Mãe Stella é patrimônio da Bahia

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Pelo que representou como sacerdotisa do candomblé, pelo símbolo que se tornou como líder religiosa, Mãe Stella de Oxóssi, também pelo respeito que impunha com a força moral das palavras, tornou-se um ícone da Bahia.

Confinar o velório a uma Câmara de Vereadores, no caso, a de Nazaré, com todo respeito aos nazarenos, é muito menor do que ela. Dona Grazielle Domini, a companheira dela, por ser tutora, achou-se também dona do corpo e chegou a chamar a polícia, em Santo Antonio de Jesus, para impedir a transferência para Salvador.

Ou seja, um caso que começou com polícia entrou pela justiça.

Mãe Stella não merecia isso. Oscar Niemayer dizia que a vida é assim, cada um vem, dá o seu recado e vai embora. E é claro que o recado tem hierarquia. Ela deu o bom recado.

Ela é maior, é patrimônio da Bahia. E é assim que prevalecerá na história.

*Por Levi Vasconcelos

A Educação e o PIB

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A educação de qualidade é o fator determinante para o crescimento da economia e, por consequência, do desenvolvimento. Sua ausência determina baixíssima qualificação da mão de obra resultando na baixa produtividade. Educação e economia estão integradas na ordem direta de um país responsável que almeje pela elevação da renda à inclusão social. Sem priorizar a educação torna-se impossível a construção de uma nação desenvolvida. Buscar um padrão educacional moderno a exemplo de países como a Finlândia, Coréia do Sul, Japão e vários outros que construíram modelos educacionais que mudaram a realidade do seu povo deve ser o grande objetivo de um Ministro da Educação comprometido com a modernização.

”Qualquer candidato a cuidar da educação brasileira deveria estar preparado para enfrentar pelo menos as seguintes questões:

1) Por que os alunos brasileiros vão tão mal no Pisa, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes?

2) Como melhorar os níveis fundamental e médio do ensino brasileiro, obviamente em condições muito más?

3) Como adaptar o ensino às condições impostas (sim, impostas) pela chamada revolução 4.0?

4) Como preparar professores para formar alunos capazes de atuar com sucesso na economia do século 21?

5) Que experiências bem sucedidas no exterior poderiam proporcionar elementos a um programa de modernização educacional?”

Oportuna e lúcida indagação feita pelo excelente analista Rolf Kuntz, em “O Estado de S.Paulo” (25-11-2018). Destacando que padrões ideológicos ou religiosos não podem prevalecer na condução da educação brasileira. A ineficiência da educação brasileira tem várias causas e uma delas não é decorrente de o Brasil investir pouco na formação educacional. A baixíssima qualidade da educação nacional não tem como responsável a insuficiência de recursos. Sua origem está na inexistência de uma política educacional séria, competente e realista. Educação é política de Estado e pauta suprapartidária. A incompetência e irresponsabilidade na gestão dos recursos públicos pela União, Estados e Municípios alimentam e agravam o caos educacional.

O economista, engenheiro eletrônico pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica e professor Ricardo Paes de Barros, ante essa realidade indaga: “Como você coloca 6% do PIB na educação e eles dizem que não sabem como garantir resultados?” Em 2017, o governo da União aplicou R$ 117,2 bilhões em educação. Sendo R$ 75,4 bilhões no ensino superior e R$ 34,6 bilhões na educação básica. O governo federal nos ensinos básicos e fundamental tem papel supletivo em relação aos Estados e Municípios. A diferença do montante de recursos exemplifica o porquê de o ensino básico e fundamental sofre de déficit educacional histórico. Exatamente as áreas que deveriam ter prioridade maior no recebimento de recursos públicos.

A síntese disso tudo pode ser resumida em uma estrutura educacional viciada, envolvendo União, Estados e Municípios. Prioridades erradas na administração dos recursos destinados à formação das novas gerações é realidade inquestionável. A deficiência no aprendizado, fruto de uma educação sofrível no ensino básico, é agravada pela elevada evasão no ensino médio, travando a construção do futuro de novas gerações e aprofundando a desigualdade da renda e a pobreza para milhões de brasileiros. Todos vítimas de uma péssima educação, como mostra o professor Hélio Duque, autor de vários livros sobre economia brasileira e três vezes deputado federal pelo Paraná.

O que tenho a ver com a roupa suja da OAB?

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O Brasil está cada vez mais doido e a doideira atinge até as instituições onde seus componentes estão quase que saindo aos tapas, perdendo o ciso e fazendo de entidades históricas uma arena ou seria uma bica onde as velhas senhoras lavam suas roupas sujas, expondo suas manchas e pruridos. Deixei passar a eleição na OAB-Bahia para tocar no assunto.

