Ausência de candidatos

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Rodrigo Daniel é jornalista, e escreve para Tribuna. Foto: BN

Desde a década de 1960, quando ocorreu o primeiro debate televisionado no mundo entre John Kennedy e Richard Nixon pela Presidência dos Estados Unidos, os atores políticos têm receio de participar de embates eleitorais. Sabem os candidatos que uma fala mal colocada, um simples gesto errado, uma aparência abatida ou qualquer desatenção pode ser a gota d’água na eleição.

Autor de um importante livro sobre aquela eleição americana, o jornalista Theodore H. White relata como o debate, que foi assistido por mais de 70 milhões de pessoas, mudou a percepção dos eleitores. A esperada superioridade de Nixon, que era então vice-presidente da República, se desmanchou no ar. Ele apareceu no confronto assustado, carrancudo e abatido. Enquanto o seu adversário, John Kennedy estava calmo e confiante.

”Quem ouviu os debates no rádio acredita que houve paridade entre os dois candidatos. No entanto, todas as pesquisas com aqueles que assistiram aos debates na televisão indicaram que Nixon se saiu mal”, escreveu White. De lá para cá, muitos candidatos fogem dos embates eleitorais como o diabo foge da cruz. No Brasil, virou mania os líderes nas pesquisas de opinião não comparecem aos debates.

Em 2018, Jair Bolsonaro não foi a nenhum confronto no segundo turno, com o argumento de que os médicos vetaram a sua participação após o atentado à faca que sofreu. Foi eleito sem que os brasileiros soubessem quais eram as suas propostas para resolver os principais problemas do país. Dias depois de Bolsonaro ter vencido, o então prefeito de Salvador, ACM Neto, disse, com razão, que o Brasil ”deu o maior cheque em branco da sua história” ao presidente eleito.

No mesmo ano, o governador Rui Costa, que disputava a reeleição, prometeu participar de todos os debates eleitorais. Não cumpriu. Líder nas pesquisas, esteve presente apenas em dois, na Bandeirantes e na TV Bahia. Aliás, poucas entrevistas ele concedeu à imprensa naquele pleito. Reeleito, Rui enviou semanas depois, sem nunca ter mencionado na campanha que faria, um duro pacote de austeridade para a Assembleia Legislativa.

Desta vez, é ACM Neto, que lidera as sondagens de opinião, e já avisou que não irá para o primeiro debate eleitoral, marcado para o próximo domingo. Provavelmente, repetirá a estratégia de 2016, quando foi reeleito prefeito de Salvador. Naquele ano, Neto foi apenas ao último confronto promovido pela TV Bahia. Ausente dos debates, o pré-candidato a governador do União Brasil vai reduzir as chances de seus eleitores saberem o que pensa para o futuro da Bahia, e comparar suas propostas com a dos adversários políticos.

ACM Neto tem feito críticas aos baixos índices da Educação e da Segurança Pública do estado, mas, até agora, pouco tem dito como resolverá esses problemas. Tem prometido dar continuidade nas boas ações feitas pelo atual governo, mas pouco se sabe quais os projetos petistas ele considera positivos e não serão interrompidos, se ele for eleito o próximo governador.

Na disputa presidencial, tanto Lula quanto Bolsonaro, que estão à frente nas pesquisas, já indicaram também que não vão participar dos debates. A verdade, caro leitor, é que, ao longo das últimas eleições, os candidatos têm se sentido à vontade para faltar aos embates eleitorais. Embora os debates sejam um momento importante para sabermos quem têm realmente propostas concretas e está preparado para comandar o estado ou o país, os eleitores têm dado pouca importância para a ausência dos postulantes. Pelo contrário, tem premiado os ausentes com cheques em branco, como fez com Bolsonaro há quatro anos.

*por Rodrigo Daniel Silva

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Liberdade

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”Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma, que não exista força humana alguma que esta paixão embriagadora dome. E que eu por ti, se torturado for, possa feliz, indiferente à dor, morrer sorrindo a murmurar teu nome.”

Confesso, caros leitores, que a primeira vez que li essa estrofe do poema ”Liberdade”, escrito por Carlos Marighella em 1939, quando ele se encontrava encarcerado no Presídio Especial de São Paulo, sob as torturas da polícia de Filinto Müller, na forma que assim aprendi com Frei Betto, in “Batismo de Sangue – Os dominicanos e a morte de Carlos Marighella”, pensei que fosse uma ode à amada.

Como amo a educação e hoje mais bem informado, recentemente, declamei esse poema quando, na condição de diretor da Escola de Contas Conselheiro José Borba Pedreira Lapa (ECPL), do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE), dei as boas-vindas a 32 alunos do curso técnico de Administração de Empresas do Colégio Estadual Carlos Marighella, localizado no bairro do Stiep, em Salvador, que participaram de mais uma edição do Programa Casa Aberta.

O Programa Casa Aberta foi iniciado em 2016, tendo por público-alvo a comunidade estudantil do Ensino Fundamental II (do 7º ao 9º ano), do Ensino Médio e graduandos de instituições de educação superior da Bahia. Seu objetivo é estimular o controle social e despertar a consciência sobre a importância de se exercer plenamente a cidadania, por meio de novas perspectivas de atuação na sociedade e do conhecimento das ações desenvolvidas pelo TCE/BA. No seu primeiro ano de realização, foram contemplados 483 estudantes de dez instituições de educação superior.

Em 2019, o Programa foi ampliado, com a inauguração do Casa Aberta Inclusivo, tendo por público-alvo alunos de escolas especiais. Nessa modalidade do Programa, participaram 131 estudantes das seguintes instituições: Fundação da Criança e do Adolescente (FUNDAC), Instituto de Cegos da Bahia, Centro de Educação Especial da Bahia (CEEBA), e Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE).

Em 2020 e 2021, devido à pandemia da covid-19, o Programa Casa Aberta foi suspenso, retornando a sua execução em 2022. Até o início do mês de junho de 2022, foram atendidos, pelo Programa, 249 estudantes de sete escolas do ensino médio, entre elas o Colégio Estadual Carlos Marighella, e 20 de uma instituição de ensino superior.

Desde o seu início até o dia 2 de junho de 2022, o Programa atendeu 2.659 estudantes, sendo 1.813 de ensino médio e 846 de ensino superior.

Sempre que posso, procuro participar da abertura desses encontros para mostrar aos jovens cidadãos que nos visitam a importância do controle social para o aprimoramento das políticas públicas. Entendo que esse tipo de controle somente se materializa com a informação adequada sobre o papel e a importância das instituições públicas.

Como creio no ensino pelo exemplo, apresento um pouco da nossa trajetória de vida e incentivo os estudantes a questionarem e a crerem que é possível abrir as portas com a chave da educação.

