Final de semana violento em Jequié, com quatro pessoas assassinadas e outras duas baleadas

/ Jequié

IML registra alta movimentação no final de semana. Foto: BMFrahm

Pelo menos quatro pessoas morreram assassinadas em Jequié, entre sábado (12) e domingo (13). A onda de violência teve início por volta das 19h, no bairro KM 04, quando um homem foi morto a golpe de faca no abdômen e teria dado entrada após ser socorrido pelo SAMU na Unidade de Pronto Atendimento – UPA do Cansanção, onde faleceu.

Às 23h, no bairro Joaquim Romão, Diego Meira Santos, de 35 anos, foi alvejado com vários disparos de arma de fogo nas proximidades do Terminal Rodoviário de Jequié. Não resistindo aos ferimentos, à vítima foi a óbito no local, sendo acionada pela Polícia Militar uma equipe do Departamento de Polícia Técnica de Jequié, que providenciou o encaminhamento do corpo ao IML.

Já por volta da 00h13, dois homens foram mortos próximo a um bar, no bairro Cidade Nova. Ambos chegaram a ser socorridos por populares ao Hospital Geral Prado Valadares – HGPV, mas deram entrada na idade sem sinais vitais. Populares relataram que os atiradores estavam a bordo de um carro branco, que evadiu logo após os disparos. Outras duas pessoas teriam sido vítimas de arma de fogo durante a madrugada, na Cidade Sol. Na mesma região, do Médio Rio de Contas, o prioritário de uma distribuidora de bebidas foi morto a tiros no interior do estabelecimento as 19h30, no bairro Aparecida, as margens da BR-330, em Ipiaú.

A equipe da Polícia Técnica de Jequié foi chamada para realização dos serviços periciais e identificou o rapaz como Jan Carlos, de 44 anos. Uma testemunha foi atingida no pé e socorrido ao HGPV, em Jequié. De acordo com o registro da PM, uma dupla em uma motocicleta seria responsável pelo crime.

Empreiteira contratada pelo Governo da Bahia retoma obras que haviam sido paralisadas em Jaguaquara

/ Jaguaquara

Empresa JRV retomou obras. Foto: Rede social/Prefeitura

A empreiteira JVR, contratada pelo Governo do Estado através de processo licitatório para atender a solicitação da Prefeitura com pavimentação interligando a BR-420 a BA-545, abrangendo bairros da cidade, além da área central do Município e que teria paralisado os serviços iniciados no último mês de outubro retomou as obras neste sábado (12), na Ladeira do Maracás, bairro Muritiba, onde máquinas pertencentes a empresa estavam estacionadas desde a paralisação da execução.

Em rede social, a Prefeitura de Jaguaquara, através da sua assessoria, que não teria esclarecido a motivação da paralisação anunciou a retomada.

Ninguém acerta as seis dezenas da Mega-Sena e prêmio vai para R$ 10 milhões na quarta-feira

/ Esporte

A Caixa Econômica Federal sorteou, na noite deste sábado (12), o concurso 2538 da Mega-Sena e nenhuma aposta acertou as seis dezenas do prêmio principal, que pagaria R$ 4,8 milhões. Com isso, a estimativa é de que o próximo concurso, que será sorteado na quarta-feira (16), pague R$ 10 milhões ao ganhador principal. Os números sorteados foram: 06 -15 – 19 -20 – 33 – 52.

45 apostas chegaram bem perto e acertaram cinco dezenas. Cada um delas vai receber da Caixa R$ 58.352,66. Os 4.693 acertadores de quatro dezenas vão receber R$ 799,32 cada.

Pastora bolsonarista pede a ”esquerdistas” que não lhe peçam oração a crianças na UTI

/ Religião

Michelly se dirigiu aos ”crentes esquerdistas”. Foto: Reprodução

Uma pastora da Assembleia de Deus em Sorocaba, a 101 km de São Paulo, usou suas redes sociais para pedir a ”crentes esquerdistas” que não a procurarem para pedir orações a crianças com doenças graves ou mesmo internadas em UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Em vídeo compartilhado em suas contas no Instagram e TikTok, a pastora Michelly Bezerra se dirigiu especialmente aos ”crentes esquerdistas” que na eleição presidencial deste ano votaram em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que venceu a disputa contra Jair Bolsonaro (PL), que tentava a reeleição.