A OAB-Bahia de tantas glórias e memórias, notadamente no período em que enfrentamos por vários modos e meios a ditadura dos militares, com seus dirigentes dando a cara à tapa, abrindo o peito e peitando as baionetas, nos últimos anos deu para parecer grêmio estudantil, reunião de partido, reunião de condomínio, reunião de conselho de clubinho social.

Nos clubes o que se vê hoje – face a decadência da absoluta maioria, pelo menos na Bahia –, briga-se em busca de um equivocado “lustre social”, como se aquele passado de glória, onde grandes e respeitados nomes da indústria, comércio e da produção agrícola serviam de base para um “glamour” e conviver ao lado – pensava-se – gerada a evolução social por osmose. E na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção da Bahia?

Interessante a luta fratricida entre aqueles que buscaram concorrer no pleito para a nova diretoria. Lavaram roupa suja no meio da rua. Se ofenderam, mostraram o lado que consideram de incompetência dos outros e da inoperância do sistema. Daí eu pergunto: e nosotros, o que temos a ver com isso? Onde nós, meros mortais sem toga e sem fazermos prova de advogado entramos na luta? Porque recebi folder esculhambativos se não sendo advogado não tenho direito ao voto? Só se for para achincalhe geral. Fofoca. Veneno.

Fiquei pasmo quando durante algumas semanas presenciei carretas de candidatos, com bandeiras palavras de ordem (até achei que tinha perdido o bonde da história e as eleições para deputado ou vereador, ou sei lá o quê tinha voltado nem bem acabara). Eram carretas, tomada de territórios, ações de cabeça de ponte nas hostes do inimigo. Mas, não se pense que é de agora. A questão da briga intestina na OAB é de longo tempo, onde quem passou levou a pecha de desonesto, presidentes tiveram imagens manchadas. Quem saiu perdendo? A classe. E depois de tudo? Aos vencedores as batatas. Qual o ganho que uma posição na entidade de classe oferece para tanta animosidade? O que leva ao conflito aberto, uma tentativa de desmoralização de outrem? O poder pelo poder talvez; pela sensação, domínio, influencia. Ou às vezes é mera possessão. Quem sabe, é a boa e velha sensação de sevir ao próximo. Vá saber.

Vamos esperar que agora que a OAB tem um novo presidente, que venceu a eleição realizada na quarta-feira, 21, (a chapa “Avança OAB” ) seja dado um exemplo de bom tom, para que não fique parecendo aquilo que o Brasil se transformou, onde a eleição para presidente da República parece que não acabou, que está apenas começando e quem ganhou fica na sensação que perdeu e quem perdeu acha que ganhou e não levou e com isso perdemos todos com tanto estresse.

Que a OAB se dedique intensamente a cuidar dos seus profissionais em busca de propostas que sejam verdadeiros avanços. Que os advogados se unam e façam desta instituição um ícone como foi, para honra e glória e que feche as fontes externas para que a roupa seja lavada em seu foro íntimo. Que viva a OAB.

Escritor e jornalista: [email protected]

Bolsa Família perde R$ 15 bilhões

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Mário Negromonte Júnior (PP), presidente da Comissão de Orçamento da Câmara dos Deputados, o homem que comanda as discussões das propostas orçamentárias que vão valer em 2018, pontua alguns fatos curiosos. Os dois principais:

1 – Há um corte de 46,5% do Sistema Único de Assistência Social (Suas), que engloba os Creas e Cras, além do Bolsa Família:

”Só no Bolsa Família a pancada é de R$ 15 bilhões, o que significa dizer algo em torno de sete milhões de beneficiários excluídos. Outros R$ 30 bilhões serão cortados do benefício de prestação continuada (BPC), o que prejudicaria 2,3 milhões de pessoas. Essa é a nossa maior preocupação.

2 ”Nem Bolsonaro nem ninguém da equipe de transição procurou a Comissão de Orçamento para conversar qualquer coisa sobre a proposta enviada por Temer”.

Na espera

Negromonte diz que a pretensão da Câmara é votar o orçamento no máximo até 20 de dezembro. E mudanças a esta altura da tramitação seriam bastante complicadas. ”Estamos aguardando que o governo sinalize para a manutenção de R$ 1 bilhão para o Minha Casa, Minha Vida e mais R$ 1,6 bilhão para a Educação. Já externamos nossa preocupação e estamos aguardando”. Detalhe é que até agora Bolsonaro não conversou com o Congresso. Sobre nada.

*Por Levi Vasconcelos

Esperar para ver no que vai dar

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O PSD de Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo, apoiou Alckmin de saída no primeiro turno e pulou para Bolsonaro com malas e bagagens no segundo. Só dois estados ficaram com Fernando Haddad, a Bahia sob o comando de Otto Alencar e Sergipe.

E agora como fica Otto, que tem também outro senador baiano, Angelo Coronel?

