A saída de Pedro Parente

/ Artigos

Após cerca de dez dias marcados por inúmeras e intensas paralisações de caminhoneiros em toda continentalidade brasileira, cujo resultado implicou na redução de 36% no volume de exportações e 26% no percentual de importações, o movimento foi cessado depois de acordos formulados entre representantes dos motoristas e o Governo Federal, que prometeu, dentre tantas reivindicações pleiteadas, a redução no preço do litro do óleo diesel em R$ 0,46 centavos, cabendo a União subsidiar R$ 0,30 centavos deste desconto. O valor total das concessões custará R$ 13,5 bilhões de reais.

Na última sexta-feira, dia 01 de junho, o então Presidente da Petrobras, Pedro Parente, pediu demissão do seu cargo, após exatos dois anos de permanência. Parente foi um dos principais alvos do movimento grevista que parou o Brasil dias atrás. A postura em meio à política de preços dos combustíveis adotada pela empresa durante a gestão do ex-chefe foi bombardeada por inúmeros setores que ocuparam as ruas, bem como por diversas correntes políticas, tanto aliadas quanto adversárias do atual governo.

O desligamento de Parente repercutiu mundo afora e foi motivo de discussões e polêmicas no Brasil. Em que pese a existência de necessárias críticas formuladas em face de algumas medidas adotadas pelo ex-gestor, inegável é o avanço da Petrobras durante os dois anos gerenciados pelo técnico, cujo valor de mercado depreciou-se em R$ 40 bilhões de reais com a sua saída e as ações tiveram perdas de 15%.

A empresa símbolo da produção petrolífera nacional foi devassada nos últimos anos pelos governos anteriores, tendo a referida pessoa jurídica como legado os dizeres estampados nas páginas policiais, já que seus principais expoentes foram encarcerados em razão do cometimento de malfeitos com o dinheiro público. Os desdobramentos da Operação Lava Jato revelam aos brasileiros o que foi feito com uma das principais potências da nação.

A partir da condução proporcionada por Pedro Parente, a Petrobras, anteriormente com prejuízo de R$ 1,2 bilhão e dívida de R$ 450 bilhões, hoje comemora um lucro líquido de valorosos R$ 6,9 bilhões no primeiro trimestre, o melhor resultado em cinco anos. Já a dívida recuou à marca de R$ 340 bilhões. Quanto ao valor de mercado, houve um salto de 123 bilhões para a importância de R$ 388 bilhões há duas semanas e, atualmente, após as perdas provenientes da inatividade do então condutor da empresa, é de R$ 231 bilhões.

Por todo o exposto, equivoca-se quem comemora a partida de Pedro Parente da Petrobras. Ao que é possível perceber, aqueles que vangloriam esse fato são os mesmos que consomem do discurso escandaloso e demagógico, de respostas imediatas e de soluções mirabolantes. São os mesmos que se seduziram pela opção feita por governantes passados ao reter a elevação no preço dos combustíveis para conquistar o voto do eleitorado e garantir a vitória no último pleito presidencial, enganando a todos que acreditavam na pretensa bondade.

*Por Luiz Eduardo Romano, graduando em Direito pela Universidade Federal da Bahia – UFBA. Vice Presidente Institucional da Juventude Democratas da Bahia.

Os comentários estão fechados.