdade pois uma empresa privada não cria uma politica de preços para entregar seu mercado aos concorrentes, assim como não vende ativos que rendem mais de 20% ao ano para amortizar divida que custa menos de 7% ao ano.

A administração da Petrobrás publicou nesta quarta-feira (19) informações sobre o resultado da empresa em 2019. Falta ainda a publicação de alguns dados relevantes, como as demonstrações em dólares.

O Presidente, Castello Branco, divulgou mensagem com o título “O PRIMEIRO ANO DA IMPLEMENTAÇÃO DE UMA NOVA ESTRATÉGIA”

“UMA NOVA ESTRATÉGIA” ??  Desculpe Sr. Presidente, mas o Sr. está querendo se apropriar de conquistas dos seus antecessores.

Na verdade a atual estratégia teve início em 2016, cujas bases, brilhantemente implantadas por Pedro Parente, estão em vigor até hoje, quais sejam:

– A “jabuticaba” da métrica  “dívida liquida/ebida ajustado”, fajuta e extemporânea como mostramos no artigo:

– A “jabuticaba” da política de preços baseada no Preço de Paridade de Importação – PPI. Um crime que vem sendo praticado contra a população brasileira, a própria Petrobras e à economia da nação, como mostramos no artigo a seguir, que incorpora a compreensão dos caminhoneiros brasileiros em carta encaminhada ao Presidente Bolsonaro:

Depois de discorrer longamente sobre o desempenho dos papéis da companhia na Bolsa de Valores, que é um cassino de apostas e nada tem a ver com a realidade da empresa. Onde a palavra chave é “dividendo” esteja a empresa bem ou mal. O Presidente Castello Branco passou para a apresentação do “me engana que eu gosto”com frase esclarecedora de suas intenções “Nossas atividades geraram em 2019 um lucro líquido de R$ 40 bilhões, o maior da história da Petrobras”

Depois de discorrer longamente sobre o desempenho dos papéis da companhia na Bolsa de Valores, que é um cassino de apostas e nada tem a ver com a realidade da empresa. Onde a palavra chave é “dividendo” esteja a empresa bem ou mal. O Presidente Castello Branco passou para a apresentação do “me engana que eu gosto”com frase esclarecedora de suas intenções “Nossas atividades geraram em 2019 um lucro líquido de R$ 40 bilhões, o maior da história da Petrobras”

Será que ele não sabe ? Será que ele esqueceu ? O resultado de R$ 40 bilhões foi obtido com R$ 24 bilhões de lucro com venda de ativos , principalmente com a TAG, e R$ 14 bilhões com a venda do controle da BR Distribuidora. Ou seja, dos R$ 40 bilhões, R$ 38 bilhões nada tem a ver com o desempenho da companhia.

Mesmo assim, no período foram distribuídos mais de R$ 10 bilhões aos acionistas, mostrando ao mercado o empenho do Presidente, que, na falta de lucro, vende ativos para pagar dividendos. Maravilha.

Mas o Presidente tem também os seus méritos, em apenas um ano de administração quebrou recordes históricos, vejam :

LIQUIDEZ CORRENTE  

Este tradicional indicador da capacidade da empresa cumprir com seus compromissos de curto prazo é apurado pela divisão do Ativo Corrente pelo Passivo Corrente. Quanto maior o indicador, mais confortável a situação financeira da empresa . A seguir os dados históricos :

Liquidez Corrente Petrobras

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019

 1,9    1,8     1,7    1,5    1,6    1,5     1,8     1,9    1,5    0,95

Parabéns Presidente Castello Branco, o recorde de menor liquidez corrente da história da companhia é seu

ESCONDENDO FATOS HISTÓRICOS 

O Presidente Castello Branco é um mestre em esconder dados positivos da companhia. Assim não existe nenhuma comemoração nem mesmo divulgação quando entram em produção novas plataformas, pois são efeitos da descoberta do pré-sal, que os administradores atuais não tiveram qualquer participação, e dos investimentos feitos no período 2009 a 2014 quando foram investidos mais de US$ 250 bilhões .

Mas o Presidente Castello Branco vai além. Qualquer empresa petroleira no mundo que ganhasse o premio da OTC, principal premio da indústria de petróleo e gás, procuraria divulgar o fato o mais rapidamente possível e na maior itensidade.

