O que são cuidados paliativos e por que eles não são ”exclusivos” aos pacientes em estado terminal

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Submetido a procedimentos paliativos em decorrência de um câncer em metástase que atinge o intestino, o pulmão e o fígado, o ex-craque da seleção brasileira de futebol Pelé lançou luz sobre uma forma de assistência médica ainda cercada de dúvidas e mitos.

Indicada para pessoas que estão em estado terminal ou pacientes com doenças crônicas que ameacem a vida, o tratamento envolve uma equipe multidisciplinar e tem como intuito a melhoria da qualidade de vida do indivíduo submetido ao procedimento e de seus familiares.

”Temos estudos recentes que mostram que quando os cuidados paliativos são feitos junto com o tratamento oncológico, no caso do paciente com câncer, por exemplo, há a capacidade de aumentar a sobrevida do paciente e, quando não aumenta a sobrevida, melhora-se a qualidade de vida”, salta a médica clínica e paliativista Renata Carriço.

Convidada pelo Bahia Notícias para falar sobre o assunto, a profissional conta que essa não é primeira vez que o assunto ganha espaço na mídia devido a sua aplicação no período póstumo ao tratamento oncológico.

Segundo ela, a aplicabilidade dos cuidados é muito comum em casos de diagnóstico de cânceres metastáticos, que demandam um tratamento mais prolongado, ou em pessoas com esclerose lateral amiotrófica (ELA), mas também em situações em que outros cânceres mais agressivos, como o de pâncreas e ovário, que independem de um quadro de metástase, são rastreados.

”Os cuidados paliativos fazem parte de uma área da medicina voltada para qualidade de vida de pacientes com doenças raras e crônicas, mas que potencialmente ameacem a vida”, explica Carriço.

Numa equipe multidisciplinar, o profissional paliativista atua como um gestor, atuando de maneira conjunta com fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e outros especialistas.

”Precisamos dessa equipe multidisciplinar para poder tornar a vida do paciente a melhor possível, diante dessa doença que ele tem”, elenca a médica.

Além da qualidade de vida, intervenções como quimioterapias, radioterapias e cirurgias, que comumente apresentam efeitos colaterais como náuseas, dores e outros desconfortos, podem ter os sintomas reduzidos através desta forma de assistência.

Renata avalia que, apesar desta ser uma área crescente, ainda é muito recente, o que faz com que os próprios médicos tendam a só indicar em último caso. ”Quando eu estudei Medicina, e não faz tanto tempo assim, eu não tive nenhuma aula de cuidados paliativos durante o curso. Se você não faz uma formação de cuidados paliativos desde os estudantes de Medicina, é como se você não estudasse cardiologia, ou nefrologia. Os estudantes saem da faculdade sem saber sobre uma área completa, o que dificulta muito, porque eles não vão saber indicar o início do tratamento paliativo. E a gente precisa de indicação de outros profissionais para começar a atuar nos casos”, 

Ao longo do tempo em que trabalha com pacientes nesta situação, a médica diz observar um comportamento diferente nos atendidos durante o processo. “É muito comum ver gente se redimindo de rixas históricas, por exemplo. É com os cuidados paliativos que a gente conhece a essência do ser humando, porque junto da morte ou perante ela não há espaço para a falsidade ou até mesmo para a política”, avalia.

O processo humanizado, destaca ela, faz com que o paliativista tenha uma certa implicação com a história da pessoa atendida. ”Você entra na vida da pessoa e passa a fazer parte da dinâmica familiar do paciente. Isso de maneira muito complexa”, aponta. Do Bahia Notícias

 

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