— Bolsonaro não construiu a vitória dele com o meu voto, isso é claro. Vou observar o que é que vem, e aprovar o que julgar correto. A redução do tamanho do Estado, por exemplo, sou a favor. Até parece que Bolsonaro me plagiou quando disse o que eu digo, menos Brasília, mais Brasil.

Sanduíche de pão

Otto avalia que a chapa de Haddad foi ‘um sanduíche de pão, pão com pão’. O casamento do PT com o PCdoB, segundo ele, deixou a chapa muito vermelha, com Bolsonaro de extrema direita, usando a bandeira do Brasil:

— Ficou muito polarizada a disputa, entre a extrema direita e a esquerda. É muito difícil alguém soerguer o País assim. Muitos apoiadores de Bolsonaro não são de direita e muitos de Haddad, como eu e João Leão, não somos de esquerda. Na Bahia Rui Costa obteve, proporcionalmente, a maior vitória que um governador já conseguiu porque misturou o vermelho e o azul.

E Angelo Coronel, como será com Bolsonaro?

— Espero que o Coronel tenha moral em cima do capitão como dita a hierarquia.

*Por Levi Vasconcelos 

Grossas grossuras

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Uma tarde, no Império, enquanto passeava a cavalo, o Imperador Dom Pedro II caiu do cavalo. O Rio se encheu de boatos. O Imperador estava mal, seria internado e, quem sabe, talvez tivesse que ir tratar-se em Lisboa ou Paris. Ainda não havia Incor, Sírio-Libanês, etc.

Os boatos continuaram. O Imperador apareceu na sacada do Paço Imperial apoiado em duas “muletas”. O jornal “Aurora Fluminense”, dirigido por Evaristo da Veiga, nosso bravo patrono, nome da rua onde está hoje o Sindicato dos Jornalistas do Rio, publicou que “o Imperador apareceu na sacada do Paço apoiado em duas “maletas”. No dia seguinte, o “Aurora” consertou:

– “Ontem, por lamentável equívoco, nosso jornal publicou que o Imperador apareceu na sacada do Paço Imperial apoiado em duas “maletas”. Na verdade, o Imperador estava apoiado em duas mulatas”.

A emenda ficou pior do que o soneto.

Quando presidente da Republica, Sarney veio ao Rio e foi xingado por um grupo de brizolistas que quebrou as janelas de um ônibus da Presidência onde ele estava. Na TV Manchete, a jornalista Jacyra Lucas se atrapalhou e disse que ele foi “hospitalizado” em vez de “hostilizado”.

Com Sarney não foi nem “muleta”, nem “maleta”, nem “mulata”. Foi mesmo a “maleita” do Poder.

Negro, alto, elegante, Leopold Senghor (1906-2001) foi o grande heroi do Senegal, desde quando colônia francesa. Poeta, teórico da “negritude” e da poesia africana, formado na Sorbonne, professor em Dacar, deputado na Assembleia Nacional da França, em 58 ajudou a fundar o PUA (Partido da Unidade Africana).

Liderou a independência do Senegal, prendeu o ditador Mamadou Dia e em 1960 foi o primeiro presidente eleito de seu pais.

Em 1965, Senghor esteve no Brasil como presidente. Ademar de

Barros era governador de São Paulo. O programa elaborado pelo Itamaraty previa uma visita ao Estado. Senghor, conhecido por sua cultura, falava diversas línguas, inclusive o português, ficou bem à vontade no Brasil.

Quando o chefe do cerimonial do Palácio dos Bandeirantes anunciou a presença do visitante, Ademar gritou lá de dentro:

– Manda o crioulo entrar.

Senghor ouviu, mas fingiu que ignorava o português e cumprimentou Ademar em francês. Ademar, que também falava varias línguas, continuou com suas irreverências, conversando em francês com o presidente e entremeando a conversa com frases em português:

– Estou maluco para ver as canelas desse crioulo. Se forem finas e de calcanhar alto, ele é bom de enxada, conforme dizia meu avô na fazenda.

Ademar levou-o a visitar a cidade, a Assembleia, o Ibirapuera, os cartões de visita. No dia seguinte, foi até o aeroporto de Congonhas, de onde Senghor seguiu para Brasília. Depois, Ademar disse aos jornalistas:

– Vejam só. Não sei o que esse pretinho veio fazer aqui. Comprar o quê? Assinar o quê? Nem sei onde fica o Senegal.

Senghor vingou-se.Contou tudo no livro que escreveu sobre o Brasil.

*Por Sebastião Nery

Ibope vem sem surpresas

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A terceira pesquisa Ibope-TV Bahia, ontem divulgada, não trouxe maiores surpresas. Confirma Rui Costa favorito, sempre pontuando para cima, e levando a reboque Angelo Coronel para o Senado.

Se a tendência se mantiver, teremos Rui reeleito com folga, com mais do triplo dos votos de todos os seis demais concorrentes somados (hoje está dando, no Ibope, 61% a 15%), e levando de lambuja Angelo Coronel.