Sempre me emociono nesses encontros, pois, ao ver nossos alunos da escola pública, rememoro o que fui e o quanto os anos que ali passei foram importantes para me tornar o que hoje sou. Entretanto o encontro com os meninos e meninas do Colégio Estadual Carlos Marighella foi ainda mais especial, pois me fez recordar que, quando fiz a minha educação básica e superior, eu não tinha o devido conhecimento sobre o regime de exceção pelo qual passava o nosso país. Para mim, o poema ”Liberdade” era tão somente versos de amor. De fato, eu só tomei pé da situação, já fora da universidade, pela leitura, pelos filmes e pelos relatos dos que viveram e sentiram na pele os reflexos dos tempos de chumbo, que, loas, não hão de voltar.

Quando nós, servidores do TCE/BA, abrimos a nossa Casa para estudantes, estamos cientes da nossa responsabilidade no processo de transformação social, principalmente quando ouvimos depoimentos tais como o da jovem Rafaela Souza, 20 anos, aluna do Colégio Carlos Marighella: ”A experiência de hoje vai influenciar meu comportamento como cidadã. Estarei mais vigilante ao que acontece na minha escola e no meu bairro. Vou transmitir para o máximo de pessoas as informações e os canais de comunicação da Ouvidoria”.

Hoje, cada vez mais, assim creio, tornam-se imperiosos a leitura e o estudar, pois a vida nos oferece várias portas. Compete a cada um abrir a sua e traçar a sua jornada, sem se esquecer, pois, de que a educação é o melhor caminho para alcançar nossos objetivos e, sorrindo, nos libertar.

E não nos esqueçamos de que não valorizamos a liberdade quando a temos. Nós somente sabemos o que é a liberdade quando a perdemos.

Alguns acreditam que a liberdade se conquista pelas armas e partem para a luta, como tentou inutilmente fazer Marighella. Outros defendem que é preciso armar – pasmem – a população para o povo libertar. Eu prefiro sonhar que, com as penas e com os livros, é possível alcançar a tão sonhada liberdade. Liberdade que, como bem o disse Cecília Meireles, no Romanceiro da Inconfidência, é “essa palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”.

*Inaldo da Paixão Santos Araújo é mestre em Contabilidade. Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia, professor da Universidade do Estado da Bahia, escritor. [email protected]

”E aí, quem ganha?”

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Por mais que a campanha eleitoral não tenha começado oficialmente, as pessoas, antes alheias ao processo político, começam ligar suas antenas às escolhas futuras em outubro próximo. Apesar da distância, muitos buscam prever cenários e a inquietude para saber quem serão os vitoriosos aguçam os mais politizados e os consumidores de informações eleitorais através da imprensa ou das redes sociais. Muitos querem espremer do jornalista especializado em cobertura política uma síndrome de Madame Beatriz.

Beatriz Janovitch, conhecida como Madame Beatriz, conforme Nelson Cadena em artigo publicado em 2017, foi uma das mais famosas cartomantes de todos os tempos, que Jorge Amado imortalizou em Pastores da Noite. Chegou em Salvador, vinda do Recife, na década de 30. Se portava como quiromante apta ”a rasgar o véu misterioso do futuro”. Acertava algumas e errava tantas outras. Um dos seus erros políticos foi ter previsto que ACM, o original (como frisa Mário Kertész) seria traído por aliados e não teria sucesso político nos idos da década de 50.

Mas Madame Beatriz, com toda sua fama, permanece até hoje, principalmente, na boca dos políticos mais velhos quando querem criticar ou brincar sobre algo referente a adivinhações ou previsões. Eu, particularmente, a descobri nas minhas entrevistas com o então candidato a governador da Bahia pelo MDB, João Santana, em 2018. Ele sempre a citava quando uma pergunta exigia um exercício de futurologia.

No atual contexto, com uma polarização nacional entre Lula (PT) e Bolsonaro (PL) e uma disputa baiana mais acirrada que perpassa ACM Neto (UB), Jerônimo Rodrigues (PT) e João Roma (PL) ao governo, tentar prever algo é uma atitude extremamente arriscada. Mas nós, jornalistas de política, por exemplo, quando chegamos em qualquer ambiente a pergunta que surge imediatamente é: ”e aí, quem ganha?”.

Certa vez estava com um colega tomando um café em um shopping (e vale pontuar o absurdo da inflação que um expresso já está valendo um pacote de um café coado) discutíamos sobre pesquisas e os dados efusivamente. Uma senhora que estava ao nosso lado, prestou atenção e no final perguntou: ”e aí, quem ganha?”. Fui em uma loja comprar uma camisa e quando a vendedora descobriu minha profissão, logo cravou: ”e aí, quem ganha?”

Se as pesquisas, com bases científicas e estatísticas, flertam entre o erro e do acerto (2006 e 2014 erraram no governo baiano, mas acertaram em 2010 e 2018) – apesar de não balizarem os contextos, algo que um jornalista pode traduzir -, cravar nome de vitória corre o risco do descrédito. O pior para o político é ter o excesso de confiança e já tratar tudo ou todos como se já fosse o eleito.

Tendências e expectativas vão se desenhando de melhor maneira quando mais próximos estamos do pleito, mas qualquer sentimento do agora pode ser modificado em um estalar de dedos, ainda mais quando os aspectos externos podem provocar caminhos diferentes de escolha do voto.  E mesmo com a proximidade e qualquer dado mais concreto, aquilo impresso pelos boletins de urna, representante da legítima vontade do povo, pode fugir de qualquer lógica. Não existe eleição ganha de véspera. Nas letras de João Sérgio (1978): Como será o amanhã? Responda quem puder…

*Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. Atua na cobertura política em sites e rádios de Salvador. Twitter: @victordojornal

 

Proposta de segurança pública de ACM Neto difere da do PT?

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Os atores políticos, de modo geral, adotam, durante o processo eleitoral, mensagens ambíguas e sem profundidade, para não correrem o risco de os eleitores discordarem das suas posições e perderem votos. É por essa razão que o ex-presidente Lula disse à revista americana Time que não se ”discute política econômica antes de ganhar as eleições”.

Há quase um ano e meio em pré-campanha pelo governo da Bahia, ACM Neto também não tem falado com profundidade quando o tema é Segurança Pública. Pouco se sabe, até agora, como o pré-candidato favorito para vencer as eleições pretende resolver um dos principais problemas da Bahia, se for eleito governador.

É bem verdade que estamos em pré-campanha, mas me parece ser o momento ideal para debatermos as propostas daqueles que têm a intenção de chegar ao poder. Ou será que vamos conseguir discutir a fundo todos os assuntos durante 45 dias de campanha? Penso que não. Tem se falado tanto em chapa, alianças, estratégias eleitorais, por que não tratarmos também das propostas?

Na eleição de 2018, muitos discursos de postulantes a governador sobre Segurança Pública não tinham qualquer respaldo legal. Apesar disto, muitos candidatos conseguiram ter sucesso eleitoral nas urnas. Foi o caso de Wilson Witzel, no Rio de Janeiro, e João Doria, em São Paulo. ”A partir de janeiro, polícia vai atirar para matar”, disse o tucano na campanha. ”O correto é matar o bandido que está de fuzil. A polícia vai fazer o correto: vai mirar na cabecinha e… fogo! Para não ter erro”, afirmou o ex-juiz.