A Petrobras pela quarta vez ganhou o premio, que foi anunciado no final de semana (8/9 de fevereiro de 2020). No dia 11 publiquei artigo com a pergunta : “Será que vão vender o premio também  ?”

Recebi muitas ligações de petroleiros, inclusive lotados no Cenpes, perguntando onde eu havia obtido a informação, pois ninguém havia sido informado do fato.

Só no dia 12 a direção da companhia divulgou (fatos e dados) o recebimento do premio. Sem qualquer comemoração.

Seria porque toda a tecnologia foi desenvolvida antes de 2016, sem nenhuma participação dos atuais administradores que hoje estão mais preocupados em destruir tudo, inclusive o próprio Cenpes ?

Muitos amigos me perguntam se o problema da Petrobras hoje é que a empresa está sendo administrada como uma empresa privada.

Nâo é verdade pois uma empresa privada não cria uma politica de preços para entregar seu mercado aos concorrentes, assim como não vende ativos que rendem mais de 20% ao ano para amortizar divida que custa menos de 7% ao ano.

Por outro lado numa empresa privada o Presidente que no dia da posse falasse que seu sonho é vender a empresa, seria demitido na mesma hora.

Outros me perguntam se o problema é que estão preocupados só com a remuneração dos acionistas.

Também não verdade. Se fosse assim estariam investindo para aumentar a capacidade de produção da companhia para 10 milhões de barris dia em 2030 ;

Mas então qual é o objetivo da atual administração ? Simplesmente dilapidar a companhia e isto eles vem fazendo bem.

*Por Cláudio Costa Oliveira, economista aposentado da Petrobras

Violência contra a mulher & Damares Alves

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Damares não foi a única mulher a ser acolhida em situação de violência no universo pentecostal. Milhões de Damares que nunca foram ouvidas pelo Estado e nem consideradas protagonistas em um projeto de país progressista. O drama delas nunca foi a escolha entre a democracia liberal e o socialismo de mercado. Elas nunca tiveram escolha que não fosse a igreja evangélica.

A Ministra Damares Alves conta com altos índices de aprovação na sociedade brasileira. Engana -se fortemente quem pensa que essa aprovação é restrita ao universo neopentecostal – em dezembro de 2019, Damares contava com o apoio de 29% da população que vota no PT, por exemplo. A principal razão desse fenômeno do conservadorismo bolsonarista é conhecida, mas tem sido historicamente negligenciada pelos dirigentes homens da esquerda brasileira.

Depois da eleição de Bolsonaro, Damares Alves deu várias entrevistas na impresa contando sobre as violências que sofreu na infância: ela foi estuprada dos 6 aos 12 anos por dois pastores que ficavam hospedados com frequência na casa da família. Segundo a ministra, ela tentou contar sobre os estupros pra várias pessoas, mas ninguém prestou atenção no que ela dizia, muito menos no comportamento que ela passou a desenvolver com o trauma.

Nessas entrevistas, Damares relatou que “superou” seus traumas causados pelos estupros quando subiu em uma goiabeira e encontrou Jesus. Por mais anedótico que esse episódio seja pra muita gente, Damares faz questão de recontá-lo com frequência para reafirmar que ela foi acolhida e protegida pela igreja evangélica. É aí que reside um dos maiores entraves pra esquerda: o Estado era alternativa pra ela?

Damares não foi a única mulher a ser acolhida em situação de violência
no universo pentecostal. Justamente por isso, seu discurso sobre
abstinência sexual tem tido grande aderência em amplos setores da
sociedade brasileira. A principal razão é a resposta altamente
conservadora e violenta via Estado que ela propõe pra combater a
epidemia de violência doméstica na infância e contra a mulher.

Além disso, dessexualizar e deserotizar a sociedade brasileira à sua imagem e semelhança: Damares é uma mulher que faz questão de não ter nenhum traço de sensualidade, de erotismo, de encanto. Uma mulher dura, rígida, monocromática – como milhares de outras mulheres que, consciente ou inconscientemente, têm a mesma postura rígida e reprimida como proteção a qualquer tipo de violência. Vocês já pensaram que o descaso com a saúde, corpo e alma, pode ser um escudo contra homens que se sentem no direito de abusar e violentar mulheres de várias maneiras?!

