Presidente Jair Bolsonaro ironiza ato pró-democracia e ataca Lula e signatários de carta

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Bolsonaro critica manifestação. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a chamar o manifesto pela democracia lido nesta quinta-feira (11) de ”cartinha” e retomou os ataques ao ex-presidente Lula (PT) e aos demais signatários do texto.

O mandatário disse que a carta não servirá de ”passaporte de bom moço” e criticou artistas que assinaram o manifesto. A estratégia do entorno do presidente para fazer frente às adesões aos textos pró-democracia é dobrar a aposta nos atos bolsonaristas previstos para o 7 de Setembro.

A expectativa é conseguir no Dia da Independência uma forte adesão de apoiadores nas ruas e, dessa forma, mostrar força por parte do mandatário. Bolsonaro e aliados intensificaram na última semana as convocações para as manifestações do feriado. ”A Carta da Democracia é a Constituição. Qualquer outra é redundante”, disse o ministro Ciro Nogueira (Casa Civil) à reportagem.

Aliados do presidente sabem que o saldo do dia é negativo para o mandatário, mas a avaliação é a de que os eventos desta quinta não têm efeito eleitoral. Eles dizem que os atos dialogam em boa parte com um público que já não votaria em Bolsonaro e que deve apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Dão como exemplo a presença de movimentos sociais e entidades sindicais nas manifestações desta quinta. Um dos principais argumentos para tachar a carta pró-democracia de movimento de esquerda é o fato de o próprio Lula ter assinado o documento. Ele não foi o único presidenciável ou ex-presidente a assinar. A senadora Simone Tebet (MDB-MS) e Ciro Gomes (PDT) também endossaram o texto.

Em sua live semanal nas redes sociais, Bolsonaro lembrou que a CUT (Central Única dos Trabalhadores), aliada do PT subscreveu o texto. O presidente disse que a entidade ”está com saudade” do imposto sindical obrigatório. Sobre o apoio de artistas ao ato, afirmou eles estão interessados no retorno da Lei Rouanet como funcionava antes de seu governo.

”Não tenho prova disso, mas com toda certeza acertaram com o cara deles a volta Lei Rouanet da forma que sempre existiu. No nosso governo, botamos freio nisso. Até 2018 esses figurões que viviam elogiando o governo da época podiam pegar até R$ 10 milhões por ano.”

Com um exemplar da Constituição na mão, o mandatário afirmou ser contraditório os petistas subscreverem a carta deste ano enquanto se negaram a assinar a Carta de 1988, que até hoje baliza as leis do país e consolidou a democracia no Brasil. ”Já que o símbolo máximo do PT assinou a carta juntamente com sua jovem esposa, eu pergunto: o PT assinou a Carta de 88? O PT assinou a Constituição de 88? E o pessoal faz onda agora sobre carta à democracia para tentar atingir a mim”, declarou.

A afirmação de Bolsonaro, porém, é distorcida. Na Assembleia Nacional Constituinte, o PT votou contra a redação final da Constituição, mas, depois de aprovada, foi um dos signatários da promulgação do texto. Bolsonaro também questionou onde estavam os autores da carta pela democracia deste ano na época da pandemia da Covid-19 e disse que decretos de governadores e prefeitos feriram diversos dispositivos constitucionais.

Esta é uma declaração recorrente do presidente. No entanto, ele ignorou o fato de que o consenso científico do mundo todo afirmava na época que a redução de circulação de pessoas nas ruas era a única solução para conter o avanço do novo coronavírus, que já matou mais de 680 mil brasileiros. Na live transmitida nas redes sociais, o chefe do Executivo também afirmou que o que interessa é o respeito à Constituição, e não assinar carta pela democracia.

*por Matheus Teixeira/Julia Chaib/Marianna Holanda/Folhapress

Em volta às origens, ex-presidente Lula vai começar campanha em fábrica na zona sul de SP

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Lula vai oficializar campanha. Foto: Bruno Santos/Folhapress/Arquivo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu inaugurar sua campanha eleitoral com ato na porta da fábrica MWM Motores e Geradores, no bairro de Jurubatuba, na zona sul de São Paulo.

O evento está previsto para as 7h de terça-feira (16), dia em que os candidatos podem começar a pedir votos publicamente.

A MWM conta com forte influência da Força Sindical, que tem em Paulinho da Força (Solidariedade) um de seus principais líderes. O deputado e seu partido declararam apoio ao petista nas eleições.

”É uma volta às origens que, feita no início da campanha, mostra comprometimento com as pautas do sindicalismo”, diz Miguel Torres, presidente da Força Sindical.

*por Guilherme Seto/Folhapress