Quatro anos depois, ACM Neto também adota um discurso duro a respeito do tema, mas dentro da legalidade. ”No meu governo, bandido não vai se criar. Ou vai estar na cadeia ou fora da Bahia”, tem dito ele. Pelas palavras do pré-candidato, fica evidente que, se eleito, terá uma política de confronto. Essa é a política pública empregada há 16 anos na Bahia, pelos dois governos do PT. ”Vou meter polícia aí. Não vou comer pressão de traficante”, disse o governador Rui Costa, em maio do ano passado.

Então, o que irá diferir a política pública de segurança de ACM Neto, se eleito, da atual política pública do PT? Não se sabe. Na eleição de 2008, quando tentou pela primeira vez a prefeitura de Salvador, Neto tentou estadualizar o pleito e trouxe o tema da segurança pública para o debate eleitoral. Na época, disse que, se eleito, transformaria a capital baiana em um ”Big Brother” – sistema de câmeras móveis nos bairros mais violentos –, e ainda trouxe para embasar as suas propostas o ex-secretário de Segurança da Colômbia, Hugo Acero.

Não se sabe se ACM Neto irá sugerir algo semelhante no pleito deste ano. O que se sabe é que esta proposta, que foi adotada pelo governo Rui Costa, é cada vez mais contestada. A bela reportagem ”A Bahia está virando um laboratório de reconhecimento facial”, do site The Intercept, mostra como tem sido pouco útil a tática de espalhar câmeras pela capital baiana.

”Na região do Lobato, com 10 câmeras, crimes contra o patrimônio aumentaram 144% desde 2012, ano em que o sistema de monitoramento foi iniciado na capital, até 2019. Na região de Cajazeiras, com 22 câmeras, o aumento foi de 71,3% e, na região da Sussuarana, com nove câmeras, foi 50,8% maior”, escreveu a repórter Cíntia Falcão.

Além de se demonstrar pouco eficazes, as câmeras com reconhecimento facial podem ter virado uma fábrica de produção de injustiças no Brasil. Um estudo recente da Defensoria Pública do Rio de Janeiro aponta que, de cada 10 réus absolvidos, 8 foram presos por causa dessa ferramenta e ficaram, em média, 1 ano e 2 meses presos. Inaceitável.

Na eleição de 2018, ACM Neto observou que o eleitor brasileiro deu um cheque em branco para o então candidato à Presidência, Jair Bolsonaro, que sequer foi aos debates para discutir as suas propostas. Quatro anos depois, a gente roga para que não se dê um cheque em branco para o futuro governador da Bahia, seja lá quem for.

*por Rodrigo Daniel Silva

O SBT parando no tempo

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No SBT, desde o seu primeiro dia, 19 de agosto de 1981, Silvio Santos sempre chamou para si todas as responsabilidades, especialmente nos assuntos da produção e programação.

As principais contratações ou decisões artísticas, ao longo de todos os tempos, também foram realizadas diretamente por ele, sem intermediários. Nunca foi de delegar nada a ninguém, centralizador, e até hoje continua sendo assim.

No entanto, diferentemente de agora, existiram momentos em que os seus diretores conseguiram ser mais presentes e convencê-lo de algumas necessidades e decisões. Tinham coragem de buscar o diálogo e foram importantes em muitas ocasiões.

Tempos de Luciano Calegari, Guilherme Stoliar e José Roberto Maluf, principalmente.

O afastamento determinado pela pandemia, com a sua ausência de corpo presente na televisão, acabou dificultando ainda mais. Ele não fala mais com quase ninguém e ninguém está autorizado ou tem coragem suficiente de procurá-lo. Não por acaso, o SBT está desaparecendo no tempo e no espaço.

TV Tudo

Vale explicar

Quando os nomes do Luciano, Guilherme e Maluf são citados, falamos de profissionais qualificados e especializados em olhar para a TV como um todo.

E priorizando o que ela tem de mais importante: fortalecer sua linha de produção. Assim como fez o Boni na Globo.

Área externa 

A Band está construindo uma estrutura na sua sede, em São Paulo, para acomodar até 400 pessoas.

Uma área de espera, necessária, para o pessoal que irá compor a plateia do “Faustão na Band”. O auditório do programa terá a mesma capacidade.

Casos de Família musical

No que depender de ”É o Amor: Família Camargo”, disponibilizado pela Netflix, a série documental do Zezé di Camargo e Wanessa vai além do foco musical.

Nos dois primeiros episódios, a lavação de roupa suja sobre a separação de Zezé e Zilu é bem explorada.

Não já

Em reunião na última sexta-feira, a direção da Band decidiu deixar para março o lançamento da nova programação da hora do almoço, que inclui um jornal com Adriana Araujo.

A estreia dela, no entanto, deve acontecer antes, nas emissoras de rádio.

Música da novela

Com 52 faixas, as plataformas digitais acabam de receber a trilha sonora instrumental da novela “Um Lugar ao Sol”.

Márcio Lomiranda e Mú Carvalho são os responsáveis pela produção musical.

Últimos dias

”A Fazenda 13”, da Record, está nos seus últimos momentos. Final na quinta.

Hoje, segunda-feira, dois participantes deixam o programa e outros dois já se garantem na grande final.

Programação

Amanhã, terça-feira, na “Fazenda”, a mesma situação de hoje irá se repetir, com a saída de mais uma dupla, ficarão só dois para disputar a finalíssima.

Na quarta-feira, acontece a última festa com a presença de todos os participantes, exceto os expulsos e desistentes. Esse pessoal todo está confinado desde sexta-feira passada.

Rádio

Depois da Play FM, agora é a Nativa FM que sai definitivamente da Band e vai para a avenida Paulista.

Uma parcela da equipe já começa os trabalhos de lá nesta quarta-feira.

Vale esclarecer

Na sede principal da Band, no Morumbi, em curto prazo só ficarão as empresas que pertencem ao Grupo Bandeirantes.

Aquelas que todos os irmãos Saad são donos. Segundo as contas, agora só resta a saída do BandSports.

Bate – Rebate

•             Com a ida de Roberto Martins para a direção de produção da Rede TV!, Thais Endo assumiu em seu lugar a direção do ”TV Fama”. Interinamente.

•             Com passagens por ”Velho Chico” e ”Malhação: Viva a Diferença”, Hall Mendes, também estará em “Todas as Garotas em Mim”, nova minissérie da Record.

•             Nesta terça, no Le Burger, em São Paulo, Felipe Folgosi lança a sexta graphic novel, ”Omega”, que encerra seu universo de ficção científica iniciado sete anos atrás, com ”Aurora” e ”Chaos”…

•             …  Folgosi também coproduziu o documentário “Em Cena”, sobre a arte do ator, para o canal Curta…

•             … Participação de nomes como Laura Cardoso, Antonio Fagundes, Lima Duarte, Juca de Oliveira, e Regina Duarte, entre outros.