Obviamente que tenho profundas críticas à Ministra Damares e ao bolsonarismo de maneira geral, mas a minha opinião não importa nada porque esse país tem milhões de Damares que nunca foram respeitadas, acolhidas e protegidas. Milhões de Damares que nunca foram ouvidas pelo Estado e nem consideradas protagonistas em um projeto de país progressista. O drama delas nunca foi a escolha entre a democracia liberal e o socialismo de mercado. Elas nunca tiveram escolha que não fosse a igreja evangélica.

E são essas mulheres, esse contigente imenso de gente largada à própria sorte, que a esquerda vai continuar ignorando e/ou chamando de fascista? Porque essas mulheres não concordam com o Bolsonaro, mas foi e ainda é no mesmo universo dele e da ministra Damares que elas e seus filhos foram e são acolhidos. Que mulher-mãe-solo não quer proteção para seus filhos? Quem há de acusá-las e condená-las quando não há alternativa?!

Tudo isso pra escrever três coisas: 1. mulheres-mães-solo (a maioria trabalhadoras domésticas precarizadíssimas) e seus filhos precisam ocupar lugar central em um projeto de Brasil em oposição ao bolsonarismo; 2. a violência na infância e contra as mulheres precisa ser tratada como epidemia e jamais como pauta identitária como tem acontecido pela ala economicista de uma esquerda machista e socialmente irresponsável; 3. não adianta as lideranças partidárias afirmarem a necessidade de diálogo com os evangélicos se parte significativa da militância se sente moralmente superior e no direito de dizer à essa população que ela não pode ter religião ou qual
religião ela deve ter. Por todas as razões acima: isso é muito violento.

O bolsonarismo, como um fenômeno de massa da extrema-direita, deslocou
todo campo político e isso tem nos obrigado a rever muita coisa. A principal delas é a relação entre religião e política na esquerda brasileira.

Escrito por Patrícia Valim, professora de História do Brasil Colonial da Universidade Federal da Bahia. Conselheira do Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Perseu Abramo

Resposta cibernética do Irã

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”Se o uso da pólvora, do fuzil, dos drones, dos mísseis e da gigantesca imoralidade de se matar e celebrar a morte está autorizado na guerra convencional, qual o problema em se usar a tecnologia que atinge o usuário de rede e a respectiva opinião pública (seguida de resultados eleitorais) para se obter êxito no ‘mercado da soberania’?”, pergunta o colunista Gustavo Conde sobre as possibilidades de resposta do Irã ao atentado de Trum.

Tudo indica que a resposta que o Irã dará aos EUA será no submundo das redes sociais e na indústria da informação sensível. Não há resposta melhor do que implodir qualquer possibilidade de reeleição de Donald Trump.

O Irã tem inteligência, tecnologia, dinheiro e gente altamente qualificada para isso.

Sem jogar uma bomba, dar um tiro ou praticar qualquer ato terrorista como os americanos fizeram, o povo iraniano pode dar um troco inédito ao império (seria o estilo Soleimani, ademais: mais estratégia e menos ignorância).

Troco inédito e pedagógico, diga-se, pois mostraria ao mundo que os processos de manipulação da informação e da opinião pública patrocinados pelos EUA e pelo poder econômico têm novos desafios a encarar, a saber, experimentar do seu próprio veneno.

Heróis, pretensos heróis e agentes românticos do bom-mocismo conceitual espalhados pelo mundo têm profundo pudor em descer ao nível de ‘Steves Bannons’ e ‘Cambridges Analyticas’ para, assim, equilibrarem o jogo pesado do jornalismo de guerra e das campanhas eleitorais de fachada.

Mas a mera lógica que rege a defesa da soberania dos povos há séculos – as Forças Armadas de todo e qualquer país – joga por terra essa visão asséptica do tabuleiro geopolítico.

Se o uso da pólvora, do fuzil, dos drones, dos mísseis e da gigantesca imoralidade de se matar e celebrar a morte está autorizado na guerra convencional, qual o problema em se usar a tecnologia que atinge o usuário de rede e a respectiva opinião pública (seguida de resultados eleitorais) para se obter êxito no ‘mercado da soberania’?

