Morreu em Belo Horizonte o ex-ator Guilherme de Pádua, assassino de Daniella Pérez

/ Brasil

Guilherme morreu na noite deste domingo. Foto: Reprodução

Assassino da atriz Daniela Pérez e pastor da Igreja Batista da Lagoinha, o ex-ator Guilherme de Pádua morreu na noite deste domingo (6). A informação foi confirmada em transmissão ao vivo feita pelo também pastor Márcio Valadão nas redes sociais.

Durante o vídeo, Valadão citou que Guilherme de Pádua participou do culto na igreja na manhã do domingo. ”Ele estava ali, ele e a esposa servindo a Deus, adorando (…). Ele praticou um crime tão terrível com a Daniela Pérez, foi preso, cumpriu a pena todinha, mas se converteu, era uma lagarta, virou borboleta”, declarou.

Sobre a morte de Guilherme de Pádua, então com 53 anos, Valadão declarou que ele ”caiu e morreu”. ”Agora chegou a notícia. Ele dentro de casa, agora, caiu e morreu. Morreu agorinha”, disse. Informações preliminares indicam que Pádua teria sofrido um infarto fulminante.

Crime bárbaro  

Em 1992, Guilherme de Pádua cometeu um crime que chocou o Brasil. Ao lado de Paula Thomaz, sua esposa na época, Pádua assassinou a atriz Daniella Perez, com quem fazia par romântico na novela De Corpo e Alma.

Pelo crime, Pádua foi condenado a quase 20 de anos de prisão por homicídio qualificado. Em 1999 recebeu a liberdade.   Em 2017, Pádua se converteu na Igreja Batista da Lagoinha, onde viria se tornar pastor em seguida.

Claudia Leitte manda recado após ser vaiada em coro a favor de Lula: ”Não vivo de agradar”

/ Entretenimento

Diferente do comum, Claudia Leitte resolveu se pronunciar neste domingo (6), no último dia de festa do Pré-Caju 2022, em Aracaju. A cantora fez uma rima improvisada reagindo às insinuações de que apoia o presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado nas eleições presidenciais.

Durante sua apresentação no trio, Claudia disse que independente do que o público pensar, ela vai gritar o que Deus mandar ela dizer.

”Eu não penso diferente de vocês, eu quero amor, eu quero paz, eu quero as pessoas unidas, é por isso que sou cantora de carnaval. Eu quero promover encontros, felicidade, é por isso que eu não vou gritar o que todo mundo quer que eu grite, eu vou gritar o que Deus mandar eu dizer, o que Deus mandar eu falar, independente de vocês pensarem o que vocês quiserem”, disse a artista.

Claudia também foi alvo de vaias na última sexta-feira (4) durante sua performance na Micareta Salvador. Em outro momento, o público que acompanhava a cantora gritou ao som de ”Olê olá, Lula” enquanto faziam o sinal de L com os dedos (assista aqui).

No Pré-Caju, Claudia disse que não faz símbolos e prefere ficar em silêncio para ouvir o que o público tem a dizer.  ”Porque eu não vivo de agradar, eu vivo de servir para fazer vocês felizes (…) Ao invés de qualquer símbolo, ao invés de qualquer um, eu escolho amar (…) Por isso eu fico em silêncio. Não porque eu sucumbi a nada, mas porque eu queria ouvir vocês falarem o que vocês acreditam. Porque eu quero me inspirar no que vocês acreditam, porque eu acredito no mesmo que vocês acreditam: no amor”, concluiu a artista.

Secretário-geral da ONU alerta contundente para ”caos climático” e pede ação global

/ Esporte

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, fez um alerta contundente para a gravidade da situação climática global e pediu ação urgente para evitar o caos climático. Guterres fez o alerta em transmissão de vídeo na abertura da Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP27).

A cúpula reúne, até o dia 18 de novembro, em Sharm el-Sheikh, no Egito, representantes oficiais de governos e da sociedade civil para discutir maneiras de enfrentar e se adaptar às mudanças climáticas. Guterres citou o relatório, lançado pela Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês), órgão ligado à ONU.

”O último relatório global é de caos climático crônico. Como a WMO mostrou claramente, mudanças em velocidade catastrófica vão devastar vidas em todos os continentes. Os últimos oito anos foram os mais quentes registrados, fazendo cada onda de calor mais intensa, especialmente para as populações vulneráveis. O nível do mar está subindo duas vezes a velocidade do que nos anos 1990, ameaçando países insulares e bilhões de pessoas nas faixas costeiras”, disse o secretário-geral das Nações Unidas.

