Após ataque ao governador, prefeito de Jaguaquara tenta minimizar desgaste com Rui Costa

/ Jaguaquara

Relação de Martinelli com Rui Costa está inflamada. Foto: Rede social

Após mal-estar com o governador Rui Costa (PT), o prefeito de Jaguaquara, Giuliano Martinelli (PP), tenta reduzir o desgaste e evitar que as recentes polêmicas atrapalhem o final da sua gestão, já que o mandatário da maior cidade do Vale do Jiquiriçá exerce o segundo mandato consecutivo.

Dizendo-se indignado com o posicionamento do Governo do Estado para com Jaguaquara, o prefeito partiu para o ataque, acusando Rui de dispensar tratamento diferenciado ao Município em comparação a outras cidades. As criticas do aliado foram por meio de um vídeo publicado em rede social, na página oficial da Prefeitura, no último dia (17) de agosto. O estopim, nas palavras do prefeito, é o fato de o Governo não ter assumido a Unidade de Pronto Atendimento – UPA – do distrito Stela Câmera Dubois (Entroncamento de Jaguaquara), construída em convênio com o Governo Federal na gestão Dilma Rousseff (PT).

Nesta semana, o governador afirmou, em live na quarta-feira (26), que o prefeito de Jaguaquara recusou a abertura UPA, quando foi consultado no início da pandemia, para transformar a unidade em um centro de atendimento a pessoas com Covid-19 na região do Vale do Jiquiriçá. Segundo Rui, que foi questionado na live sobre o assunto por um jovem da cidade, à época, o município não tinha registrado casos do coronavírus. Agora, já são mais de 1.700 casos e 15 óbitos pela doença. Contudo, a Prefeitura já autorizou o funcionamento normal do comércio, inclusive permitindo a reabertura de bares.

”Lá no início da pandemia, na primeira semana, eu disse que abriria todas as UPAs que estão fechadas, em todas as cidades, para atender Covid-19. Qual foi a primeira prefeitura que eu liguei para sugerir? A de Jaguaquara. Qual foi a resposta do prefeito na época? ‘Governador, muito obrigado, eu não quero abrir para Covid, porque aqui não tem nenhum caso. Agradeço sua atenção, mas não poderei atender”, contou o governador.

Nas redes sociais, o time de Martinelli, composto por membros da sua gestão entrou em campo para contra-atacar, publicando em todas as plataformas digitais um vídeo em que Giuliano aparece em conversa com Rui no início da fase pandêmica, mas sem a fala do gestor recusando abertura da UPA que, em meio a polêmicas, será colocada em funcionamento a partir do dia (1) de setembro. A administração local, que antes alegava não ter condição financeira para arcar com as despesas da unidade, justifica o anúncio com a informação de que o órgão vai funcionar através de emenda parlamentar do deputado federal Cacá Leão (PP), correligionário-político de Martinelli e filho do vice-governador e cacique do PP baiano, João Leão, que adotou a lei do silêncio diante do embate entre seu afilhado e Rui Costa.

Em novo vídeo que circula, Giuliano aparece dentro da UPA, dizendo existir equívocos por parte do chefe do Executivo baiano. ”Eu tenho que explicar ao governador que existem alguns equívocos, principalmente no entendimento que nós tivemos em uma conversa no dia 10 abril. O governador jogou para nós a responsabilidade de abrir a UPA e assistir todos os outros municípios do Vale do Jiquiriçá. Eu falei que não teria como. Além de ter que aportar R$ 150 mil para assumir uma responsabilidade de todos os municípios do Vale. Mas no dia 23 de abril, participei de uma live com o secretário de Saúde Fábio Vilas-Boas e com o governador, onde ele me perguntou: se nós abríssemos a UPA como foi feito em Ipiaú, você aceita? Eu disse aceito. No dia seguinte, veio a notícia da Sesab de que não poderia se fazer na mesma modalidade e que Jaguaquara teria que aportar esse recurso e que a obrigatoriedade era de Jaguaquara”, explico. 

O prefeito disse não ter motivos para criar desgaste com o governador, mesmo depois de ter chutado o pau da barra e disparar contra Rui na mídia. Ele garantiu não ter rixa com Costa e que cada um está defendendo os seus direitos e fez apelo a Rui para liberação das últimas parcelas de recursos para conclusão da obra de requalificação do Hospital Municipal, que terá um investimento de mais de R$ 5 milhões da máquina estadual: ”O hospital está em reforma e obra está em condição de solicitar mais duas parcelas. O que eu peço o entendimento,  para a não paralisação da obra. O que eu quero é dizer para todos que pensam que existe uma rixa do prefeito com o governador, não. Cada um está defendendo a sua parte”, minimizou.

Nos meios políticos, os rumores são de que a reação inflamada teve origem nas críticas a Rui do grupo liderado por Giuliano nas eleições de 2012, quando o atual alcaide, lançado na ocasião como candidato a sucessor do prefeito da época, Ademir Moreira (PSD), enfrentou e derrotou, por poucos votos, numa eleição emblemática, o empresário e amigo pessoa de Rui [ quando era secretário da Casa Civil], Ricardo Leal, do PT, que em 2016 aparou arestas com Giuliano em reunião coordenada pelo próprio governador para fortalecer a candidatura à reeleição de Martinelli, que foi reeleito ao vencer o médico Osvaldo Cruz, do PSB.

Em 2018, ao desembarcar em Jaguaquara, no dia (25) de setembro de 2018 na condição de candidato ao segundo mandato, o governador esperou por um longo período pela chegada do prefeito na entrada da cidade, que horas depois apareceu carregando Cacá Leão nas costas. Em palanque, Martinelli teria dito que a base do seu governo era Cacá, fazendo elogios ao deputado e ainda citou que ”Jaguaquara é 11”, relembrando a disputa de 2012. Naquela noite, Rui participaria de um jantar a convite de Giuliano, mas desistiu e foi parar na residência do empresário Lealdade. Integrando a comitiva, João Leão (PP), Jaques Wagner (PT) e Angelo Coronal (PSD) aceitaram jantar com o gestor local. No dia seguinte, a comitiva seguiu em campanha pelo Vale do Jiquiriçá. *Por Marcos Frahm

 

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