•             Ana Hiraki, no ar em “Quanto Mais Vida, Melhor!”, gravações encerradas, vai participar do novo projeto de humor da Globo, ”Novelei”…

•             … Mas não no elenco fixo. Só participação.

•             Havia um plano para reformulação do ”Gazeta Esportiva”, programa diário das 18h na TV Gazeta…

•             … Mas alguns problemas internos acabaram impedindo.

C´est fini

Na final de mais um ”Narra quem sabe” da ESPN, no anúncio da vencedora, alguém se tocou que deixaram de fora a apresentadora do programa Vanessa Riche.

Quando perceberam, pediram que ela gravasse um vídeo e colocaram no telão. Antes isso que nada.

Por Flávio Ricco I Colaboração José Carlos Nery

As operadoras de Internet e celular

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Jolivaldo Freitas é Escritor

As empresas de telefonia no Brasil e notadamente as operadoras de conexão de internet em plena era G5, parecem ainda que são movidas a vapor, tal a incompetência em poder gerir o atendimento entre os milhões de clientes. Suas propagandas nas emissoras de TV, criadas por cabeças ilustres da publicidade, são muito bem feitas, mas passam a impressão de que estão numa realidade paralela; numa quinta dimensão. Isso pode ser sentido quando se coteja o que as mensagens publicitárias dizem de eficiência, atendimento, e até velocidade, propondo respeito por entregar o que foi contratado com a realidade nada virtual. Na hora de vender seu produto o marketing e o telemarketing fazem bem o seu papel. No momento, por exemplo, de agendar uma visita técnica estamos plenamente no passado. E vou contar uns casos. Aguarde.

Antes vou relembrar que no século XIX a telefonia era algo fácil de acontecer. Poucos milhares tinham aparelho de telefone em casa e quando queriamfalar com alguém bastava ligar um número fixo que a ligação caia na mesa de uma telefonista que passava a ligação para a outra pessoa. Claro que como toda boa fofoqueira, vez que fofoca é um hábito salutar no Brasil desde que os portugueses a trouxeram há uns quinhentos anos, ficava ouvindo a conversa e daí todos passavam a saber das ”últimas”.

Depois vieram os telefones públicos e os orelhões onde quem estava na fila esperando vez ouvia a conversa ou a lamúria de quem colocava a ficha para falar três minutos e a ligação não levava nem a metade do tempo. Ou seja: desde sempre que as empresas de telefonia aprontam com os seus clientes. Não é coisa de agora.

Mas, daí veio a telefonia celular e quando todos pensavam que a modernidade iria dar um novo alento, viu-se que as empresas que atuam no Brasil continuam verdadeiros ”cacetes armados”, improvisando, indo na base do errar e acertar. Parece que as telefônicas vivem de tentar resolver e não sabe como.

Tive problemas com a Oi e seu Velox, a internet de alta velocidade. Contratei uma velocidade de não sei quantos megas e não conseguia atuar nem com a metade e muitas das vezes a velocidade caia para quase zero. Mudei para a Vivo Fibra achando que estaria fazendo um grande negócio. Até que a velocidade contratada é quase que alcançada, embora tenha dias que parece um trem cheio de carga, que anda se arrastando.

Mas o pior é saber que se ocorrer um problema como ficar sem conexão num fim de semana está roubado. Liga-se para o atendimento central da empresa e se não consegue resolver como uma ”carga” mágica que enviam dessaindigitadacentral, mesmo que solicitemos com toda bizarria, fica a ver navios. A pessoa da central explica que na região tal, como é o caso de Salvador, na Bahia, não haver atendimento nos finais de semana e feriado. E quando é feriado prolongadocomo ocorreu comigo recentemente? A pessoa fica desconectada por dias. Imaginem isso nesses tempos em que tudo é via Wifi!

As operadoras de telefonia e de internet brasileirasprecisam tomar vergonha na cara e passar a atuar com profissionalismo. Ninguém mais aguenta improvisos tecnológicos e pós-venda ao nível de feira livre. E a Anatel que tomada por indicações de políticos que recebem ”verba” das empresas se finge de surda e muda. Fica ”desligada”.

Antigamente, quando menino, a gente brincava de telefonar falando na lata. Era uma lata de um lado e outra do outro lado ligadas por umcordão. Se o cordão quebrasse trocava-se rapidamente. Mais ágil e eficiente que as empresas de tecnologia que atuam no Brasil e que nos servem neste século XXI como se fosse na Idade Média.

*Jolivaldo Freitas é Escritor, jornalista e publicitário

A vida como ela era

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Concordem uns, discordem outros, o fato é que a vida social e as atividades produtivas voltam a ser quase iguais ao que eram antes da pandemia. No próximo mês, a pandemia, que tem como origem a cidade de Wuhan, província de Hubei, na China, completa dois anos de vida. Explicando a expressão ”quase iguais”, valho-me do filósofo Heráclito de Éfeso, que ensinava: ”Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontram as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou”. Para milhares de pessoas, a vida fez uma curva. Perderam e muito, mas algum ganho ocorreu.

O planeta abriga contingentes humanos feridos e amargurados com a perda de amigos e parentes, sendo raro encontrar alguém que tenha passado ao largo da devastação, sem casos para contar. Um morreu aqui, outro ali, alguns sofreram muitos nas UTIs, e as narrativas se locupletam de relatos doloridos. O planeta terra continua azul e com correntes de nuvens sobrevoando os continentes, mas, sob seu solo, milhões foram empurrados para seu eterno habitat.

A dor traz a tristeza e esta vem acompanhada de fartas doses de angústia, desencanto e desespero, que afligem milhões de seres vulneráveis, principalmente as massas que perderam seus empregos, caindo nas bordas do desemprego, sem os estoques mensais que subsidiavam sua existência. Os coitados entram em um novo modo de vida, com um olho aqui, outro ali, procurando um jeito de se acomodar aos tempos de penúria que pontuam por todos os lados.

No Brasil, os dados apontam um índice de 15% de desemprego, abrigando 14,8 milhões de pessoas sem ocupação, um número que se torna muito maior se observarmos outras variantes, como quebra e diminuição de salários, redução significativa de serviços, recomposição de formas de trabalho etc.

Os impactos são de monta, bastando olharmos para crianças e adolescentes que deixaram de ir à Escola, um dano incontável que se projeta no atraso educacional de uma geração. Quase dois anos sem Escola ou amparados em ferramentas virtuais que não substituem a presença física em sala de aula, esse grupamento sofrerá abalos em suas carreiras profissionais. Imaginem o que isso significa em termos de impacto sobre a evolução educacional e tecnológica do planeta. Um gigantesco buraco. Um atraso na vida civilizatória.