A rigor, é menos sangue e menos imagens cinematográficas de prédios destruídos e pessoas mutiladas (ainda que a ascensão de fascistas via fraudes ciber-eletorais incorram nessas mesmas cenas de destruição, afiançadas depois pelo terrorismo de Estado).

O cenário é complexo, mas, por isso, vamos ficar imóveis?

Lembrando também que usuários com leitura qualificada têm grandes chances de se verem fora da zona de influência dos manipuladores profissionais de rede. Os mais suscetíveis são os intelectualmente “desprivilegiados”, justamente os eleitores de Donald Trump.

A proliferação da idiotice violenta alcançada com algoritmos como nos casos do Brexit, de Trump e de Bolsonaro, teria, então, seu fatal encontro consigo mesma: usuários precarizados cognitivamente podem eleger um mastodonte do ódio, mas podem também “deseleger”.

Esse deve ser o componente novo nessa agressão colossal provocada por Donald Trump.

A guerra convencional não é mais aquele velho jogo articulado entre o poder econômico e jornalismo de aluguel, que nos legou Vietnã, Iraque, Afeganistão e toda devastação da soberania latino-americana. O jogo, agora, é outro.

Alguns chamam de guerra híbrida, outros de neo-imperialismo. Mas o elemento-chave dessa nova geração de conflitos atende pelo nome de ‘internet’.

O assassinato de Soleimani é um imenso acúmulo de energia digital, tanto para o seu algoz, quanto para as vítimas que sofrem com sua perda física.

A perda física, no entanto, transforma-se imediatamente em ganho simbólico (e o ganho físico nem sempre se traduz em logro significante).

Se quiser, o Irã pode devastar a zona de conforto cibernético que mantém os EUA em razoável tranquilidade, ainda que Trump seja fruto de sabotagem doméstica.

O comentário mais comum desde o atentado americano em Bagdá é o de que o Irã não vai reagir de imediato – e que a reação tampouco será nos moldes do terrorismo dos anos 2000 ou da retaliação rudimentar puramente bélica.

Soleimani, ao que parece, combatia o terrorismo. Talvez, essa seja a chave para se compreender melhor sua eliminação por Trump: o general iraniano lhe tomava espaço e começava a ocupar o protagonismo político entre a nova geração na região da Ásia Ocidental.

Ameaça gigantesca aos segmentos ultraconservadores de Israel e a sua eterna pretensão hegemônica, alimentada com cifras delicadas e ambíguas de ocidentalismo regado a ares de modernidade.

A reação do Irã, portanto, deve ser na linha dos bastidores, no mercado da contrainformação e na operação agressiva na estrutura de redes sociais mobilizadas pelo trumpismo. Seria a mais óbvia e mais inteligente reação.

Isso resvalaria na mixórdia política e social em que se transformou o Brasil. Se o Irã derrotar Trump naquilo que lhe é mais sagrado (a reeleição), Bolsonaro volta a ser o pano imundo de limpar chão que sempre foi em questão de segundos.

Já que nenhum segmento progressista do mundo se dispõe a sujar as mãos na podridão que é o gerenciamento político-eleitoral de redes, talvez o Irã faça isso por todos nós.

Seria menos criminoso que um assassinato ou que um atentado terrorista.

Cigarros eletrônicos

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Dermatologista Dra. Juliana Chieppe. Foto: Divulgação

Hábito praticado por um quarto da população brasileira nos anos 80, o uso do cigarro tem diminuído gradualmente no país a cada década. Dados revelam que, em 2018, apenas 9,3% dos brasileiros se consideravam fumantes, e embora a diminuição seja animadora para saúde coletiva, a prática parece ter se renovado e encontrado um público mais jovem através de sua ”evolução tecnológica”: o cigarro eletrônico.

Embora seja proibido no país desde 2009, os vaporizadores, como são chamados, podem ser facilmente encomendados na internet. Enquanto projetos de lei são desenvolvidos para tornar contrabando a aquisição desses cigarros, argumentos dos simpatizantes apontam que os vaporizadores são menos prejudiciais que o cigarro natural. Contudo, especialistas da área de saúde, como a dermatologista Dra. Juliana Chieppe, apontam o contrário.