Zé Ronaldo subiu para 10%, mas ainda longe de atingir pelo menos os 25% de petistas e carlistas históricos.

Na banda presidencial, Fernando Haddad (PT) liderando com folga, e Bolsonaro (PSL) atrás. O candidato de ACM Neto, Geraldo Alckmin (PSDB), empacou lá nos 6%.

No cenário baiano, a disputa é insossa.

Por Levi Vasconcelos, jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.

Uma sociedade de alienados

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A intolerância tomou conta das redes sociais, dos grupos de amigos e dos encontros familiares. Não se pode nem se deve tocar em assunto que tenha conotação política que se criam constrangimentos e que afloram sentimentos inimagináveis que só podem ser justificados pelos mais simples complexos de infância.

Quer ser politicamente correto? Não fale de política! Não se posicione! Não tenha ideias e o que é pior, não argumente. Percebe-se nitidamente a onda do “não quero ouvir mais nada”, do “não suporto que me contrarie”.

Os cegos não veem e os mais instruídos se fazem de surdos. É um caminho mais fácil! Para que contrariar? Para que estimular a reflexão de quem pensa diferente?

Não! É proibido!

Será que o ser humano se condiciona tanto a aceitar apenas o que lhe convém ? Será que na hora que falta discurso, sobra ignorância?

O debate de ideias é tão salutar! E por que fugir? O que quer esconder? A quem quer enganar?

Não é preciso ser filósofo ou doutor para passar suas percepções políticas, muito menos, para compreender aquilo que o outro acredita, expõe.

E para que tanto ódio?

Quando faltam argumentos, sobram agressões. Como é difícil ser democrático? Como é difícil perceber o outro, principalmente quando o que ele tem a dizer não lhe agrada.

Que tal exercitarmos o poder de compreensão? Que tal darmos oportunidade ao amigo, ao irmão que tem uma posição distinta, de se expressar?

Será medo? Temor de não saber fazer um juízo de valor. Imaginar que se está perdendo a discussão. Mas que bobagem!

Desde quando os iguais evoluem? A riqueza reside nas diferenças, de pensar, de agir, de se relacionar.

Paciência e coragem devem fazer parte do dicionário.

Paciência para oportunizar que o outro se expresse e coragem para admitir que muita vezes o rumo tomado só nos leva a uma intolerância ainda maior: perder a oportunidade de saber o que o outro tem a dizer. Pode ser importante!

Vamos despertar!

Não perca essa chance!

Karla Borges

Coluna: Economia

Professora de Direito Tributário, graduada em Administração de Empresas (UFBA) e Direito (FDJ) ,Pós-Graduada em Administração Tributária (UEFS), Direito Tributário, Direito Tributário Municipal (UFBA), Economia Tributária (George Washington University) e Especialista em Cadastro pelo Instituto de Estudios Fiscales de Madrid.

Assim mata um presidente

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– Uma semana depois da posse de Jânio Quadros na presidência da Republica, em 1961, o jornalista Raul Ryff, secretário de imprensa do vice-presidente João Goulart, ligou para o jornalista José Aparecido, secretário particular de Jânio:

– Aparecido, durante o governo do Juscelino, o Jango, como vice-presidente, sempre teve um avião da FAB à sua disposição. Agora, no governo do Jânio, o ministro Grum Moss, da Aeronáutica, tirou o avião do vice-presidente. Acontece que ele está esperando a mãe dele, que chega ao Rio às 17 horas, e depois não haverá mais nenhum avião de carreira para Brasília. E ele tem uma reunião política em Brasília à noite. Você poderia conseguir um avião para levar o vice-presidente a Brasília?

Aparecido falou com o general Pedro Geraldo, chefe da Casa Militar, pediu para ele providenciar o avião, e comunicou a providência a Jânio, que aprovou. Às quatro da tarde, Ryff ligou de novo para Aparecido:

– Como é, tchê? E o avião?

– Já está à disposição do vice-presidente aí no Rio.

Não estava. Aparecido foi ao general Pedro Geraldo, que acabava de receber um telex do ministro da Aeronáutica lamentando não poder atender porque a FAB não tinha nenhum avião disponível. Aparecido foi a Jânio. Os dois tinham entendido tudo. Jânio arregalou os olhos:

– Foi bom que tivesse acontecido logo na primeira semana. Você vai ver que não ficaremos aqui um minuto sem autoridade.

Janio mandou chamar o general Pedro Geraldo:

– General, faça-me um favor. Volte a comunicar-se com o senhor ministro da Aeronáutica e lhe transmita a seguinte instrução: faça descer o primeiro avião que sobrevoar o Rio de Janeiro, nacional ou estrangeiro, desembarque os passageiros e ponha-o à disposição do senhor vice-presidente da República.Trata-se de uma ordem do presidente da República

Em cinco minutos a Aeronáutica pôs um avião à disposição de Jango.