Para não ficarmos apenas na esfera dos males, podemos inferir que a pandemia trouxe em seu bojo um conjunto de valores até então desprestigiados. A paciência para suportar as perdas, mostrando que não somos imunes a vírus e bactérias. O domínio do conhecimento nas ciências biológicas com a avalanche de vacinas em processamento em centenas de laboratórios. O diálogo mais aberto e sincero entre as Nações, apesar dos conflitos iniciais travados pelas potências sobre a origem da pandemia. A solidariedade que joga sua mão para acolher grupos sofridos, principalmente junto às populações do continente africano. A revisão positiva da maneira de viver, que baixa sobre a consciência de indivíduos sem nenhuma preocupação com o amanhã.

Infelizmente, não são poucos aqueles que vivem no esbanjamento, deixando de olhar para os infortunados, preocupados tão somente com o acúmulo de riquezas. Governantes há que brincam com o sofrimento, negando a eficácia da vacina ou desprezando as recomendações da ciência. Muitos dos nossos representantes, que estarão humildemente pedindo votos no palanque de 2022, hoje se esforçam para expandir recursos e aumentar seus feudos, sob a suspeita de que parte das verbas jamais chegará ao destino por eles apontado. São pessoas medíocres.

José Ingenieros, pensador argentino, diz em O Homem Medíocre: ”Os servis e medíocres se alardeiam de honestos, como se alguma vez a incapacidade do mal pudesse ser confundida com virtude…os medíocres preferem a maledicência surda à calúnia violenta, de modo que praticar a infâmia escondida e sutil é menos arriscado e, portanto, mais condizente com sua condição de moradores do limbo que sobra entre o superior e o inferior, mais especificamente nas margens da comprida avenida espremida entre o mediano e o médio.”

*Gaudêncio Torquato, escritor, jornalista, é professor titular da USP e consultor político.

Discurso do PT contra ACM vinga?

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Perto da votação na campanha de 2018, ACM Neto e Elmar Nascimento estimaram quantos deputados a bancada da oposição elegeria. Neto, então, perguntou ao aliado:

–  Quantos votos você vai ter?
– Entre 100 e 110 (mil)… – respondeu Elmar.
– Não. Com os apoios que você tem, você vai ter mais de 150 mil votos.
– Não tenho. Eu fiz pesquisas nos principais municípios e não está correspondendo aos apoios que tenho. Votação vai falhar. Esse negócio de dizer que a gente apoiou o governo do presidente Temer, votou a favor da reforma trabalhista, contra o trabalhador, pegou e isso vai prejudicar muito.
– Eu tive aqui com Aleluia. Ele me disse que vai ter 120 mil – retrucou Neto.
–  Se ele tiver 120, eu vou ter 200, porque eu sei os apoios que ele tem e eu tenho. Mas isso não vai acontecer nem comigo nem com ele, nem com ninguém. A gente vai pagar um preço caro – previu Elmar.

Dito e certo. A campanha bem-sucedida do PT baiano contra o ”time de Temer” ou ”time do golpe” varreu vários aliados de ACM Neto naquela eleição de 2018. A bancada da minoria na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados minguou. Quatro anos depois, os petistas tentam repetir a estratégia eleitoral. Quer associar o grupo de Neto e o próprio ex-prefeito a um presidente da República impopular. Desta vez, Jair Bolsonaro. Mas a questão é: esse discurso do PT vai vingar contra ACM Neto? A política gosta de fugir à regra para mostrar que não aceita profetas, mas eu arriscaria dizer que a tática eleitoral do PT para 2022 é frágil e pode falhar.

Diferentemente dos correligionários, ACM Neto é um ator político com enorme visibilidade pública e com identidade política constituída. ACM Neto já era ACM Neto na Bahia muito antes de Bolsonaro se tornar uma figura nacional. Além disso, o ex-prefeito passou o ano de 2020 todo se posicionando contra o negacionismo de Bolsonaro na pandemia da Covid-19, o que lhe garantiu mais de 80% de aprovação ao deixar o governo. Também se manifestou em defesa da democracia nas vezes em que o presidente ameaçou as instituições brasileiras.

Ademais, a estratégia petista parece confusa para o eleitorado. Incentivam a candidatura do ministro João Roma para que tire votos de ACM Neto, mas, ao mesmo tempo, diz que o candidato bolsonarista na Bahia é o ex-prefeito. Difícil convencer o eleitor com esse discurso ambíguo. Ao ter apenas como tática atrelar Neto ao bolsonarismo, os petistas acabam também dando a sensação de que os oito anos de mandato do democrata foram de excelência sem margem para qualquer questionamento.

Na campanha de 2012, o PT de Salvador adotou um método semelhante ao associar ACM Neto ao impopular prefeito João Henrique, e não deu certo. Como sabemos, Neto acabou sendo eleito prefeito da capital baiana naquele ano. A ausência de discurso consistente do PT contra ACM Neto me faz lembrar o ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill.

Na década de 1940, quando estava próximo à derrota na eleição geral, ele desabafou com o seu médico Lorde Moran: ”Tenho a forte sensação de que o meu trabalho está acabando. Não tenho mensagem nenhuma. Eu tinha mensagem. Agora digo apenas: ‘Combatam esses malditos socialistas. Não acredito neste admirável mundo novo”.

Hoje, o PT baiano parece só saber dizer: “combatam esses malditos bolsonaristas”. Quando um partido governista (ou o político) fica sem discurso é sinal de que caminha para ser oposição.

*Rodrigo Daniel Silva é repórter da Tribuna e escreve para a Tribuna quinzenalmente às terças

João Leão da ponte

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Enquanto a cúpula nacional do Partido Popular (PP) articula nos gabinetes – dos principais alquimistas políticos do Centrão e nos desvãos do Palácio do Planalto – o ingresso do presidente Jair Bolsonaro no partido, para disputar as presidenciais de 2022, João Leão, vice-governador da Bahia – onde cuida do polêmico e faraônico projeto da construção da ponte Salvador/Itaparica (contra a qual o notável autor de “Viva o Povo Brasileiro”, João Ubaldo Ribeiro, combateu até sua morte) – e maioral da sigla partidária no estado, doublê de secretário de Planejamento do governo Rui Costa (PT), deu, esta semana, um público e inesperado ”chega pra lá” nos arranjos em curso para abrigar o atual dono do poder. Numa entrevista ao jornal Tribuna da Bahia, Leão rugiu alto e bom som: ”Não vejo possibilidade de Bolsonaro se filiar ao PP”.

A declaração do chefe pepista – pai do deputado Cacá Leão, líder do governista PP na Câmara – causou impacto igual (ou ainda maior) ao da entrevista ao mesmo diário, semana passada, do deputado João Roma, ministro da Cidadania, com as burras carregadas de verbas federais, anunciando em Salvador que será candidato a governador, em confronto ao seu ex “padrinho, amigo e irmão” (como dizia antes do agora inimigo) ACM Neto – ex-prefeito da capital e secretário-geral do recém fundado União Brasil , partido resultante da fusão DEM-PSL– ”para dar espaço a Bolsonaro, que assim ter&a acute; palanque para chamar de seu, no estado porta de entrada do Nordeste, cobiçado quarto maior colégio eleitoral do País, onde o neto de ACM se prepara, com vantagem nas pesquisas até aqui, para disputar o Palácio de Ondina com o senador petista, Jaques Wagner. Encrenca à vista, portanto, e das grossas”.