”Não há base científica alguma que comprove a segurança dos cigarros eletrônicos. Enquanto são necessárias pesquisas a respeito do seu efeito a longo do tempo, sabe-se que a curto prazo eles causam danos muito graves”, revela Dra. Juliana, que é membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica.

Para a profissional, a pele é um dos órgãos que mais sofre com o efeito dos vaporizadores. ”Dermatite de contato, queimaduras térmicas – causadas pelo calor – e lesões da mucosa oral, como estomatite, são algumas das consequências comumente vistas em consumidores de cigarro eletrônico”, afirma a especialista.

Sobre o melhor tipo de prevenção para esses problemas, a dermatologista aponta que o indicado é simplesmente evitar o uso. ”Já há noções do risco que esses cigarros fazem ao pulmão e à pele; o tratamento depende do tipo de lesão. Porém, ainda são necessários mais estudos científicos que esclareçam os efeitos dos vaporizadores a longo prazo, e até lá, o mais prudente a ser feito é não os utilizar”, alerta.

Por fim, a doutora desmistifica a suposta natureza inofensiva do produto. ”Não é só um dispositivo que apenas elimina vapor d’água; ele contém substâncias tóxicas. Estudos já demonstraram que o cigarro eletrônico aumenta o risco de infarto agudo do miocárdio e de doenças respiratórias e pulmonares, como a asma”, conclui.

*Por Juliana Chieppe, dermatologista!

O óleo inferniza de ponta a ponta

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A configuração geográfica de Cairu, no baixo sul da Bahia, uma das jóias da coroa portuguesa no período colonial, é singular. Com 36 ilhas, três delas, a própria Cairu (única ligada ao continente, por uma ponte), Tinharé (onde fica Morro de São Paulo) e Boipeba, points turísticos, é o único município arquipélago do Brasil.

É óbvio que lá as duas atividades principais são turismo e pesca, ambas feridas na alma, doendo em todos os corações, de ponta a ponta. Hildécio Meirelles, três vezes prefeito, ex-deputado, resume o drama:

— O jornal francês Le Monde disse que esse desastre é o Chernobyl brasileiro. Assino embaixo. É uma catástrofe que dilacera nossa alma. Esperamos que isso passe logo. E que descubram a origem dessa tragédia.

Em Moreré

Fernando Amorim, fotógrafo que se aposentou e adotou Boipeba como morada, estava ontem na linha de frente das praias de Cueira e Moreré, onde o óleo chegou em pequenos pedaços, mas em grande profusão:

— O óleo escorraçou o povo. Quem estava nos hotéis e pousadas pediu as contas, e quem tinha feito reservas cancelou. Hoje (ontem) vimos em Moreré uma coisa nunca vista, restaurantes ao meio dia fechados. Um horror.

Segundo Fernando, quando o sol bate e esquenta o óleo, acontece o pior:

— Parte dele derrete e entra na água, fica invisível, mas deixa o mar oleoso.

Para uma área como Cairu, com manguezais por todos os lados, é um terror.

Emergência

Em Ituberá, Leandro Ramos (PSB), prefeito de Igrapiúna e presidente do Consórcio Intermunicipal da Área de Proteção Ambiental (Ciapra), reuniu os colegas da região:

– Tivemos que decretar estado de emergência.

Dos 13 municípios do baixo sul integrantes do consórcio, sete têm conexões com o mar: Cairu, Camamu, Igrapiúna, Ituberá, Nilo Peçanha, Taperoá e Valença. Ontem, a Marinha mandou reforços.

Por Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.

Desmerecimento sobre a mulher

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As professoras, que representam mais de 80% dos docentes brasileiros, devem se unir em torno da proposta de empoderamento do debate sobre as questões de gênero e a importância de se lutar pela igualdade de direitos entres os sexos. Todas as pessoas devem ser respeitadas em sua integridade e têm o direito de viver sem medo em busca da felicidade sempre.

Viraliza nas redes sociais a resposta a uma pesquisa simples no site de busca Google. Ao procurar o significado da palavra professora aparece definição ”mulher que ensina ou exerce o professorado” e em um outro significado, chamado de ”brasileirismo”, onde a professora é definida como ”prostituta com quem adolescentes se iniciam na vida sexual”.