A Aeronáutica, naqueles tempos, e tantos anos seguidos, era um partido político, uma sublegenda da UDN. E de armas na mão. Só no governo de Juscelino, no começo e no fim, fez dois levantes armados, imediatamente sufocados pela autoridade e energia do marechal Lott.

No segundo governo de Vargas (1951 a 54), não era só a Aeronáutica. A maioria das Forças Armadas (Exercito, Marinha e Aeronáutica) era inteiramente encoleirada pela ininterrupta pregação golpista de Carlos Lacerda e da Banda de Musica da UDN, até desaguar afinal no golpe americano-udenista-militar de 1964.

Quando Getulio assumiu em 1951, depois da segunda derrota do brigadeiro Eduardo Gomes (em 45 e em 50), a UDN viu que no voto não chegaria ao governo: havia perdido para Dutra em 45 e para Vargas em 50 e certamente perderia em 55 para os herdeiros de Vargas,Juscelino e Jango.

E começou a conspirar freneticamente nos quartéis.

O primeiro passo seria inviabilizar João Goulart, o filho político de Vargas. Presidente nacional do PTB e ministro do Trabalho a partir de junho de 1953, Jango tinha estudos da Fundação Getulio Vargas   mostrando que o aumento salarial de 14%, dado em dezembro de 1951, era ridículo diante do aumento do custo de vida, que tinha sido de 100%.

E Jango negociou com os sindicatos um projeto de aumento de 100% do salário mínimo, igual ao da inflação: de 1.200 para 2.400 cruzeiros.

– ”Em fevereiro de 1954, 82 coronéis e tenentes-coronéis assinaram um memorial afirmando que possíveis aumentos de salários provocariam a elevação do custo de vida, agravando a situação dos baixos vencimentos nos quadros no Exército, que veria dificultado o recrutamento de oficiais.   Vargas exonerou Goulart e o general Espírito Santo Cardoso… E no dia 1º de maio anunciou o aumento de 100% do salário mínimo” (DHBB-FGV).

Em quatro meses, Vargas era empurrado para o suicídio.

*Por Sebastião Nery

O jogo começou

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Passado a Copa da Rússia, deixando para trás as paixões da extinta melhor seleção do mundo, onde o sonho do hexa ficou para o Qatar e o planeta conheceu que nossa ainda maior estrela do futebol, Neymar, é também um grande malabarista, agora o Brasil já está mergulhado em um novo campeonato que envolve todos os 207.000.000 de brasileiros, mesmo que uma grande maioria esteja desencantada  com os políticos e teremos a frente, não a disputa pelo lugar de um campeão, um vice e um terceiro lugar, mas o jogo sairá como vencedores 01 presidente, 27 governadores, seus respectivos vices, 513 deputados federais, 54 senadores, vez que cada estado elegerá 02 senadores este ano e 1059 deputados estaduais, dentre os possíveis 25000 candidatos.

Procuraremos neste período de pré e de campanha, lançar alguns escritos sobre as eleições, começando por este breve escrito sobre o calendário eleitoral, regra importantíssima para os envolvidos, onde lembraremos as principais datas e fatos que a legislação prevê. Este ano, muito embora o período efetivo da campanha oficial fora reduzido, criou-se a fase de PRÉ CAMPANHA, ou seja, desde 05 de julho, os postulantes a cargos eletivos, já podem fazer suas reuniões, visitas, sempre divulgando seus nomes, mas ainda sem pedir votos. E a partir do dia 07 de julho existem vedações para com o servidor público e foram suspensas as inaugurações e contratações de shows artísticos pagos com recursos públicos.

Desde 17 de julho de julho, o eleitor poderá habilitar-se para votar em trânsito indicando o local pretendido. A partir de 20/07 até 05/08, os partidos estão realizando suas convenções para escolha de candidatos. Depois de 25/07, desde que realizado a convenção partidária, os candidatos e partidos poderão informar as doações recebidas. A partir de 06/08, as rádios e as tvs não poderão divulgar, mesmo que em entrevistas, imagens de realização de pesquisas eleitoral, assim como veicular propaganda política ou difundir opinião favorável ou contrária a candidato, partido, coligação, seus órgãos ou representantes, como dar tratamento privilegiado a candidato, partido ou coligação, veicular ou divulgar, qualquer programa com alusão ou crítica a candidato ou partido político, exceto programas jornalísticos ou debates políticos, divulgar nome de programa que se refira a candidato escolhido, ainda quando preexistente, inclusive se coincidente com o nome do candidato ou com a variação nominal por ele adotada.

Em 08/08 é o último dia para o eleitor que estiver fora do seu domicílio eleitoral requerer a segunda via do título em qualquer cartório eleitoral.