”Por favor, não me procurem mais pra pedir orações por crianças que estão em UTIs, crianças de seus amigos, sobrinhos ou sobrinhas que estejam correndo risco de vida”, disse no vídeo.

”Porque quem vota em quem é a favor de aborto, claramente diz que a vida de uma criança não é importante, nem necessária e nem vale nada”, completou. Depois da repercussão desfavorável, Michelly apagou as publicações e pediu desculpa ”se alguém se ofendeu”. ”Nunca foi a intenção”, disse.

Apoiadora ativa de Bolsonaro (PL) nas redes sociais, a pastora pediu em outro trecho do vídeo que quem votou em Lula também não pedisse orações para que ”Deus liberte seu sobrinho das drogas”. ”Porque legalizando a maconha, eu entendo que ele vai ter um incentivo para se drogar a vida inteira”, afirmou. As informações são do Bahia Notícias

 

Estudante tenta pular portão de colégio ao chegar atrasado para prova do ENEM no Rio

/ Educação

Todo ano o mesmo dilema se repete: será que é possível não se atrasar para prestar o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio)? Bom, ao que parece, entrar nos colégios antes das 13h continua sendo um desafio para alguns.

As provas acontecem em todo Brasil a partir das 13h30, horário de Brasília. Na Universidade Estadual do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), um rapaz chegou a tentar pular o portão do colégio para conseguir realizar o exame.

Influenciadora Sthe Matos detalha acidente de ônibus com Kevi Jonny: ”Um verdadeiro milagre”

/ Entretenimento

A influenciadora baiana, Sthefane Matos. Foto: Rede social

A influenciadora baiana, Sthefane Matos, explicou o que aconteceu com ela durante o acidente de ônibus sofrido na última sexta-feira (11), junto de seu namorado, Kevi Jonny. Em relato publicado neste domingo (13), a influencer afirmou que chegou a ter corpo arremessado e sofreu uma forte pancada na cabeça. Sthe afirmou que passa bem e que ainda aguarda pelo resultado dos exames.

”Estou podendo falar com vocês por um verdadeiro milagre. No acidente, fui arremessada para dentro do bagageiro do ônibus. Levei uma pancada muito forte na cabeça e nas costas e desmaiei. Ainda estou sentindo dores muito fortes e estou com dificuldade para me locomover”, relatou Sthe. Com informações do site Bahia Notícias

 

Após alta de casos, ministro da Saúde convoca brasileiros a se vacinarem contra a Covid-19

/ Saúde

Ministro Marcelo Queiroga. Foto: Walterson Rosa/MS

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, fez um apelo no sábado (12), em suas redes sociais, para que a população procure as salas de vacinação para receber as doses de reforço das vacinas contra a Covid. Na postagem, lembrou que mais de 69 milhões de brasileiros não tomaram a primeira dose de reforço. E que 32,8 milhões de pessoas poderiam ter recebido a segunda dose de reforço, mas ainda não se vacinaram.

O titular da Saúde escreveu ”Sabemos que as vacinas foram fundamentais para controlar a emergência de saúde provocada pela Covid-19”. Chamou a atenção também para os novos antivirais disponibilizados pelo Ministério da Saúde que, segundo Queiroga, “têm sido importantes para tratar um grupo específico de pacientes. Na publicação, não citou quais são esses medicamentos.

Ainda no sábado, uma nota técnica da Coordenação-Geral de Vigilância das Síndromes Gripais da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde alertou para o aumento do número de casos de Covid-19 e a circulação de novas linhagens da Variante de Preocupação ômicron, com ênfase nas sublinhagens BQ.1 e BA.5.3.1.

O texto fala dos dados epidemiológicos da doença no mundo e no Brasil, que indicam a necessidade de contínuo monitoramento epidemiológico do SARS-Cov 2. Segundo o levantamento, até 11 de novembro deste ano, são 34.908.198 casos e 688.656 óbitos acumulados de Covid-19 no país.

Na semana epidemiológica entre 6 e 11 de novembro, foram notificados 57.825 casos e 314 mortes por Covid pelas secretarias estaduais ao Ministério da Saúde.