Esse mesmo resultado é encontrado em um dos mais importantes dicionários brasileiros da atualidade o Houaiss. E no dicionário Aurélio, tão importante quanto o Houaiss, nas ”informações relevantes” é dito que em algumas regiões a palavra professora tem o ”uso pejorativo para se referir à pessoa com quem se teve a primeira relação sexual”, que não implica necessariamente em prostituição. Já a palavra prostituta é definida como ”mulher que faz relações sexuais por dinheiro”. Bem diferente.

Importante ressaltar nisso tudo que nenhum dicionário encontra sentido pejorativo, ”brasileirismo” ou ”informações relevantes” para a palavra professor. O fato revela a importância de se batalhar pelo empoderamento do debate sobre as questões de gênero no país, com o machismo aparecendo inclusive em nosso vernáculo.

Por que o desmerecimento recai sempre sobre a figura da mulher, da palavra feminina? Essa definição do Google e dos dicionários reforçam a o papel a ser desempenhado pela escola nesse fundamental debate a atingir toda a sociedade, profundamente enraizada na ideologia patriarcal. É necessário mostrar à sociedade a importância de dispensar tratamento igual às pessoas, respeitando sua orientação sexual.

Porque o preconceito tem sido a norma, quando se trata de sexualidade e da presença da mulher e o seu papel na sociedade, ainda mais nestes tempos dominados pelo conservadorismo e pela repressão. Notadamente por grupos religiosos fundamentalistas, que com um falso moralismo defendem a submissão da mulher em todos os sentidos. E com base, nessa proposta de supremacia masculina, depreciam os LGBTs para criminalizá-los.

Muito importante discutir as questões de gênero para ensinar as crianças a identificarem onde termina o carinho e começa o abuso. É disso que os abusadores têm medo. Exatamente por isso, o diálogo é fundamental. Mesmo porque o abuso sexual de crianças e adolescentes cresce em demasia no país, e a maioria das violências ocorre dentro de casa, onde deveriam estar protegidas.

O debate deve ser aprofundado inclusive sobre a nossa gramática que foi feita exclusivamente por homens, que estabeleceram regras favorecendo o elemento masculino. Tanto que quando a primeira mulher assumiu a Presidência, muita gente ironizou o uso da palavra presidenta, como se fosse um erro gramatical, num equívoco provocado pela visão machista.

As professoras, que representam mais de 80% dos docentes brasileiros, devem se unir em torno da proposta de empoderamento do debate sobre as questões de gênero e a importância de se lutar pela igualdade de direitos entres os sexos. Todas as pessoas devem ser respeitadas em sua integridade e têm o direito de viver sem medo em busca da felicidade sempre.

*Por  Francisca Pereira da Rocha Seixas

Assim caminha a humanidade

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Salvador – 1 – Meneses Pimentel, professor de Direito Romano e Filosofia do Direito, governador (1935 a 37), interventor (37 a 45), deputado (51 a 55), ministro da Justiça (55 a 56), senador (59 a 71), foi tudo no Ceará.

Era interventor, chegou ao palácio do Catete a noticia de que tinha sido baleado em Fortaleza. Lourival Fontes, Chefe da Casa Civil de Getulio, telegrafou a Brasil Pinheiro, chefe da Casa Civil de Pimentel :

– Informe urgente se governador Meneses Pimentel foi alvejado.

Brasil Pinheiro informou urgente:

– Não. Continua preto.

Meneses Pimentel era mulato retinto.

2 – Ageu de Castro, coronel de muitas terras e importâncias, era deputado estadual pela região de Sousa, na Paraíba. O coronel era inteligente e rude, grosso e racista. Em João Pessoa, foi ao palácio falar com o governador Pedro Gondim. O oficial de gabinete, negro, não o conhecia, perguntou qual era o assunto. O coronel explodiu:

– Como é sua graça?

– Marilake Toscano.

– Negro, Marilake é nome de artista de cinema. De hoje em diante seu nome é Benedito. Be-ne-di-to, ouviu?

Meteu a mão na porta e entrou.