Outro problema apontado pelo relatório e citado por Guterres é o derretimento de geleiras em todo o mundo, o que contribui para elevar ainda mais o nível do mar, ao mesmo tempo em que afeta o abastecimento de água doce de muitos países.

”Geleiras estão derretendo, ameaçando a segurança hídrica de continentes inteiros. Pessoas e comunidades devem ser protegidas da imediata e crescente emergência climática. Por isso, nós estamos pressionando tanto por um sistema universal de alerta dentro de cinco anos. Nós temos que responder aos sinais de sofrimento do planeta com ação, ambição e credibilidade. A COP27 é o lugar e o momento’, concluiu Guterres.

Relatório

O documento da WMO apresentado na abertura da COP27 traz alertas dramáticos sobre o aquecimento global e seus impactos sobre todo o planeta, o que afetará bilhões de pessoas.

”Os sinais e impactos das mudanças climáticas estão se tornando mais dramáticos. O ritmo de elevação do mar dobrou desde 1993. Subiu 10 milímetros desde janeiro de 2020 para um novo recorde este ano. Os últimos dois anos e meio contribuíram para 10% do total de elevação do mar desde quando se começou a medir por satélites, cerca de 30 anos atrás”, apontou o relatório.

A WMO também alertou para um aquecimento global atual acima dos níveis que existiam antes da era pré-industrial, no século 19, e considerou que uma nova onda de calor deve atingir o mundo em breve.

”A temperatura global em 2022 é atualmente estimada em cerca de 1,15 grau celsius (°C) acima do que havia de média pré-industrial em 1850-1900. A média para o período 2013-2022 é  estimada em 1,14°C acima do patamar pré-industrial. Isso se compara com o aumento de 1,09°C de 2011 a 2020, conforme estimado pelo sexto relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês)”, destacou o documento da WMO. Da Agência Brasil

‘Presidente do Sport passou vergonha”, diz Bellintani após acesso do Bahia a Série A do Brasileiro

/ Esporte

Guilherme Bellntani. Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia

Após o Bahia conquistar o acesso à Série A vencendo o CRB, na noite deste domingo (6), o presidente Guilherme Bellintani criticou o mandatário do Sport, Yuri Romão. O dirigente do clube pernambucano acusou o Galo alagoano de favorecer o Tricolor, por ter demitido o técnico Daniel Paulista, dias antes do jogo pela última rodada da Segundona.

“Eu sou muito tranquilo com essas coisas., porque quem quer passar vergonha, passa por si só. Esse foi o jogo que o CRB quis perder? Claro que não”, declarou Bellintani na entrevista coletiva.

O Sport chegou na última rodada ocupando a sexta colocação com 56 pontos e tinha chances remotas de subir para a Série A. O time pernambucano dependia de uma derrota do Tricolor e ainda precisava descontar a diferença no saldo de gols para tomar a vaga. No entanto, o Leão pernambucano ficou no empate sem gols com o Vila Nova, no OBA.

”Agora, eu quero saber se o Operário, quando foi jogar sem quatro titulares contra o Sport, na Ilha do Retiro, e perdeu de 5 a 1. Alguém acusou o Operário de entregar o jogo? Quero saber se o Vila Nova, que jogou com o time todo reserva hoje… Olha o tamanho da minha responsabilidade como dirigente, chegar aqui e dizer que o Vila Nova, que entrou com nove reservas e dois titulares, estava entregando o jogo para o Sport. Enfim, a pessoa provavelmente não conseguiu atingir os objetivos dentro da sua competência e passa vergonha. Passa vergonha, porque hoje não conseguiu ganhar do Vila Nova reserva. Eu seria extremamente irresponsável de acusar o presidente do Vila Nova e o clube, que é sério, assim como o CRB é, de facilitar jogo. Tem coisas que são tão ridículas e não demoram muito tempo para mostrar o quanto são ridículas. Hoje, acho que o presidente do Sport passou vergonha” afirmou Bellintani.

