Empresário dono de imóvel cedido aos Vieira Lima se disse surpreso com dinheiro encontrado

/ Bahia

O empresário Silvio Antonio Cabral da Silveira, proprietário do apartamento em Salvador onde em setembro do ano passado foram encontrados R$ 51 milhões atribuídos ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, disse que esperava encontrar no imóvel livros e quadros, mas se surpreendeu quando viu na Polícia “um bocado de mala cheia de dinheiro”. Testemunha de acusação da Procuradoria Geral da República, Silveira deu novos detalhes sobre o empréstimo do apartamento em depoimento prestado há menos de um mês a um juiz auxiliar do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal. O empresário reforçou que não sabia que o apartamento seria usado para guardar dinheiro. E assim que foi deflagrada a Operação Tesouro Perdido, da Polícia Federal, que descobriu o dinheiro, ele se apresentou espontaneamente à PF. “Eu fui na Polícia Federal sem chamamento nenhum, sem advogado, sem ninguém saber o que era, certo de quê? De que tinha livros, quadros, alguma coisa desse tipo. Quando cheguei lá para surpresa minha tinha lá na Polícia Federal um bocado de mala cheia de dinheiro”, declarou. A TV Globo teve acesso ao vídeo do depoimento em que o empresário, sócio do prédio onde fica o apartamento, diz que cedeu o imóvel ao deputado Lúcio Vieira Lima (MDB) sem formalizar o empréstimo. Questionado se formalizou em algum documento que iria emprestar o apartamento ao deputado, Silvério respondeu: “Nada, nada foi formalizado”. Ele também reafirmou que cedeu o apartamento a pedido de Lucio Vieira Lima. Segundo o empresário, o deputado informou, à época, que precisava do local para guardar os pertences do pai falecido. Silvio Silveira acrescentou, no depoimento, que o acerto para o empréstimo foi feito na sede do MDB (na época PMDB), em Salvador. “Quando houve a morte do pai dele, fui ao PMDB prestar solidariedade a Lucio. Fui embora. Uns 15 ou 20 dias depois, ele me chamou para ir no partido e queria bater papo comigo”, declarou. Ele também informou que o deputado já sabia de antemão que havia dificuldades para se vender o imóvel. “Ele sabia da dificuldade que nós estávamos de vender os apartamentos e me perguntou se eu podia emprestar alguma unidade a ele. Eu disse que não tinha problema nenhum, eu ia perguntar ao sócio majoritário, mas acho que não tem nenhum problema. O apartamento (unidade 201) acabou sendo vendido. E as malas e caixas que estavam nele foram transferidas para o 202”, afirmou no depoimento. No processo que tramita no STF são réus o ex-ministro Geddel Vieira Lima; o irmão, deputado Lucio Vieira Lima; Marluce Vieira Lima, mãe de Geddel e de Lúcio; Job Ribeiro, ex-assessor de Lúcio Vieira Lima; e Luiz Fernando Costa Filho, sócio da empresa Cosbat. Eles são acusados dos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa.

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