O esquentado João Leão, aliado petista na Bahia, – onde o ex-presidente Lula conta com um de seus mais fiéis palanques e auditórios eleitorais no País – , que se auto–proclama “um construtor de pontes” toca em sua secretaria o projeto babilônico da ligação, sobre a Baía de Todos os Santos, da capital baiana com a deslumbrante Ilha de Itaparica, de João Ubaldo. Até aqui, tudo se resume a miragens em gráficos, estudos de viabilidade e muita papelada e propaganda eleitoreira (como de hábito acontece em projetos mirabolantes e custosos como este, que de saída está orçado em mais de R$ 6 bilhões). Enquanto articula com chineses e aliados petistas a edificação da primeira pilastra de seu son ho, o engenheiro João Leão trata de jogar areia na intenção de seu partido, de receber a filiação do mandatário, o que atrapalharia todos os seus planos atuais.

Na entrevista à TB, Leão não só fala da impossibilidade de embarque do mandatário no PP, mas aproveita para ironizar adversários: ”Se Bolsonaro se filiar ao DEM (atual União Brasil), pode ser um problema de ACM Neto. Se filiar-se ao PTB, não sei de quem será o problema – talvez de Benito Gama. Mas, no meu partido, não vejo como Bolsonaro vir para ele”, diz Em outra entrevista, na Rádio Metrópole (do ex-prefeito Mario Kertész), o filho do grande aliado petista no estado, deputado líder do PP na Câmara, Cacá Leão, foi ainda mais direto ao tratar da questão. Caso Bolsonaro se filie ao PP, afirma ele, terá que respeitar os espaços das lideranças. Pois na Bahia o PP compõe a base do governo Rui Costa, do PT, com candidatos a presidente (Lula) e a governador (Jaques Wagner), já engatilhados. Precisa desenhar o fuá que vai dar? Responda quem souber.

*por Vitor Hugo Soares, jornalista e editor do site blog Bahia em Pauta

O ”big three” baiano

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Pensadores, como o filósofo Marcos Nobre, não têm dúvida de que o presidente Bolsonaro tentará dar um golpe. Para ele, não é questão de ”se”, mas de ”quando” vai acontecer. O 7 de Setembro, a seu ver, foi apenas a preparação para a tentativa de ruptura institucional. Nobre acredita que a intenção de Bolsonaro é ficar esticando a corda e quando os braços dos defensores da democracia estiverem cansados do cabo de guerra, ele puxará todos para o regime autoritário que pretende instalar no Brasil.

A imprensa nacional brasileira também não tem dúvida do real objetivo de Bolsonaro. No dia em que se comemorou a Independência, os principais veículos rotularam o ato e as declarações do presidente de ”antidemocráticos” e ”golpistas”. A gente pode e deve acreditar na solidez das nossas instituições políticas, mas isso não nos livrará de uma tentativa de golpe. Depois da principal democracia do mundo – os EUA – sofrer um ataque com a invasão dos apoiadores de Trump ao Capitólio, não me parece possível dizer que exista algum país livre de um rompimento democrático.

As principais autoridades no Brasil reagiram bem à postura de Bolsonaro, o que fez ele divulgar uma declaração à nação. Todos nós sabemos que o recuo é temporário. Em breve, quando se sentir fortalecido, ele voltará com a metralhadora giratória contra a democracia brasileira. Entretanto, o que me chamou a atenção no 7 de Setembro foi a reação tímida do que chamo de ”big three” da política baiana contemporânea, trio formado por Rui Costa, Jaques Wagner e ACM Neto.

O governador se limitou a publicar, pela manhã, um tweet em que dizia: ”independência é liberdade, é democracia”. Dois dias depois, disse que as falas de Bolsonaro ”atrapalham” o país. Venhamos e convenhamos, as declarações do presidente não só “atrapalham” o Brasil. É muito mais do que isso. O senador foi mais incisivo do que Rui. Defendeu o impeachment em uma postagem no Twitter, mas só no dia seguinte ao Sete de Setembro. No dia mesmo, afirmou que ”independência é democracia forte, com um governo que respeita as instituições”.

O comportamento dos petistas reforça a percepção de que há um desejo do PT de manter Bolsonaro para facilitar o retorno de Lula ao poder, e do próprio Wagner. Para efeito de comparação, o governador maranhense Flávio Dino fez no dia mais de 10 publicações no Twitter em defesa do país, e acusou o presidente de cometer crime de responsabilidade. Além disso, concedeu entrevistas para a imprensa. No dia seguinte, repetiu a estratégia.

ACM Neto, que já afirmou ser “democrata até a medula” e prometeu “ir para rua para defender a democracia”, também agiu de maneira tímida aos arroubos autoritários de Bolsonaro. Antes do ato, declarou que ”um Brasil independente é um Brasil livre do radicalismo, que valoriza a democracia”. No final da noite daquele 7 de Setembro, o seu partido divulgou uma nota dizendo que repudiava com ”veemência o discurso do senhor presidente da República ao insurgir-se contra as instituições”. Neto parece querer evitar o embate com Bolsonaro para não nacionalizar a eleição na Bahia, e também para não perder o apoio de alguns bolsonaristas, que podem votar nele a fim de impedir a permanência do PT no estado.

O que Rui, Wagner e Neto parecem desconhecer é de que, sem democracia, não há eleições diretas e livres. Portanto, salvar o país de ameaças antidemocráticas deve estar acima de qualquer interesse eleitoral.

E fora do ”big three”, como se posicionaram os políticos da Bahia? O prefeito soteropolitano Bruno Reis fez apenas críticas às aglomerações provocadas pela manifestação. Bruno não mostra ainda ter uma identidade política, e uma hora terá que se escolher se quer ser lembrado apenas como ”sucessor de ACM Neto” ou como um prefeito com um legado relevante e de posições firmes. Já o ministro João Roma decidiu deixar de lado o perfil moderado, e mergulhou de vez no mar do bolsonarismo. Sabe ele que sua sobrevivência política depende do presidente. Só não sabemos ainda de que lado ele estará se, porventura, Bolsonaro deflagrar o golpe.

A democracia não aceita meio-termo. Ou se a defende com unhas e dentes ou a se renega. O que a gente espera é que todos a defendam com coragem.

*Rodrigo Daniel Silva é repórter da Tribuna e escreve artigos quinzenalmente às terças

O STF ameaçado

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Constantemente ameaçado pelos outros poderes, em especial pelo Executivo, o Supremo Tribunal Federal (STF) sempre lutou para garantir suas conquistas constitucionais. Além da função de poder moderador entre os entes federativo, arbitra os conflitos existentes sempre como última instância do Poder Judiciário, estabelecendo os limites constitucionais de atuação de cada poder, além da guarda da Constituição. (art. 102).