13/08 termina o prazo para os membros das mesas receptoras e pessoal de apoio recusarem a nomeação, observado o prazo de 5 (cinco) dias contados da nomeação.

Encerra em 15/08 o prazo para os partidos requererem as inscrições dos candidatos e para que os tribunais e conselhos de contas tornarem disponível à Justiça Eleitoral relação daqueles que tiveram suas contas rejeitadas por irregularidade insanável e por decisão irrecorrível do órgão competente. Também neste dia é o último para que os partidos providenciem a abertura de conta bancária destinada à movimentação de recursos públicos e privados para a campanha eleitoral.

16/08, marco inicial para que seja dado início a campanha eleitoral, comícios, reuniões públicas, distribuição de material de propaganda, comitês, caminhada, carreata, passeata, divulgação paga, na imprensa escrita e a reprodução, na internet, do jornal impresso.

23/08 termina o prazo para impugnar os pedidos de registro de candidatos.

31/08 começam as propagandas em rádio e na televisão.

07/09 encerra o período para os que partidos preencham as vagas remanescentes para as eleições proporcionais e 09/09, começa o envio de prestação de contas parcial, indo até 13/09.

17/09, data em que todos os pedidos de registro de candidatos, inclusive os impugnados e os respectivos recursos, devam estar julgados. Último dia para o pedido de substituição de candidatos para os cargos majoritários e proporcionais, exceto em caso de falecimento.

22/09, data a partir da qual nenhum candidato poderá ser detido ou preso, salvo em flagrante delito. 27/09 último dia para o eleitor requerer a segunda via do título eleitoral dentro do seu domicílio eleitoral e 02/10 nenhum eleitor poderá ser preso ou detido, salvo em flagrante delito, ou em virtude de sentença criminal condenatória por crime inafiançável, ou por desrespeito a salvo-conduto.

4 de outubro encerra a campanha eleitoral com a divulgação da propaganda gratuita no rádio e na televisão, de propaganda política mediante reuniões públicas ou promoção de comícios e utilização de aparelhagem de sonorização fixa. Último dia para a realização de debate no rádio e na televisão, admitida a extensão do debate cuja transmissão se inicie nesta data e se estenda até as 7 horas do dia 5 de outubro de 2018.

5 de outubro  Último dia para a divulgação paga, na imprensa escrita, de propaganda eleitoral e a reprodução, na internet, de jornal impresso e em 6/10 a propaganda eleitoral mediante alto-falantes ou amplificadores de som, entre as 8 e as 22 horas se encerra e até as 22 horas, para a distribuição de material gráfico e a promoção de caminhada, carreata, passeata ou carro de som que transite pela cidade divulgando jingles ou mensagens de candidatos.

07 de outubro é o dia do grande jogo da final e dia 08 a prorrogação, caso haja, até dia 28/10 quando se encerra o campeonato e o juiz apita o final desta extensa partida.

*Por Ailton Cezarino, advogado!

As tragédias da Nicarágua

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RIO – No muro velho, coberto de limo e furado de balas, a denúncia: “Os direitos humanos são três: ver, ouvir e calar”. Em outro muro, branco e limpo, a esperança: “Bolívar y Sandino, este es El Camino.”

Nas vésperas de fugir, Somoza fez um apelo final ao embaixador norte-americano: “Não podemos entregar o país a nossos inimigos. Precisamos vencer nem que para isso seja preciso destruir a metade da pátria.” O embaixador americano sorriu: “Qual? A sua ou a nossa?”

A menina linda, cabelos negros e olhos puxados, estudante e guerrilheira, sentada a meu lado no avião, conta a piada para mostrar como seu povo sabia bem quais eram seus principais inimigos. E por isso é que a unidade nacional tão poderosa se fez na hora da luta final. A história destes povos tão miseráveis e tão sofridos da América Central está sendo escrita com sangue, mas também com uma dura lucidez. Eles aprenderam em séculos de dominação e dependência que o caminho da liberdade é a decisão de lutar. Como Bolívar e Sandino ensinaram.

Desço no aeroporto, está lá em letras enormes: “Bem vindos à Nicarágua livre.” E um retrato do general Augusto Cesar Sandino, o herói da independência nas lutas contra os Estados Unidos no começo do século: chapéu, lenço no pescoço e o lema: “Pátria livre ou morrer.”

Não parece que este povo acaba de derrubar uma ditadura com uma guerra civil. A alfândega é apenas um rapaz olhando e carimbando o passaporte, outro abrindo e fechando as malas mecanicamente e me menos de um minuto para ver se há armas, e uma garota na caixa cobrando um dólar e meio de taxa de desembarque. Nenhum ar de desconfiança ou de receio.