Os números representam, segundo o documento, um aumento de 120% em relação à média móvel da semana anterior, que teve 3.834 notificações. Já o número de mortes diárias cresceu 28% na comparação entre os períodos. Nos últimos sete dias, até 11 de novembro, foram registrados 46 óbitos.

Vacina contra a pólio

Poucas horas após publicar o alerta sobre o aumento de casos de Covid e a necessidade de manter o esquema vacinal atualizado, o ministro Marcelo Queiroga também fez uma postagem sobre a vacinação contra a poliomielite.

”Semanas atrás eu disse que ‘furaria as solas dos sapatos’ andando pelo Brasil para incentivar pais, mães, avós e responsáveis a vacinarem seus filhos contra a poliomielite. Incansável, sigo firme nessa luta para impedir que a Pólio volte a registrar casos no nosso Brasil.”, escreveu Queiroga.

Deputado federal reeleito, Leur Lomanto Jr prega independência do União Brasil na Câmara

/ Brasília

Leur Lomanto Jr. foi reeleito federal. Foto: Rede social

O deputado federal Leur Lomanto Jr. defendeu hoje (12/11) que o União Brasil siga independente, em relação ao Governo Federal, na Câmara dos Deputados. Leur Jr. considerou que o partido precisa ter uma posição mais livre para avaliar o que for melhor para o País. Nos últimos dias surgiram notícias na imprensa nacional sobre uma possível articulação do União com outros partidos, visando a formação de uma base de sustentação ao Governo Federal.

”Como parlamentar reeleito pelo União Brasil posso dizer que esse tema não foi discutido com os parlamentares, mas defendo que o partido tenha autonomia para dialogar sobre os temas que sejam importantes para o Brasil. Que o União Brasil contribua com as pautas que julgar serem positivas, mas também tenha liberdade para criticar e discordar das propostas que venham a prejudicar o país e que sejam divergentes aos seus princípios e bandeiras”, opinou.

 

Flordelis é condenada a 50 anos de prisão pelo homicídio do pastor Anderson do Carmo

/ Justiça

A ex-deputada Flordelis foi condenada a 50 anos. Foto: Uol

A ex-deputada Flordelis foi condenada a 50 anos e 28 dias pelo homicídio do pastor Anderson do Carmo, em junho de 2019. A pastora foi condenada por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio duplamente qualificado, além uso de documento falso e associação criminosa armada.

Simone dos Santos Rodrigues, filha biológica de Flordelis, foi condenada a 31 anos e 4 meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio duplamente qualificado e associação criminosa armada.

Rayane dos Santos, neta biológica da ex-deputada e Marzy Teixeira e André Luiz de Oliveira, filhos adotivos de Flordelis, foram inocentados.

A decisão foi tomada pela 3ª Vara Criminal de Niterói após mais de seis dias de julgamento em júri popular. G1

Ministro de Bolsonaro anuncia apoio a PEC da Transição com espaço fiscal para 1º ano de governo

/ Política

Ministro da Casa Civil e cacique do PP, Ciro (PP-PI). Foto: Reprodução

O ministro da Casa Civil e cacique do PP, Ciro Nogueira (PP-PI), afirmou neste domingo (13) que é a favor da aprovação da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Transição, que visa garantir o pagamento do Auxílio Brasil (que voltará a se chamar Bolsa Família) de R$ 600.

Nogueira, que é ministro do presidente Jair Bolsonaro (PL) e retomará o mandato de senador em 2023, também disse que é favorável a incluir o aumento real do salário mínimo na proposta. Ele afirmou, no entanto, que o projeto tem que servir para retirar do teto de gastos apenas os custos desses benefícios sociais relativos ao primeiro ano de governo.

A intenção da equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no entanto, é aprovar uma PEC que deixe os gastos com o Bolsa Família de fora do teto por ao menos quatro anos.

”O posicionamento que defenderei no Progressistas é o de aprovar uma PEC, sim, mas para a transição, para garantir estabilidade para o primeiro ano do governo”, afirmou Nogueira, um dos nomes mais influentes do PP, por meio de nota.

E completou: “O Congresso atual, que sai, não pode cassar a prerrogativa do novo, que chega legitimado pelo povo nas urnas e ainda nem assumiu. Não pode chancelar decisões dos próximos quatro anos no apagar das luzes”. O ministro também descartou a possibilidade de outros custos serem incluídos na proposta que deve ser votada no Congresso ainda neste ano.

