Espanhóis chamam SUS brasileiro de “milagre” e gastam 6x mais com saúde

Jorge Solla participa de missão especial sobre saúde. Foto: Divulgação

Conhecer o sistema de Saúde Pública da Espanha e estudar as experiências daquele país que podem colaborar com o Sistema Único de Saúde (SUS). Com este objetivo, o deputado Jorge Solla (PT-BA) participa de missão oficial da Câmara de Deputados que visita o ministério da Saúde espanhol, em Madrid. ”Quando levamos os dados do Brasil, que destina cerca de 430 dólares por habitante ao ano para a Saúde Pública, eles chamaram nosso SUS de ”milagre”. Na Espanha, com os custos muito parecidos – porque são globais – de equipamentos e medicamentos a recursos humanos, o gasto por cidadão é seis vezes maior, de mais de 2,6 mil dólares por habitante”, destaca Solla. Planilhas disponibilizadas pelo governo espanhol detalham ainda que lá a população paga um percentual do medicamento retirado nas farmácias públicas e percentual do custo com órtese e prótese. ”A marcação de consulta com especialistas tem média de espera de 58 dias. Cirurgias eletivas de 104 dias. Se tivéssemos metade do financiamento que eles têm faríamos uma revolução no Brasil”, completou. O petista faz parte de uma comitiva de cinco deputados Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara que cumpre agenda em Madrid com autoridades espanholas para debater o marco regulatório e os modelos de financiamento e carteira de serviços da Saúde Pública.

TRÂNSITO PARA DESAFOGAR SUS

Entre as políticas adotadas na Espanha que desafogaram o sistema de saúde público de lá, está a de tolerância zero para os acidentes de trânsito. Em 1992, morriam ao ano cerca de 6 mil pessoas vítimas de acidente de trânsito. Hoje, menos de 2 mil pessoas morrem ao ano por este motivo, numa média de 4,3 por cada 100.000 habitantes/ano – no Brasil, temos 40 mil mortes no trânsito por ano para 200 milhões de habitantes – 20 mortes para cada 100 mil hab/ano. ”Eles avaliam que o rigor na fiscalização com multas e apreensão da habilitação, além da grande melhoria na qualidade das estradas, foram determinantes para reduzir estes acidentes, que geravam forte pressão de gastos no sistema de saúde. Esse é um ponto em que temos muito que aprender”, salientou Solla.