Armados, apenas dois guerrilheiros, com suas fardas verdes e boinas vermelhas: um jovem de no máximo vinte anos e uma menina morena, muito morena e muito menina, dizendo amavelmente: “Bienvenido.” E só. Nada daquele clima de terror policial que se vê em tantos cantos do mundo.

Eles aprenderam, de um duro aprender, que só há uma segurança: a vontade nacional.

Não sei o que aconteceu com os mais velhos nesta incrível terra de jovens. Só se veem jovens. Chego ao Palácio da Revolução – que era o Palácio Nacional tomado pelo Comando Zero e seus companheiros em agosto – um garoto de farda verde e metralhadora na mão pergunta se estou armado e passa a mão em minha cintura.

– Por que esse cuidado todo?

– Os inimigos. Ainda não ganhamos tudo. Há inimigos ainda por toda a parte.

Volto para o Hotel Intercontinental, abro a janela do oitavo andar e de repente entendo porque tudo aconteceu. Outras vezes estive aqui, em 1958 e 1960. E percebo que esta capital da Nicarágua, tantos anos depois, neste outubro de 19798, é muito mais pobre e abandonada.

Claro que houve o terremoto de 1972, que destruiu o centro quase todo, mas o maior crime de Somoza foi exatamente ficar com o dinheiro da solidariedade internacional e depositar em dólares nos bancos dos Estados Unidos. Manágua é a cidade mais pobre de toda a América Central.

*Por Sebastião Nery

Da janela vejo o quadro da ditadura. Somoza dez daqui uma fazenda sem metáfora. Atrás do hotel, o bunker de onde ele governava. Em frente, o único edifício alto da cidade, o Banco da América. Lá no fundo a catedral. E as casas de barro cobertas de papelão espalhadas por todo canto.

Tudo exatamente como em uma grande fazenda. O povo muito pobre andando nas ruas e a rádio no quarto do hotel cantando a vitória sobre a ditadura:

“Rádio amor, pobre mas honrada como a Pátria.”

Wagner foge do Plano B de Lula

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As incertezas da disputa presidencial são generalizadas, mas no PT ganhou uma faceta específica: o partido definiu como estratégia bradar que Lula é o cara, com o enunciado de que o ex-presidente ”não é mais um ser humano, é uma ideia”.

Mas e daí? Tal estratégia tem prazo de validade curto. Estamos a 81 dias das eleições e todo mundo duvida, inclusive os próprios petistas, que a justiça vá deixar Lula ir até as urnas. É aí que entra Jaques Wagner.

Boa aposta

Wagner já disse que o PT poderia pensar em algum nome de fora do partido, e citou Ciro Gomes, bradou que o PT não tem Plano B, ”só tem o Plano L de Lula”, que o seu projeto é mesmo disputar o Senado pela Bahia, mas jornalistas que trabalham em Brasília dizem que nos bastidores o nome dele é sempre citado entre as apostas plausíveis.

Por que? Dos Estados que o PT governa ou governou, lembram eles, a experiência mais bem sucedida é a Bahia.

Também isso não passa pelo crivo de Wagner. Ele diz que o PT tem também boas experiências com Wellington Dias, no Piauí, e com Tião Viana, no Acre. Talvez a Bahia, por ser maior e mais próximo do sul, dê a visibilidade que os outros não têm, isso ele admite.

Mas o projeto do ”Galego”, como Lula o chama, é a candidatura ao Senado, embora alguns baianos às vezes pareçam contaminados pela turma do Planalto quando dizem que ”Lídice ainda tem chances”.

*Por Levi Vasconcelos, jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.

Na Croácia de Tito

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RIO – Em julho de 1957, estava eu em Moscou, a imprensa internacional acordou com a manchete quente: “Tito e Bulganin encontram-se na fronteira da Rumânia”. Bulganin, um velhinho de barbicha branca e cara muito rosada, que poucos dias antes eu vira passeando só e calmamente nos jardins do Kremlin, era o então presidente da União Soviética. Aquele papo de fronteira significava o fim de dez anos de punhos cerrados entre URSS e a Iugoslávia, com os comunistas de meio mundo acusando Tito de traidor do socialismo.

No ano seguinte, para espanto dos americanos e desespero dos stalinistas, o presidente Bulganin e Kruschev, primeiro-ministro e secretário geral do PC soviético, desciam em Belgrado e faziam a mais sensacional autocrítica já vista em dirigentes da URSS: na briga com Tito, os errados fomos nós. E começou o degelo no leste. Gomulka saiu da cadeia, reassumiu o poder na Polônia e foi ver Tito. Lembro bem, apesar dos anos já passados, quando fui pegar meu cartão de jornalista estrangeiro convidado para o jantar de Tito a Gomulka, um correspondente americano me disse malicioso:

– Os meninos estão arrancando os dentes do velho leão, depois de morto.

– Que leão?

– Stalin.