3 – O poeta português Julio Dantas (“A Ceia dos Cardeais”) veio ao Brasil, foi a Belo Horizonte. O prefeito (1947 a 1951) era Otacílio Negrão de Lima, irmão de Francisco Negrão de Lima. Estavam lá as autoridades. Não conhecia ninguém. Sabia apenas o nome do prefeito, doutor Negrão.

Olhou para um lado, olhou para o outro, abriu os braços e foi em direção ao cordão das autoridades:

– Doutor Negrão, meu abraço.

E abraçou o senador Melo Viana, mulato queimado, quase negro.

4 – Milton Santos, o saudoso jornalista, professor, poderoso intelectual (ganhou o Nobel de Geografia),morava no mesmo edifício e andar em que eu morava (o Napoli,na Barra, em Salvador).No golpe de 64, fomos presos.

Editorialista de “A Tarde”, o jornal mandou o veterano e respeitado secretario da redação ao quartel. O coronel, de pé, fez um discurso racista:

– Além de subversivo, é um negro importador de putas francesas.

Abriu uma gaveta, puxou uma foto:

– Olhe ele aqui, jantando com duas putas francesas importadas.

Uma das louras era a mulher do Milton. A outra era a mulher do secretario do jornal, que reagiu aos berros. O coronel quase leva um tabefe. O jantar tinha sido na casa do secretario, no aniversario dele.

Mesmo assim, Milton continuou preso. Só foi solto e exilado por interferência do general De Gaulle, presidente da França, junto a Castelo Branco, porque o Milton era professor da Universidade de Estrasburgo.

5 – Há meio século, em 1960, acompanhando a campanha de Nixon e Kennedy nos Estados Unidos, eu não compreendia como, em pleno século XX,na maior potencia econômica e militar do mundo,os negros não podiam sentar junto dos brancos no metrô, ônibus, trens, restaurantes, até nos bares.

Na minha Bahia, e no Brasil todo, negros e brancos nos sentávamos juntos nos mesmos bancos dos bondes, ônibus, trens, bares e restaurantes.

Também me chocaram os principais argumentos contra John Kennedy: era “católico, liberal e mulherengo”. Ganhou por menos de 1%.

6 – Nos mesmos Estados Unidos, o negro Barack Obama, filho de africano muçulmano do Quênia, criado por um muçulmano, casado com uma negra, com duas filhas negras, candidato do partido de Kennedy, foi eleito presidente dos Estados Unidos de 2009 a 2017, sendo o primeiro afro-americano a ocupar o cargo.

É um acontecimento extraordinário na historia da humanidade. Jamais o bicho homem caminhou tanto em tão pouco tempo. A Idade Media e a Inquisição da Igreja Católica duraram mil anos. A escravidão, milhares de anos, desde a China e o Egito. O racismo ainda ronda por aí, mas envergonhado e cada dia mais desmoralizado e rejeitado.

7 – Todo mundo já contou uma do inesquecível Caymmi. Também vou contar a minha. Helio Fernandes lembrou que ele nasceu no mesmo dia, mês e ano de Carlos Lacerda: 30 de abril de 1914. A mesma genialidade.

Numa tarde de 1990, em Agrigento, na Sicília, diante do céu azul e do mar azul do Mediterrâneo, Jorge Amado começou a lembrar-se da Bahia e me contou uma historia dele, de Caymmi e Lacerda, muito interessante.

Muito amigos nos anos 30, depois que Caymmi e Jorge chegaram ao Rio, foram passar um domingo em Paquetá. Com seu inseparável violão, Caymmi começou a dedilhar uma nova musica. Lacerda pegou um papel e escreveu dois versos. Jorge também escreveu mais uns. E pararam aí.

Caymmi concluiu depois. Creio que foi “É Doce Morrer no Mar”.

*Por Sebastião Nery

 

 

 

Cigarro não combina com cirurgia

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Cirurgiã plástica Dra. Amalia Spector

Muitos fumantes se frustram ao saberem que terão que esperar um período para fazer a cirurgia plástica que lhe dará mais beleza ou saúde. Como o cigarro não combina com cirurgia nenhuma, inclusive a plástica, a recomendação médica é que eles suspendam o fumo pelo menos um mês antes da cirurgia. Para o dia 29 de agosto, Dia Nacional de Combate ao Fumo, a cirurgiã plástica Dra. Amalia Spector preparou algumas recomendações para os fumantes que querem recuperar a saúde e a autoestima.