”A PEC da Transição, como o próprio nome diz, é para a transição. Deve garantir somente os pontos comuns das duas candidaturas: R$ 600 de auxílio e aumento real do salário mínimo em 2023”, afirmou. O senador eleito Wellington Dias (PT-PI), representante da equipe de transição do governo Lula para o Orçamento, porém, afirmou na sexta-feira (11) que a ideia é retirar o Bolsa Família do teto por ao menos quatro anos e que seria excluído do limite de gastos R$ 175 bilhões somente em 2023.

”Você tem no Orçamento uma previsão de R$ 105 bilhões. Você tem a necessidade de R$ 52 bilhões para colocar mais R$ 200 acima dos R$ 400 que estavam previstos, e precisa de mais R$ 18 bilhões para garantir o [benefício de R$ 150] das crianças, garantir o dinheiro para as famílias que têm crianças. São R$ 175 bilhões fora do teto”, disse.

Na nota, Ciro Nogueira aproveitou para criticar o projeto econômico do governo eleito.”Todos os parlamentares que compõem a base do atual governo e apoiam uma agenda econômica diametralmente oposta à que foi eleita e ainda é desconhecida nos detalhes têm o direito de se posicionar livremente’.

Matheus Teixeira / Folhapress

Encolhendo e em crise, classe C vira motor do bolsonarismo; por Fernando Canzian / Folhapress

/ Brasil

No estado natal de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Santa Cruz do Capibaribe foi a única entre as 185 cidades pernambucanas a dar vitória a Jair Bolsonaro (PL). O presidente bateu Lula por 52% a 48% no município. No estado, o petista venceu por 67% a 33%.

Com 111,8 mil habitantes e a 186 km do Recife, Santa Cruz do Capibaribe, visitada pela Folha há alguns anos, é um dinâmico centro de empreendedorismo baseado na ”sulanca”, originalmente tecidos de helanca vindos da região Sul e utilizados por centenas de pequenas confecções e comerciantes.

É o segundo maior polo de confecções do Brasil (atrás de São Paulo), reunido no Moda Center Santa Cruz, um gigantesco mercado que atrai compradores e revendedores de vários estados.

Dados do IBGE de 2020 para o município permitem estimar que famílias com duas ou três pessoas trabalhando em Santa Cruz do Capibaribe têm renda média entre R$ 3.100 e R$ 4.700.

Embora não exista um consenso entre institutos e pesquisadores sobre os parâmetros para a divisão de classes no país, critérios utilizados por diferentes consultorias inserem essa faixa de renda na chamada classe C.

Análise do resultado da eleição de 30 de outubro sugere que a classe C foi crucial para a votação expressiva de Bolsonaro, que acabou perdendo para Lula por apenas 2,1 milhões de votos, margem mais apertada em pleitos presidenciais desde a redemocratização.

Com poucas exceções, estados onde a classe C é relativamente maior deram vantagem ao presidente. Na contramão, onde a classe D/E predomina, Lula se saiu melhor.

Pesquisa Datafolha na véspera do segundo turno indicou que a maioria (51%) dos eleitores com renda familiar entre 2 e 5 salários mínimos votariam em Bolsonaro (ante 42% em Lula).

A grande maioria desses eleitores pesquisados pertencia à classe C, segundo critério da consultoria Plano CDE, que estabelece renda familiar entre R$ 2.030 e R$ 6.125 para esse grupo.

Já o petista tinha 55% das preferências, segundo o Datafolha, entre famílias com renda até dois salários mínimos –em sua maioria membros da classe D/E, segundo critério da Plano CDE (renda abaixo de R$ 2.030).

As classificações seriam aproximadamente as mesmas pelos critérios da consultoria Tendências. A classe C é a mais numerosa no Brasil, com 95,6 milhões de pessoas. A classe D/E agrega outros 70,5 milhões e a A/B, 46,4 milhões, segundo a Plano CDE.

Especialistas em classes sociais e em ciência política dizem que é possível inferir que membros da classe C -como os eleitores de Santa Cruz do Capibaribe- demonstraram maior preferência por Bolsonaro por conta de seu discurso pró-empreendedorismo e defesa de um Estado que interfira menos na vida das pessoas.