A história rodou, a experiência socialista se fez universal, Bulganin e Kruschev perderam o poder e a vida, e tanto tempo depois, reencontro a Iugoslávia um país inteiramente novo, reconstruído da guerra, industrializado, em processo de desenvolvimento com índices raros em toda a Europa, e ainda sob o comando político e nacional, muito mais nacional do que político, do mesmo Tito que arrancou a autocrítica de Bulganin e Kruschev. Por que? Porque Tito, aos 81 anos, era muito mais do que o presidente do país, porque o seu grande herdeiro vivo.

Os heróis são filhos da morte. Nascem na sepultura. Mas a história às vezes faz alguns coabitarem com a glória e, em vida, serem sinônimos de sua pátria. Quando De Gaulle dizia – “Se quero saber o que a França pensa, pergunto a mim mesmo” – ele estava apenas traduzindo a sua consciência de herói vivo, Tito era o De Gaulle socialista da Iugoslávia. Um homem sinônimo de seu país e de seu povo.

– Nossa filosofia básica de governo é o respeito à liberdade dos homens e o desenvolvimento natural de nosso sistema socialista – dizia-me no almoço no clube de imprensa, o ministro Dragoyub Budimovski, um jornalista que, em 1941, deixou a redação e foi para as montanhas, de fuzil na mão, aos 18 anos, fazer guerrilha contra as tropas de Hitler que tinham invadido seu pais. Gordo, forte, vermelho, parece camponês eslavo. E não é outra coisa esse filho da Croácia, sorrindo largo, comendo muito e falando apaixonadamente da experiência nacional de seu povo:

– Quer dizer que aqui socialismo e liberdade se casaram.

– É a única maneira de dar bons filhos.

E riu largo, aberto, vermelho, como os camponeses da Croácia.

*Por Sebastião Nery

Lembrança de Waldir Pires

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Nestes tempos de mediocridade triunfante, carência de vocações públicas, foi uma festa o reencontro com velhos amigos como Waldir Pires,Virgildásio Sena, Roberto Santos, Joacy Goes, Hélio Duque, João Carlos Teixeira Gomes (o poeta Joca), outros, relembrando uma parte da história política brasileira.

Aos 91 anos, Waldir lúcido e ativo na defesa da democracia, ensinava: -“A política é a única forma de produzir mudanças na sociedade. O governo democrático não é o governo da vontade pessoal do governante. Não há falta de inteligência nos dias atuais. Há falta de caráter. A civilização não pode ser a corrupção e o caos, a ansiedade e a opressão. A dignidade humana, os direitos existenciais, os valores da liberdade, devem ser o balizamento na sociedade democrática. É o ser humano a medida e o fim da sociedade.”

Ao longo de uma vida de vitórias e derrotas, Waldir nunca abdicou de ser um homem público. Diferentemente de tantos, nunca usou o poder para servir-se, mas de ser um servidor na atividade pública. No legislativo, como deputado federal, foi um formulador de leis modernas. No executivo, em diferentes administrações, imprimiu seriedade e competência no enfrentamento dos desafios. Antes de abril de 1964, no deposto governo de João Goulart, era Consultor Geral da República, integrando a primeira lista dos cassados pelo novo regime. Exilado na França, tornou-se professor da Faculdade de Direito de Dijon e do Instituto de Altos Estudos da América Latina na Universidade de Paris, entre 1966 e 1970.

Em 1970, com a anistia, retornou ao Brasil, filiando-se ao MDB. Pela Bahia, em 1982, disputou o Senado e foi derrotado. Com a redemocratização e a eleição do seu velho amigo Tancredo Neves, foi Ministro da Previdência.

Em 1986, candidato ao governo da Bahia, teve histórica vitória. O deputado Hélio Duque lembra-se bem. Em janeiro de 1989, durante almoço no Palácio de Ondina, residência oficial do governador, o assunto era a eleição direta para a presidência da República. A maioria dos presentes defendia a candidatura do governador Waldir Pires, para a disputa presidencial pelo PMDB. Hélio Duque argumentou contra, apontando duas principais razões: primeiro, o candidato do partido deveria ser o presidente do partido Ulysses Guimarães; segundo, para ser candidato Waldir teria de renunciar ao governo da Bahia. Meses depois, em Brasília, na convenção nacional, Waldir disputaria com Ulysses a indicação e foi derrotado.

Em nome da unidade partidária, convenceram o governador a ser o vice de Ulysses, com a falsa argumentação de que em curto espaço de tempo, por falta de carisma eleitoral, Ulysses renunciaria e Waldir assumiria a disputa presidencial. Ao deixar o governo da Bahia, assumiu o vice-governador Nilo Coelho, que reformulou radicalmente a administração.

Elegeu-se em 1990 deputado federal pelo PDT, com a maior votação registrada na história política da Bahia.

Na semana passada Waldir nos deixou.

*Por Sebastião Nery