Ebal confirma novo leilão em 2017 para interessados na aquisição das lojas da Cesta do Povo

Unidade de Jaguaquara fechou. Foto: Blog Marcos Frahm
Loja de Jaguaquara fechou as portas. Foto: Blog Marcos Frahm

Os potenciais investidores interessados na aquisição das lojas da Cesta do Povo já estão na fase final do levantamento de riscos do negócio. O próximo passo agora é marcar a data do leilão da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que administra as lojas. O certame deve ser mesmo realizado no primeiro trimestre do ano que vem. A informação foi publicada no A TARDE, e confirma ao jornal pelo superintendente de Estudos e Políticas Públicas da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (SDE), Reinaldo Sampaio. ”Estamos na etapa final da due diligence para fechar também por qual valor a empresa deve ir à leilão”, declarou Sampaio, ao participar de evento na Fieb. A Ebal faz parte da estrutura da SDE. Na chamada due diligence (diligência prévia), a companhia passa por um processo de investigação, sem compromisso, pelos interessados na compra. É um procedimento comum de mercado adotado para se avaliar os riscos de uma oportunidade de negócio. Embora o levantamento de dados possa ser feito por obrigação legal, o termo refere-se normalmente a investigações voluntárias com permissão dos gestores da companhia. No início deste ano, a companhia chegou a marcar um leilão, na Bolsa de Valores de São Paulo, tendo preço fixado em R$ 81 milhões, mas o certame acabou sendo adiado por falta de interessados. Desde então, a companhia vem acelerando o processo de enxugamento com o fechamento de lojas. Segundo a Associação Baiana dos Trabalhadores da Ebal/Cesta do Povo, só restam hoje em atividade apenas 96 lojas de uma rede antes composta de 245 unidades. Cerca de mil funcionários foram demitidos, estando  apenas 800 ainda trabalhando. ”Ainda assim, recebendo salários atrasados e sem a primeira parcela do décimo terceiro”, denuncia o presidente da associação dos trabalhadores, Francis Tavares. ”Duvidamos muito que a companhia, com dívidas que superam R$ 60 milhões, volte a ter maiores interessados”, diz Tavares. Ele acredita que o governo acabe optando pela liquidação da empresa, a exemplo do que ocorreu com a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA). ”No caso da Ebal, a companhia hoje já não tem mais o mesmo papel estratégico que foi muito importante em sua origem, mas que mudou diante da conjuntura do mercado e vinda de grandes empresas supermercadistas para a Bahia, ampliando a concorrência”, explica Reinaldo Sampaio. O superintendente de Estudos e Políticas Públicas da SDE preferiu, entretanto, não fazer maiores considerações sobre as demissões dos funcionários nem o processo que a associação ingressou na Justiça para que, pelo menos os funcionários que faltam até cinco anos para se aposentar sejam transferidos para outros órgãos estaduais. ”É muito difícil para esse pessoal com mais de 25 anos de empresa buscar agora um reposicionamento no mercado”, alega Tavares. Para a próxima quarta-feira, 7, os ex-funcionários da Ebal de Feira de Santana, onde todas as unidades da rede já foram fechadas, programaram uma manifestação no centro da cidade.