As toxinas do cigarro, que são muitas, podem acarretar graves riscos para o paciente e os fumantes podem sofrer algumas complicações durante o processo, explica Dra. Amalia Spector. ”Desde a anestesia até o final da cicatrização. Na maioria dos casos a cirurgia plástica não é de urgência, mas para melhorar a autoestima e saúde do paciente. Então ele tem que fazer isso no melhor momento dele, para ter o melhor resultado possível. Tem que parar de fumar por um tempo, melhorar a alimentação, sair do sedentarismo, visando uma cirurgia e recuperação com maior qualidade no resultado”.

A produção excessiva de muco causada pelo cigarro pode atrapalhar a oxigenação durante a anestesia. Já a tosse frequente na recuperação da cirurgia pode causar sangramento e grandes hematomas. Em alguns casos, isso pode exigir uma nova cirurgia para retirar o sangue que ficou acumulado.

A nicotina produz a vasoconstricção, ou o fechamento dos pequenos vasos sanguíneos, o que causa a redução da circulação nos tecidos. Sem o sangue na quantidade que precisa, o tecido pode morrer (necrose). Isso causa muitos problemas na cicatrização e pode deixar cicatrizes grandes. Esse risco é maior nas cirurgias com grande descolamento de pele, como a abdominoplastia, procedimento em que se remove o excesso de gordura e de pele e, na maioria dos casos, restaura os músculos enfraquecidos ou separados, criando um perfil abdominal mais suave e tonificado.

Outra complicação que pode ocorrer é a trombose, formação de um coágulo sanguíneo em uma ou mais veias grandes das pernas e das coxas. Esse coágulo bloqueia o fluxo de sangue e causa inchaço e dor na região. “Por isso o cigarro deve ser suspenso 30 dias antes da cirurgia. E o ideal é que ele continue suspenso nos 30 dias depois, para garantir uma recuperação melhor ao paciente”, ressalta a cirurgiã plástica.

Mini-currículo

Dra. Amalia Spector tem Residência Médica em Cirurgia Geral (Hospital do Servidor Público do Estado /Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual – IAMSPE, São Paulo-SP); Residência Médica em Cirurgia Plástica pelo mesmo Hospital; Título de especialista em Cirurgia Plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica; e é Pós-graduada em Laser, Cosmiatria e Procedimentos minimamente invasivos (Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo-SP).

Na pegada da Santa Dulce

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Faça-se justiça. Ainda em vida, Irmã Dulce sempre foi reverenciada por todos, de empresários do naipe de Norberto Odebrecht, fundador da Construtora Odebrecht, e Angelo Calmon de Sá, então dono do Banco Econômico, a mortais comuns. De políticos, nem se fala. Era romaria. Não seria agora de outra forma.

Veja você. Lá atrás, no início do ano, o deputado Aderbal Caldas (PP) apresentou um projeto para criar a Medalha Irmã Dulce, a ser concedida dia 26 de maio, data do aniversário dela, uma única vez no ano, a instituição filantrópica de reconhecidos serviços prestados. Andou pouco, mas com a notícia da canonização, foi aprovada rapidinha, em junho.

O pioneiro

A primeira entrega será em maio do próximo ano, mas já tem candidato. Esta semana o deputado Antonio Henrique (PP) apresentou projeto indicando o Hospital do Câncer de Barretos, em São Paulo, o antigo Hospital do Amor, para ser o primeiro agraciado. Justificativa: ele atende também nove municípios na região de Juazeiro. Deu tititi, já que alguns acham que entre os baianos há quem mereça o pioneirismo.

O deputado federal Cláudio Cajado (PP) também quer ir na ponga. Requereu que a Comissão de Relações Exteriores da Câmara forme uma Comissão para ir ao Vaticano no dia da canonização. Com uma ressalva: ‘com ônus’ para a Câmara. Ou seja, o milagre aí não é de Irmã Dulce. Seria brasileiro mesmo.

*Por Levi Vasconcelos, jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.