Conselho de Ética da Câmara adia depoimento de ex-assessor de Lúcio por receio de baixo quórum

/ Política

Irmãos Lúcio e Geddel Vieira são investigados. Foto: Agência Câmara

O presidente do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, Elmar Nascimento (DEM-BA), disse nesta quinta-feira (9) ao G1 que decidiu adiar o depoimento de Job Ribeiro Brandão, ex-assessor do deputado Lúcio Vieira Lima (MDB-BA), por receio de ”baixo quórum” na semana que vem em razão das campanhas eleitorais. O depoimento estava marcado inicialmente para a próxima terça (14). Job Ribeiro deverá ser ouvido na condição de testemunha, em data ainda a ser agendada, no processo que pede a cassação de Lúcio Vieira Lima no caso dos R$ 51 milhões apreendidos pela Polícia Federal dentro de malas e caixas de papelão em um apartamento em Salvador. Lúcio é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa. O ex-assessor legislativo teve as digitais encontradas em parte do dinheiro. A polícia investiga se as malas pertenciam ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB-BA), irmão de Lúcio. Os investigadores também identificaram digitais de Geddel no dinheiro. ”Um processo importante como esse não dá para ser com baixo quórum. Vamos ouvi-lo só eu e o relator? Não tem como instruir um processo complicado sem os deputados presentes. Fica parecendo que estamos fazendo as coisas às escondidas”, justificou Nascimento. Ao site G1, o advogado de Job Ribeiro, Marcelo Ferreira, disse que estava tudo acertado para o depoimento do ex-assessor na próxima terça e que faltava apenas a Câmara enviar a passagem aérea. Nascimento reconheceu que, devido ao calendário da Câmara antes das eleições, o depoimento poderá ficar para depois de outubro. O deputado do DEM disse que, na visão dele, o adiamento não gera desgaste à imagem do Conselho de Ética. ”Não, de jeito nenhum. Toca [o caso] depois da eleição e resolve”, enfatizou. Nos dois meses que antecedem as eleições, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidiu, em acordo com líderes partidários, convocar sessões somente em três semanas. A próxima semana será a segunda do chamado ”esforço concentrado”. Depois, haverá sessão de votação somente em uma semana de setembro. Nas demais semanas, os parlamentares estarão liberados para se dedicarem às campanhas em suas bases eleitorais.

Os comentários estão fechados.