”Dados da POF [Pesquisa de Orçamentos Familiares, do IBGE] mostram que, na classe C, 60% dos trabalhadores têm renda variável, com predominância na informalidade. O discurso do presidente por um Estado que não deve atrapalhar tem mais aderência nesse pessoal batalhador. Eles acreditam em progredir mais por méritos próprios”, afirma Maurício de Almeida Prado, antropólogo e diretor-executivo da Plano CDE.

Segundo Prado, pesquisas qualitativas revelam que esse segmento tem um discurso mais individualista, e guarda um sentimento de insatisfação alimentado pela combinação de crise econômica no biênio 2015-2016, baixo crescimento desde então e escândalos de corrupção nos governos do PT.

Ironicamente, foi nos anos Lula (2003-2010) que a classe C expandiu-se rapidamente. Segundo dados da FGV Social daquele período, quanto mais pobre, maior foi o aumento na renda, o que contribuiu para a travessia de muitos brasileiros da classe D/E para a C. Em 2010, o então Ministério da Fazenda estimou que 25 milhões de pessoas haviam feito esse percurso.

Nos últimos dez anos, no entanto, a classe C encolheu, segundo cálculos da Tendências. Neste ano, 28,8% dos domicílios fazem parte dela, ante 32,6% em 2012. Na contramão, a classe D/E aumentou de 48,7% dos domicílios para 55,4% -levando, inclusive, ao aumento da taxa de brasileiros na extrema pobreza.

Ao contrário da classe D/E, que sempre dependeu de serviços públicos e é, ao menos em sua base, atendida por programas sociais, a classe C vem perdendo renda e se precarizando há dez anos -ficando cada vez mais distante, por exemplo, de planos de saúde e escolas particulares. ”Há um forte sentimento de frustração nesse segmento”, diz Prado.

Para Rafael Cortez, cientista político da Tendências, o aumento da informalidade no Brasil (40% dos trabalhadores hoje) também reforça o sentimento pró-livre iniciativa de eleitores mais à direita, que acabam vendo o Estado como um empecilho burocrático e cobrador de impostos.

”Esse componente, que já era estrutural, acabou se tornando também conjuntural com a pandemia, e foi muito bem explorado por Bolsonaro. O ‘fica em casa, a economia a gente vê depois’, repetido pelo presidente, teve forte apelo entre esses eleitores, que dependem da informalidade para ganhar a vida”, diz.

Fernando Veloso, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, concorda que a elevada informalidade na classe C pode ter levado seus membros a simpatizarem mais com o discurso do empreendedorismo, e a favor de uma certa estabilidade macroeconômica, preconizado por Bolsonaro.

”Se nos anos 2000 eles passaram por um processo de ascensão social, houve enorme frustração a partir da recessão de 2015-2016, associada aos escândalos de corrupção do PT, em um contexto em que eles não dispõem de mecanismos de proteção social. Isso os torna mais sensíveis a esse discurso empreendedor”, diz.

Cortez, da Tendências, afirma ainda que Bolsonaro também foi habilidoso ao agregar vários simbolismos contrários à esquerda, reunindo eleitores que, em eleições passadas, votavam em candidatos do PSDB contra o PT.

O sociólogo e cientista político Antonio Lavareda lembra que o total de votos em Bolsonaro neste ano (49,1%) foi muito próximo ao obtido por Aécio Neves em 2014 (48,4%).

Segundo ele, os eleitores já vinham se deslocando para a direita desde as eleições para prefeitos e vereadores de 2012. Apesar da vitória apertada da petista Dilma Rousseff contra Aécio em 2014 (com vantagem de 3,4 milhões de votos), o Congresso eleito à época já reforçara esse perfil.

”Nos últimos anos, houve também uma relação causal na cabeça de muitos eleitores entre a corrupção apontada pela Lava Jato e o empobrecimento da sociedade. Essa é a grande explicação para a força do bolsonarismo.”

Para Lavareda, apesar da derrota, Bolsonaro soube explorar esse sentimento difuso, com o discurso pró-livre iniciativa, de ”tirar o Estado das costas dos produtores”.

”Mas ele também indicou um tipo de liberdade que muitos desejavam: de minerar e desflorestar a Amazônia, de explorar a força de trabalho mais pobre e de empresariar com algum nível de sonegação”, afirma.

*por Fernando Canzian / Folhapress