Brasil chega a 150 mil mortos sem saber real dimensão da Covid-19, após 7 meses do 1º caso

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O número de mortos deixados pela Covid-19 no Brasil superou, neste sábado (10), 150 mil pessoas. Passados sete meses e meio desde o primeiro caso no país, contudo, a dimensão real da doença entre os brasileiros continua a ser uma incógnita.

Mesmo os primeiros pesquisadores que tentaram estimar o número total de pessoas infectadas, isto é, que tentaram descobrir a soroprevalência, a porcentagem de pessoas contaminadas, com ou ou sem sintomas, foram driblados pelo novo coronavírus.

A quantidade de anticorpos de quem foi infectado começa a diminuir depois de algumas semanas. Decai a ponto de testes em geral usados nessas pesquisas não captarem mais esses sinais de infecção. Depois de um tempo, uma pessoa um dia contaminada pode parecer que jamais foi invadida pelo novo coronavírus. Por esse motivo, provavelmente, essas primeiras grandes pesquisas indicaram estabilidade relativa ou queda da taxa de infecção desde junho: subestimaram o tamanho da epidemia.

O Brasil conta hoje mais de 150 mil mortes confirmadas, número que pode ser ainda maior. Mas sabe ainda menos sobre quantas pessoas foram infectadas. O número de casos confirmados oficialmente passa de 5 milhões.

Conhecer o tamanho da infecção pode ajudar a definir políticas de saúde, até de vacinação. Pode indicar em que altura uma certa porcentagem de infectados por si só leva à redução do número de novos casos, a chamada imunidade coletiva. A correção dessas pesquisas pode ser necessária para se descobrir se a infecção deixa as pessoas imunes ao vírus, por quanto tempo e com qual nível de resistência à doença. Mesmo sem anticorpos detectáveis, pode haver imunidade, mas, anticorpos não são garantia de proteção.

Novos estudos tentam corrigir a subestimativa. Nos testes feitos pela Prefeitura de São Paulo com amostras da população paulistana, a porcentagem de infectados variou entre 9,8% e 13,9% de julho a agosto. Essa variação pequena não é compatível com o número de doentes e de mortos. Trabalho de pesquisadores brasileiros publicado em setembro indica que a cidade de São Paulo poderia ter mais de 22% de infectados em agosto —o número de total de contaminados, portanto, seria 10 vezes o que aparece na conta oficial dos casos confirmados. Em Manaus, seriam até 66% os infectados, ante os 27,5% dos resultados ”sem correção”.

Os inquéritos sorológicos, como o da prefeitura paulistana e o Epicovid, nacional, tentam obter o número geral de infectados na população a partir do exame de uma amostra, de uma parte desse mesmo conjunto de pessoas. Os sorteados são examinados com os chamados testes rápidos, que detectam se há anticorpos em sangue coletado por uma picada no dedo.

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