Largados por Bolsonaro contra pandemia, prefeitos e governadores assumem monopólio de defesa da vida

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Rui Costa e ACM Neto unem forças na capital. Foto: Divulgação

A dicotomia criada pelo presidente Jair Bolsonaro entre a economia e a vida, provocada por sua recusa em aceitar o isolamento social como medida fundamental para evitar a disseminação do coronavírus, tem sido utilizada por governadores e prefeitos para mostrar seu compromisso com a população.

Largados sozinhos pelo governo federal na tarefa de enfrentar a pandemia, eles assumiram em Estados e municípios a responsabilidade das ações contra a doença, em muitos casos superando divergências políticas para adotar medidas contra a expansão da pandemia que ameaça de colapso todo o sistema de saúde do país.

Na Bahia, por exemplo, onde ontem pela primeira vez na história concederam uma coletiva virtual conjunta, exatamente para anunciar suas ações contra o coronavírus, o governador Rui Costa (PT) e o prefeito ACM Neto (DEM) fizeram questão de destacar que a prioridade deles é com a vida das pessoas.

Em diversas oportunidades na entrevista, os dois enfatizaram que seu interesse era preservar o bem maior da população. Ao recorrer ao Twitter para explicar que nos anúncios de ontem não decretara um lockdown, como a imprensa especulara, o prefeito voltou a relacionar as decisões tomadas seguido de uma frase:

”Nosso maior compromisso é preservar vidas”. Também nas redes sociais para destacar a distribuição de máscaras nas estações do metrô, onde a partir de hoje o uso do equipamento se tornou obrigatório, Rui fez questão de lembrar o que já havia dito ontem no encontro com o prefeito e a imprensa.

”Só vamos vencer esta guerra contra o #coronavirus juntos”, tuitou o governador, que, junto com o prefeito de Salvador, tem utilizado o mesmo argumento adotado por outros gestores municipais e estaduais no país para defender as medidas restritivas impostas à população para conter o avanço da doença.

Foi o caso, por exemplo, ontem, do prefeito Bruno Covas (PSDB) e do governador de São Paulo, João Dória Jr., que adotaram restrições ainda mais radicais para o Estado e a capital paulista como forma de conter a expansão do número de casos da doença que chegou a um patamar preocupante.

Embora venham todos igualmente acrescentando às ações pelo isolamento outras medidas de caráter social, como distribuição de máscaras e cestas básicas e até de recursos para trabalhadores informais e sem tetos, suprindo muitas vezes lacunas do governo federal, eles resolveram se apegar à idéia de que sua preocupação principal é com a vida.

Assim, fazem contraposição à figura do presidente Jair Bolsonaro, que acaba sempre em seus discursos e pronunciamentos ressalvando sua atenção para com o desastre econômico que as medidas restritivas de Estados e municípios estão causando no país.

Alguns chegam a argumentar que, por ter percebido que perdeu o discurso para os gestores estaduais e municipais de preocupação com a vida, os quais, em função das iniciativas que vêm tomando, não podem ser acusados de negligência, o presidente teria feito a marcha de ontem até o STF, na tentativa de jogar no colo do Supremo Tribunal Federal a responsabilidade pelo caos econômico, contra o qual seu esforço é acusado de meramente retórico, sem a contrapartida de ações que mostrem seu verdadeiro empenho em tirar o país da crise. Com informações do site Política Livre

 

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