A cidade de Augusto

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Ela é uma mas sempre foi muitas, tantas, numerosíssimas. Nasceu Laye, cidade ibérica conquistada no ano 133 antes de Cristo pelo romano Lúcio Cornélio Scipião, colônia romana nos tempos do imperador Augusto (de 27 antes de Cristo a 14 depois de Cristo), com o múltiplo, imperial e soberbo nome de Faventia Julia Augusta Paterna Barcino, a cidade de Augusto, dos Augustos como eu.

De Barcino para Barcelona foram séculos. Plantada sobre um pequeno monte, o Taber, em meio à planície entre os rios Bésos e Llobregat, às beiras do Mediterrâneo, protegida dos ventos norte pela serra da Collserola, a cidade cresceu na área que é hoje o Bairro Gótico onde se podem ver ainda as imponentes colunas do templo de Augusto, cercada de muralhas até o século IV quando foi ocupada pelos francos.

Ludovico Pio chega ao sul dos Pirineus e nasce o Condado de Barcelona quando se destaca Vifredo o Velloso (Guifré el Pilós) e a cidade se desenvolve permanentemente até a invasão de Almamzor (ano 985) que a arrasa e cuja independência só vai ser restabelecida com o Condado do Conde Borell II no ano 988:

– “O esplendoroso desenvolvimento de Barcelona acontece a partir do século XI com a união de Catalunha e Aragão. No século XII, Afonso I torna-se o primeiro conde rei. Jaime I, o conquistador, estende seu reinado até o sul, no reino de Valencia e através do Mediterrâneo com a conquista de Maiorca, criando a grande confederação Catalã-Aragoneza no século XIII, com as máximas obras arquitetônicas do gótico e as grandes instituições como o Código dels Usatges, que define a personalidade histórica da Catalunha e de Barcelona.”(“Escudo de Oro”)

Lá do alto de sua estátua, na praça ampla, olhando a avenida larga e o mar infinito, Cristovão Colombo é o herói universal que descobriu as Américas. Mas antes de voltar era “apenas uma anedota”. A partir dele é que veem a Exposição Universal de 1888 e a Exposição Internacional de 1929, até 1992 com os Jogos Olímpicos que definiram o novo urbanismo e a nova arquitetura da nova cidade.

Barcelona é símbolo de todos os mundos, do romano até hoje.

Neste primeiro de outubro de 2017, uma crise geopolítica abala a Espanha: o referendo pela independência da Catalunha venceu com 90% dos votos, segundo o governo catalão. Enquanto o presidente catalão diz que Catalunha ‘ganhou direito de ser um Estado’, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, não reconhece o resultado e diz que ‘não houve referendo’.

Apesar da proibição pela Justiça, mais de 2,26 milhões votaram no plebiscito e o “Sim” venceu com 90,09% (2.020.144 votos). O “Não” teve 7,87% (176.565 votos), votos em branco foram 2,03% (45.586) e nulos foram 0,89% (20.129).

Para o presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, a independência “agora não é um assunto interno da Espanha. É um assunto da União Europeia”.

Já o primeiro-ministro Mariano Rajoy foi contundente: “Não houve um referendo de autodeterminação da Catalunha. Nosso Estado de Direito mantém sua vigência. Não vimos qualquer tipo de consulta, senão uma mera encenação a mais contra a legalidade”.

O mundo está ansioso para saber o futuro da Catalunha, uma das 17 regiões autônomas da Espanha com quase 8 milhões de habitantes, e responsável por quase um quinto do PIB espanhol.

*Por Sebastião Nery

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