O Bahia terminou a Série B de 2022 na terceira colocação com 62 pontos, mesma pontuação do Vasco, que ficou em quarto fechando o G-4. Os dois times se juntam ao Cruzeiro e Grêmio, que já haviam garantido seus retornos à Série A de forma antecipada. Com informações do Bahia Notícias

Solta o grito, torcedor! Bahia vence o CRB e conquista o acesso à Série A do Brasileirão

/ Esporte

Daniel abriu o placar no Rei Pelé. Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia

Solta o grito, torcedor! O Bahia está de volta à elite do futebol brasileiro. Na noite deste domingo (6), o Tricolor conquistou o acesso ao vencer o CRB por 2 a 1, no Rei Pelé, pela 38ª e última rodada da Série B. Daniel e Lucas Mugni marcaram os gols do time baiano, enquanto Emerson Negueba descontou para os donos da casa.

Com o triunfo, o Esquadrão de Aço chegou aos 62 pontos e terminou a competição na terceira colocação da tabela de classificação. Enquanto o Galo de Alagoas permanece com 50 a caiu para a 11ª posição.

O JOGO

Precisando do resultado para conquistar o acesso, a primeira ação foi do Bahia. Ricardo Goulart sofreu a falta, Daniel levantou a bola na área na cobrança e o goleiro Vitor Caetano saiu de soco para afastar o perigo, mas também acertou o companheiro Wellington Carvalho. O zagueiro levou a pior e precisou de atendimento. A bola voltou a rolar, mas não deu para o zagueiro do Galo alagoano e Diego Ivo entrou no seu lugar.

Aos 12 minutos, o Tricolor criou uma chance mais aguda. Caio Vidal foi lançado na área, mas o zagueiro do CRB conseguiu fazer o desarme. Daniel ficou com o rebote, mas chutou nas redes do lado de fora. No minuto seguinte, o camisa 20 não teve tranquilidade para inaugurar o marcador. Ele recebeu boa enfiada e ficou de cara para o gol, mas finalizou em cima de Vitor Caetano. Aos 15, o Tricolor criou outra oportunidade, mas Vitor Jacaré bateu colocado em cima de Reginaldo. A resposta do Galo alagoano veio em seguida com Fabinho, que bateu buscando o canto direito de Claus, mas a bola foi para fora.

O Bahia balançou as redes aos 22 minutos com Vitor Jacaré. Lançamento para Caio Vidal, que ajeitou de peito para o camisa 29 tocar no canto da meta alagoana. Mas a arbitragem assinalou impedimento do homem da assistência e invalidou o gol.

Daniel abre o placar para o Bahia
O Bahia inaugurou o placar com Daniel aos 25 minutos. Após cobrança de escanteio de Jacaré, o goleiro Vitor Caetano saiu de soco e o camisa 10 aproveitou rebote batendo de primeira e estufando as redes. CRB 0x1 Bahia

Aos 30, Mugni cobrou a falta direto, a bola passou por todo na grande área e saiu pelo lado direito da meta defendida por Vitor Caetano. Três minutos depois, o goleiro do CRB fez uma grande defesa evitando o gol de cabeça de Luiz Otávio que ampliaria o placar para o Tricolor.

O Tricolor criou boa oportunidade aos 44 minutos. Mugni cruzou rasteiro pela esquerda, mas ninguém do time baiano estava na área para aproveitar e a defesa alagoana afastou o perigo. O time baiano ainda desperdiçou um bom contra-ataque puxado por Caio Vidal, mas Jacaré acabou sendo desarmado por Juninho Valoura e o árbitro Ramon Abatti Abel encerrou a etapa inicial. Com informações do site Bahia Notícias

Rui, Lula e a Bahia

/ Artigos

O Brasil viveu, nas eleições 2022, um dos momentos mais marcantes de sua democracia. Literalmente dividido por propostas e passado distintos dos dois postulantes à presidência, acabou concedendo, pela diferença de um ponto percentual ou pouquinho mais, uma nova oportunidade ao ex-presidente Lula para reescrever sua história, desafio que o petista deve entender como único e saber reconhecer e honrar cada voto que lhe foi dado por esses mais de 60 milhões de brasileiros. E quem sabe, sua vinda hoje para uma semaninha de descanso na Bahia, não o ajude com as bênçãos do Senhor do Bonfim e de todos os Orixás, não errar mais.

Mas já que falamos na Bahia, tão importante para a conquista nacional de Lula, há um personagem a comemorar a vitória no pleito governamental com justo entusiasmo e incontida alegria. Estou falando do governador Rui Costa, quase crucificados em praça pública pelos aliados pela considerada errônea escolha de Jerônimo Rodrigues para candidato a sua sucessão e que viu o pupilo experimentar uma arrancada espetacular, batendo o ex-prefeito ACM Neto, favoritíssimo no embate, com quase meio milhão de votos de frente.