Atualmente, as ameaças contra suas conquistas partem do presidente da República, Jair Bolsonaro, desde a divulgação do vídeo sobre a reunião ministerial que derrubou o ex-juiz Sério Moro do Ministério Da Justiça. Na ocasião, o presidente citou o artigo 142 da Constituição Federal pretendendo uma intervenção armada para ”restabelecer a ordem no Brasil”.

Com função precípua de Corte constitucional, o órgão, decide sobre qualquer questão jurídica que tenha a ver com a Constituição; é a última instância do Poder Judiciário, cabendo-lhe estabelece os limites constitucionais para as atuações dos demais poderes e exercer a guarda da Constituição conforme disposição do art. 102. Durante seus 131 anos, sofreu várias ameaças, mas jamais foi fechado.

Por ocasião do governo Costa e Silva, após a edição do Ato Institucional nº 5, o presidente decretou a aposentadoria dos ministros Evandro Lins, Hermes Lima e Victor Nunes Leal.  Outros dois magistrados, Gonçalves de Oliveira e Antonio Carlos Lafayette de Andrade, abandonaram o recinto em protesto contra as cassações.

Atualmente, além das garantias da magistratura, os ministros do STF não podem ser destituídos por nenhuma autoridade dos demais poderes. Somente o Senado poderá julgá-los através do impeachment, caso cometam algum crime de responsabilidade previsto na Lei do impeachment. Se praticarem o chamado crime comum, serão julgados pelos seus próprios pares, nos termos da Lei Complementar nº 35/79. Até hoje nenhum ministro sofreu impeachment nem foi julgado por seus pares.

Na época do regime militar, o presidente Castelo Branco, general de quatro estrelas, tentou enquadrar a Corte pedindo que ela seguisse as orientações da ”revolução”, no que foi imediatamente contestado pelo presidente do tribunal, ministro Ribeiro da Costa, que, de forma dura, disse que o STF era o ápice do Poder Judiciário e que não deveria ser enquadrado em nenhuma ideologia revolucionária. Castelo retrucou dizendo que quem mandava era o Executivo, mas o ministro, aproveitando o ensejo e de forma digna, avisou que se algum ministro da Corte fosse cassado, ele fecharia o Tribunal e entregaria as chaves ao porteiro do Palácio do Planalto.

Em abril de 1964, pouco depois da posse do general Humberto Castelo Branco na presidência da República, Ribeiro da Costa, apesar de apoiar o novo regime, disse ao presidente que o STF era “independência” diante do Executivo, ”impermeável às injunções do momento”. A concessão do habeas-corpus a Miguel Arrais originou um incidente entre o ministro e o general Edson Figueiredo, partidário radical do movimento de 1964, que se mostrou inconformado com a decisão. O advogado Heráclito Sobral Pinto enviou telegrama de saudação ao presidente Castelo Branco ressaltando “as circunstâncias difíceis em que a decisão [de libertar Arrais] foi cumprida”.

No dia 19 de outubro, Ribeiro da Costa concedeu ao Correio da Manhã uma entrevista que provocou violenta reação nos meios militares. Entre outras afirmações, o ministro disse que “Já é tempo de que os militares se compenetrem de que nos regimes democráticos não lhes cabe o papel de mentores da nação, como há pouco o fizeram, com estarrecedora quebra de sagrados deveres, os sargentos, instigados pelos Jangos e Brizolas. A atividade civil pertence aos civis, a militar a estes, que, sob sagrado compromisso, juraram fidelidade à disciplina, às leis e à Constituição”.

Para o ministro, ”Se ao STF cabe o controle da legalidade e constitucionalidade dos atos dos outros poderes, por isso mesmo é ele investido de excepcional autonomia e independência”. A resposta foi o aumento do número dos ministros da Corte, do Tribunal Federal de Recursos e do Superior Tribunal Militar, todos com amparo no AI-2.

Ribeiro da Costa ficou no STF até se aposentar, em janeiro de 1967. Já afastado, declarou em

Eleições de 2022

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A expressão “aldeia global”, de referência ao nosso planeta terra, tem-se mostrado apropriada, pois as agências de notícias internacionais possuem uma abrangência tão extensa que levam a toda a população mundial um preciso resumo dos principais fatos que ocorrem nos mais de duzentos países existentes. Aqui no Brasil, a imprensa – também conhecida como a mídia – é eficiente e bastante informativa, chegando ao povo por meio da palavra escrita (jornais e revistas), da palavra oral (rádio) e das imagens (via televisão).

A breve introdução acima teve por objetivo demonstrar que a parcela mais esclarecida dos brasileiros acompanhou, com vivo interesse, as últimas eleições realizadas nos Estados Unidos, que inclusive colocou em disputa o alto cargo de presidente da República daquela Nação. Terminava o mandato em disputa de Donald Trump, o qual, percebendo a iminente derrota, não se conformou e, numa vergonhosa e escandalosa campanha, fez enorme esforço para fazer crer que estaria sendo vítima de fraudes eleitorais. Foram-lhe negados todos os possíveis recursos jurídicos, uma vez que, naquele poderoso país, o Poder Judiciário é bastante confiável e respeitado. Uma notícia recente, comprovada por gravações, dá conta de que o inconformado e desonesto candidato chegou ao ponto de utilizar de mentiras, junto ao Departamento de Justiça dos EUA, na tentativa provar que teria havido as alegadas e negadas fraudes.

Estou relembrando os fatos absurdos ocorridos no país mais importante do mundo por sentir – da mesma forma que milhares de outros patrícios – que, estando previstas novas eleições no próximo ano (2022) em nosso Brasil, o comportamento do presidente Bolsonaro está ficando bem semelhante ao do então colega Trump. Embora consideradas precipitadas e longe de acontecimentos futuros a que se refere, as pesquisas eleitorais recentes revelam que há uma polarização de preferências entre Jair e Lula, com forte tendência em favor desse segundo. Tal evidência, não muito distante da realidade, fez o atual ocupante da presidência também forjar uma desculpa para justificar possível derrota. Insiste – sem apresentar nenhuma prova convincente – que as urnas eletrônicas não seriam confiáveis e prega o voto impresso. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Min. Luís Roberto Barroso, deve estar cansado de tanto repetir que a votação eletrônica se presta a diversas fiscalizações, testagens e auditorias, que o sistema atual não tem nenhum contato com a internet e que nunca houve o registro de qualquer acusação de fraude. Em suma, Bolsonaro tenta imitar o candidato americano, mas aqui, como lá, as autoridades judiciais não se deixarão envolver por falsos argumentos, sendo certo que teremos eleições em 2022 com plena lisura.

