A volta dos que não foram: aliados de João Leão começam a negociar retorno do PP à base petista

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João Le]ao prometeu ”dar um couro no PT”. Foto: Reprodução

O vice-governador João Leão (PP) fez uma aposta de milhões nestas eleições. Talvez uma das maiores deste pleito. Rompeu com o governador Rui Costa (PT) e migrou para o campo de ACM Neto (União). O prêmio, no entanto, foi de centavos. Ele – que além de vice-governador, tinha cargos e secretarias no governo – acabou ficando apenas com uma cadeira na Câmara dos Deputados e ainda corre o risco de perder a liderança do partido. Do período de campanha, restou somente a dúvida sobre o futuro do PP e a lembrança de um vídeo em que Leão aparece prometendo ”dar um couro no PT”.

Ao migrar para o lado de ACM Neto, Leão levou com ele os deputados do partido. Dez dias após o resultado das urnas, a dúvida que fica é quanto tempo os ex-aliados precisarão para se aproximar do governo de Jerônimo Rodrigues (PT). Ao Jornal da Metropole, o deputado federal Mário Negromonte Jr. (PP) confirmou que alguns correligionários da sigla defendem que essa aliança seja feita. De acordo com ele, já houve uma reunião da executiva do partido pós-eleição, mas a possibilidade ainda não foi colocada na mesa. O deputado acredita, porém, que o PP deve fazer uma ”reconstrução”, dialogando com sua base, para tomar a melhor decisão.

Presidente nacional do PP, o deputado Cláudio Cajado segue na mesma linha. Para ele, o partido ainda precisa se ajustar internamente. O parlamentar, contudo, faz uma ressalva sobre como ocorrerá a possível reaproximação, ”já que o interlocutor geralmente é o líder do partido”, neste caso João Leão. O governador eleito já indicou que vem dialogando diretamente com deputados, mas não abriu as portas para a sigla. ”Com o partido ainda é muito difícil porque o presidente está de uma forma que não dá pra gente poder conversar nesse momento”, disse Jerônimo na última terça-feira, durante a entrega de um colégio em Salvador.

Se os deputados ainda precisam de tempo para avaliar a aproximação com o governo de Jerônimo, parte dos prefeitos do partido já foi antes mesmo do resultado do pleito pelo Palácio de Ondina. Foram eles que protagonizaram, após o resultado do 1º turno, a debandada do lado de Neto. Prefeitos como Peba, de Itapebi; Djalma Anjos, de Novo Horizonte; Willian de Alemão, de Dário Meira; e Reges Aragão, de Ituberá, foram alguns dos nomes que declararam apoio à candidatura de Jerônimo Rodrigues. João Leão, por sua vez, radicalizou. Após 14 anos de aliança com o PT, ele chegou a dizer que era preciso ”expurgar” o partido da Bahia e ainda declarou apoio a Jair Bolsonaro (PL).

O rompimento e a mudança de postura de João Leão frente aos ex-aliados aconteceu em março deste ano, após o vice-governador tomar conhecimento, via imprensa, que o acordo que faria ele assumir o governo tinha caído por terra. Em entrevista à Rádio Metropole, o senador Jaques Wagner (PT) revelou que Rui Costa ficaria no governo até o final do mandato. Até então, o acordo era que o governador renunciaria ao cargo para disputar o Senado, abrindo caminho para Leão assumir o governo por 9 meses.

Dias depois, o PP anunciou o rompimento, ressaltando que considerava ”inaceitável” a quebra do acordo e destacando ainda a ”indelicada comunicação da decisão”. Na base de Neto, o partido chegou como grande aliado, figurando a candidatura ao Senado, com Cacá Leão. Somando 25,24% dos votos, o filho do vice-governador não conseguiu se eleger e perderá, a partir de fevereiro, sua cadeira na Câmara dos Deputados. O pai foi eleito, mas sem muita facilidade. Na ordem dos mais votados, ele foi o 30º dos 39 deputados federais eleitos. Nas eleições proporcionais, o partido conseguiu manter as 4 cadeiras na Câmara dos Deputados e as 6 na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).

*Por: Mariana Bamberg

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