E nesse confronto há um detalhe importante a ser ressaltado. Jerônimo e acima de tudo Rui, tinham pela frente não um adversário qualquer, nascido no seio das oposições, como foi há 4 anos, José Ronaldo. Lá estava para confrontar com Jerônimo ninguém menos que ACM Neto, um gestor público com todas as letras maiúsculas, prefeito eleito e reeleito com  expressiva votação e que ainda fez seu sucessor, levando, por conta disso, além do nome e sobrenome do lendário avô, uma história de sucesso como administrador. Tanto assim que, líder em todas as pesquisas no primeiro turno, era tido como uma barbada nessa corrida para chegar ao Palácio de Ondina.

Mas Rui resolveu apostar todas as suas fichas em Jerônimo. Sabia que teria Lula com seu 13 para dar uma força, mas sabia também que essa força seria limitada. Preocupado com sua luta para chegar ao Planalto, Lula se manteve quase todo o tempo comedido na sucessão estadual, merecendo igual tratamento de Neto, por conta, ao que se fala, de um acordo costurado nos bastidores, de não agressão entre eles.

Aqui só apareceu quando viu que tinha mais a ganhar com Rui ao seu lado que seguir meio anestesiado pelo silêncio de Neto, que praticamente passou toda a campanha a pedir voto para Lula ou a cunhar, quando nada, com um ”tanto faz”, sua sentença em relação aos postulantes ao Planalto.

Apostou Rui e mostrou que além de aprovado como um bom governador, tornou-se uma liderança capaz de eleger no seu rastro um sucessor, mesmo que tardiamente escolhido. E quanto a isso, ressalte-se, faz parte do estilo Rui de merecer senão um 10 mas um 9,5 como gestor e um 4, com muito boa vontade, no quesito fazer política. Até aliados próximo admitem que esse não é nem será o seu forte. ”O negócio de Rui é administrar e trabalhar”, pontua um deputado com alguns mandatos acumulados no currículo.

Daí, concluída a apuração e com Jerônimo eleito, Rui pôde receber, com muita justiça, os cumprimentos dos correligionários e aliados. Verdade que não ganhou só, teve no senador reeleito Otto Alencar um grande aliado – condição que o outro senador do grupo, Ângelo Coronel abdicou, tendo participação discreta na campanha – e uma natural participação do também senador Jaques Wagner, ainda que este mais voltado para o pleito nacional.

Da turma próxima teve o reconhecimento, agora resta saber o que o presidente eleito reserva para ele e para a Bahia. Wagner tem seu mandato e pode ser extremamente útil no senado e no Congresso, onde, aliás, transita bem. Rui tem o currículo de bom administrador. Se a Bahia tiver e por justiça merece ter, uma posição de destaque no primeiro escalão de Lula, este lugar deve ser de Rui.

Mas por tudo que a Bahia representou neste pleito, uma segunda cadeira deve ser destinada a outro baiano. Ou a uma baiana. Se ministra não for, pelo menos título de rainha ela já tem.

*Paulo Roberto Sampaio é diretor de Redação da Tribuna.

Dispara número de educadores que pensaram em se afastar devido à saúde mental

/ Educação

O número de profissionais de educação que pensou em se afastar do trabalho por problemas de saúde mental disparou este ano. Essa alta coincide com o retorno das aulas presenciais, depois de quase dois anos de escolas fechadas devido à pandemia de Covid-19.

Os dados fazem parte de um novo levantamento realizado pelo Instituto Ame Sua Mente e pela Nova Escola, organização social que atua para apoiar professores da educação básica.

A pesquisa foi realizada de 15 a 30 de agosto de maneira online com 5.203 profissionais da educação pública e privada —entre professores, coordenadores pedagógicos e diretores de escola.

No total, 34,6% dos entrevistados afirmaram que pensaram em se afastar do trabalho por questões de saúde mental. No ano passado, quando as atividades ainda estavam sendo realizadas majoritariamente de maneira online, o número tinha sido de 14,2%.

Além disso, três de cada cinco profissionais disse que pensou em se afastar do trabalho este ano por algum motivo —como a pergunta não tinha sido feita na edição de 2021, não é possível compará-la.