Outro ponto a destacar é a respeito da possibilidade de surgir uma terceira via de candidatura na próxima eleição presidencial. O atual ocupante do elevado cargo venceu em 2018 com um discurso moralista de que iria acabar com a corrupção entre os políticos. Encontrou terreno fértil, pois o PT e aliados sofriam, na época, pesadas cargas de acusações quanto a praticar os condenáveis atos. Uma CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito, instaurada no Senado, vem trazendo a público sérios e comprometedores fatos que põem em dúvida a honestidade da gestão atual. As mesmas pesquisas que detectaram a polarização de dois candidatos também mostraram que parcela significativa do eleitorado gostaria de votar em alguém fora dessa limitada opção. O tempo dirá se irá surgir. Por enquanto, João Dória, Moro, Ciro Gomes, Eduardo Leite e Mandetta não parecem ter empolgado.

Os brasileiros não merecem ver destorcidas ou fraudadas suas preferências eleitorais. Vamos acreditar que a democracia no nosso país está consolidada e que, em 2022, as eleições serão normais, vencendo quem conquistar mais votos nos pleitos para cargos executivos, sendo observadas as regras vigentes nos pleitos para cargos legislativos.

*Raymundo Pinto, desembargador aposentado do TRT, é escritor, membros da Academia de Letras Jurídicas da Bahia e da Academia Feirense de Letras. [email protected]

Quem bate em mulher, espanca a mãe

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Como se tratava de um DJ conhecido, o tal do Ivis e a cena foi gravada num celular ficou fácil julgar e condenar, na perspectiva do povo, o espancamento que ele ensejou contra sua companheira e foi um tal de famosos e influentes caírem de pau sobre o agressor e políticos – notadamente mulheres da política – buscarem ações para seu processo e almejada condenação. O julgamento popular e notadamente dos seus seguidores já é uma forma cruel de punição e ele sentiu isso na pele. Foi pior que vingança.

No Brasil uma em cada quatro mulheres foi vítima de algum tipo de violência durante a pandemia do Coronavírus no Brasil. Levantamento de um instituto de pesquisa, feito em junho, apontava a morte de 1.338 mulheres, com crescimento de 2% no número de casos de feminicídios. São Paulo, Minas, Bahia e Rio Grande do Sul os estados com mais ”machões”.

Ficou patente nas informações levantadas que a violência é geralmente efetuada por maridos, companheiros, ex-companheiros ou algum tipo de pretendente das mulheres vitimadas. Sem querer entrar no mérito da discussão política, diversos especialistas pesquisados garantem que a elevação nos índices de feminicídio tem relação direta, também, com o impacto negativo das políticas de afrouxamento das regras de controle de armas e munição patrocinadas pelo presidente Jair Bolsonaro. É real, tanto no Brasil, como em diversos outros países. El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia passam pelo mesmo problema. São os líderes na violência contra a mulher. O Brasil está em quinto lugar.

As mortes violentas por Questão de gênero crescem gradualmente em todo o mundo. O Brasil já seguindo para a quarta posição, o que se trata de mais uma tragédia a ser computada na nossa conta. Especialistas procuraram identificar o tipo de pessoa que agride mulher e, pasme: passa como cidadão comum, que nunca deu entrada numa delegacia, em sua maioria. Mas na realidade esse ”doente” é capaz de espancar também o filho ou bater na mãe. Pior nisso tudo é quem convite no dia a dia com tal peçonha não acredita que ele foi capaz de tamanho ato. Por que? Porque essa bestialidade familiar está impregnada no seio da sociedade brasileira com tal intensidade que chega a ficar invisível. Quem bate em mulher e mesmo um escroto. Cadeia nele. Ainda peguei uma nesga de tempo em que se dizia que ”em mulher não se bate nem com uma flor”.

*Por Jolivaldo Freitas / jornalista e escritor

Economia e pandemia

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O pacote de denúncias envolvendo diretores e assessores do Ministério da Saúde, incluindo eventual pedido de propina de US$ 1 para cada dose da vacina a ser adquirida, empareda o governo e estreita a margem de manobra do presidente Bolsonaro para evitar o impeachment. Mesmo assim, é mais que razoável apostar na hipótese de que, hoje, não haveria impedimento. Motivos claríssimos: não há votos para aprovar medida como essa, na verdade, uma equação política e um ritual rigoroso.

Para impedir um governante, não basta maioria simples: são necessários 342 votos na Câmara (2/3), de 513 deputados, e de 51 senadores, do total de 81. Para se alcançar esses números, a ferramenta única é povo na rua, o que não é fácil. Povo é o fermento na massa. Faz deputado e senadores sentirem a temperatura social, examinarem a saúde do presidente. Cria um gigantesco rolo compressor sobre o Congresso Nacional. E põe em risco a volta do próprio parlamentar.

Examinemos essa possibilidade. Um conjunto de fatores se junta para formar a massa conceitual de um impeachment, como carências sociais, falta de recursos para viver, alimentar a família etc. Duas alavancas estão sendo usadas pelo governo para atenuar o sofrimento do povo: a economia, com um esforço para recuperá-la e aumentar o adjutório social (Bolsas/ Auxílios), e a saúde, com a vacinação. Essas duas vertentes vão melhorar ou piorar? O Produto Nacional Bruto da Felicidade aumentará ou diminuirá?

Portanto, o eleitor, eixo maior da engrenagem social e política, está de olho aberto. Sua ida às ruas é a resposta à democracia participativa. Esse mecanismo tem se fortalecido na Europa, nos Estados Unidos e em outras regiões, sob o fluxo de conscientização política. Desenvolve-se o que se chama de autogestão técnica, em que os cidadãos definem os rumos a seguir e os meios que podem garantir sua caminhada.

A conscientização ganha volume com a crise da democracia, caracterizada pelo não cumprimento da agenda social. O povo, indignado, tem se distanciado dos políticos, abrindo um vazio na sociedade, que é ocupado por milhares de entidades de intermediação, como associações e sindicatos. A organicidade social é a resposta às falhas da democracia. Em outros termos, essa democracia que nos deu na CF o referendo, o plebiscito e o projeto de iniciativa popular é a bola da vez, agora jogada nas ruas.

E são cada vez são menos os jogadores (eleitores) que participam de peladas patrocinadas por partidos, bandeiras e cores. A maioria quer entrar em jogos patrocinados por suas necessidades. Pavlov classifica dois grupos de instintos: os de preservação do indivíduo (combativo e nutritivo) e os de perpetuação da espécie (sexual e paternal). Pois bem, as pessoas agem para se defender das ameaças humanas e as da natureza (catástrofes) e, ainda, para garantir a saúde de seu corpo (alimento para suprir o estômago). Os dois primeiros instintos embasarão o caminho a ser seguido. Economia e pandemia se cruzarão. Em suma, povo na rua vai depender das coisas boas e ruins dos próximos tempos na administração pública.

O povo luta por sobrevivência. Lembrando o velho ditado: a necessidade obriga.

*Gaudêncio Torquato é jornalista, escritor, professor titular da USP e consultor político