Esse aumento de profissionais pensando em se afastar por questões mentais depois do pico da pandemia já era esperado, diz a pesquisadora do Ame Sua Mente Clarice Madruga.

”O impacto de fenômenos traumáticos na saúde mental ocorre em diferentes níveis, tanto imediatamente após a sua ocorrência mas também a longo prazo, quando os recursos para lidar com a crise atenuam, muitas vezes dando espaço para a manifestação de prejuízos psicológicos mais profundos”, explica.

Sete de cada dez profissionais que responderam a pesquisa afirmaram que não receberam qualquer tipo de apoio para saúde mental. Para a pedagoga Ana Ligia Scachetti, diretora da Nova Escola, os impactos da pandemia ainda estão presentes, e 2022 é o ano em que mais se sente o cansaço dos professores.

”O retorno para o presencial veio carregado de questões ligadas ao fato de que por dois anos houve pouca interação. Isso gera em todos quadros de ansiedade e depressão”, diz.

”É preciso garantir o apoio psicológico dos professores, coordenadores e diretores, olhar para as questões individuais, garantir que a comunidade escolar se prepare para lidar com elas, criar espaços voltados à reflexão e para que as pessoas possam falar o que sentem. Não é possível zelar pela educação do país, sem zelar pela saúde deles. Esses profissionais precisam de apoio e ferramentas para que as crianças tenham as melhores condições de aprendizagem”, completa Scachetti.

De 2020 para 2021, o percentual de educadores que avaliaram a própria saúde mental como ruim ou muito ruim tinha caído de 30,1% para 13,7%. Em 2022, o indicador subiu para 21,5%.

O índice dos que qualificaram sua saúde mental boa ou excelente teve variação semelhante. Em 2020, ele era de 26%; em 2021, subiu para 47,8%; e agora em 2022, caiu para 33,3%.

Para Vanessa Silva, coordenadora do curso de pedagogia da FMU, a baixa remuneração e a carga excessiva de trabalho também são fatores que influenciam na saúde mental dos profissionais da área.

”No caso do professor, quando o exercício da profissão não é somente no momento em que você está em sala de aula, mas há muitas atribuições extraclasse, ele trabalha com uma carga muito maior do que aquela que está contratado. O professor mal remunerado trabalha em várias escolas ou em uma única instituição numa carga horária muito alta. O profissional fica sem tempo para cuidar de si e isso traz o esgotamento”, diz Silva.

Do total de entrevistados, 17,6% afirmaram que não se sentem preparados para lidarem com a saúde mental dos estudantes e 52% nunca participaram de uma capacitação sobre o assunto. Outros 10,4% estão despreparados para lidarem com a própria saúde mental.

Jane de Souza Melo, 56, conta que nos últimos dois anos teve que conviver com a insegurança devido ao fechamento das escolas. Ela é professora do segundo ano do ensino fundamental na Escola Municipal do Ensino Básico Antonio Bernardino Corrêa, em Ferraz de Vasconcelos (na Grande São Paulo).

”Eu me sentia insegura em tudo o que fazia. Com o passar do tempo, não conseguia mais controlar a minha ansiedade, que apareceu durante as aulas online. Queria que meus alunos tivessem o mesmo crescimento e a aprendizagem como no presencial”, conta Melo.

O levantamento mostrou que 14% dos profissionais de educação consideram que a pandemia de Covid-19 piorou muito a sua saúde mental, enquanto 10,3% acharam que ela melhorou bastante.

No caso de Souza, ela foi buscar formas de tratamento. Entre outras coisas, abriu um canal na internet no qual ensinou crochê por cerca de um ano. Também buscou cursos de informática na área da educação, além de ajuda médica.

”Fui a um clínico geral que me atende há muitos anos. Estava no limite do estresse”, relata. Nos dias de hoje, permanece a ansiedade. Ela também apontou dores pelo corpo como consequência.

O levantamento também mostrou que praticar atividade física ou ao ar livre é a estratégia para 40,4% dos educadores cuidarem da saúde mental. Apoio familiar e dos amigos é a solução para 36,8%.

Cuidados com a alimentação (33%) e o sono (25,5%), participação em grupos religiosos (29,1%), psicoterapia ou tratamento psiquiátrico (20,5%), e prática de terapias alternativas (10%) também apareceram nas respostas.

*por Patricia Pasquini | Folhapress