Apenas 1 dos 74 candidatos que concorreram com o nome Bolsonaro foi eleito

/ Eleições 2020

Somente 1 dos 74 candidatos que disputaram as eleições de domingo (15) usando na urna o nome ”Bolsonaro” foi eleito. Apenas Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), conseguiu uma vaga e renovará seu mandato na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Ele teve 71 mil votos e foi o segundo com maior votação na cidade. Ainda assim, teve cerca de 35 mil votos a menos que em 2016, quando foi o campeão na capital do estado.

Já Rogéria Bolsonaro (Republicanos), mãe dos três filhos mais velhos do presidente, se candidatou a vereadora no Rio, teve apenas 2.034 votos e ficou longe de conseguir se eleger, ocupando a 209ª posição.

Dos 74 candidatos que usaram o sobrenome do presidente, 72 concorreram ao cargo de vereador. Havia ainda dois que tentavam a prefeitura: Marcos Bolsonaro (PSL), em Jaboticabal (SP), e Osmar Bolsonaro (PP), em Várzea Paulista (SP).

O estado com maior número de ”Bolsonaros” foi São Paulo, com 20, seguido do Rio, com 6.
Nestas eleições, nenhum de apoiados pelo presidente ou que buscaram se associar a ele conseguiram vencer em cidades importantes.

Rui cai em campo em Conquista para ajudar Zé Raimundo e articula em Feira por Zé Neto

/ Eleições 2020

Zé Neto disputa o 2º turno em Feira de Santana. Foto: Divulgação

O fracasso do PT na disputa pela Prefeitura de Salvador, debitado por aliados integralmente em sua conta, mobilizou o governador Rui Costa em torno das eleições em Feira de Santana e Vitória da Conquista.

Nos dois municípios, o PT disputa o segundo turno com prefeitos que tentam a reeleição. Em Feira de Santana, o petista Zé Neto, que teve a sua melhor performance eleitoral na cidade, tenta vencer Colbert Martins Filho (MDB).

Em Conquista, o também emedebista Hérzem Gusmão enfrenta Zé Raimundo, do PT. Rui já foi a Conquista e conversou diretamente com dirigentes e lideranças de partidos que poderiam apoiar o petista na cidade.

Em Feira de Santana, é aguardado por Zé Neto para promover o mesmo tipo de articulação. Na visita a Conquista, segundo relatos, saindo de sua postura tradicional, o governador teria se ‘esforçado’ por apoio.

”O governador caiu na real de que precisamos ganhar as eleições nestas duas cidades, se Jaques Wagner quiser ter chances de voltar ao governo”, diz um petista, animado com a posição assumida pelo governador.

”Brasil já enfrenta segunda onda da Covid-19”, avalia pesquisador de faculdade de Medicina

/ Saúde

Responsável pelo Laboratório de Inteligência em Saúde (LIS) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, o pesquisador Domingos Alves é taxativo ao afirmar que ”o Brasil já está na segunda onda de Covid-19”.

Domingos também é um dos responsáveis pelo portal Covid-19 Brasil, que reúne dezenas de especialistas de diferentes áreas em torno da produção de estatísticas e análises da propagação do novo coronavírus no país.

A avaliação do especialista é de que o Brasil, assim como os Estados Unidos e a Europa, está vivendo um nova onda de contágios. A afirmação se baseia na evolução da taxa de reprodução (Rt) do coronavírus no país, que indica que a pandemia voltou a crescer por aqui.

A é calculada com base no aumento de novos casos e permite saber quantas pessoas são contaminadas por alguém que já está infectado. Se o índice fica acima de 1, isso indica que a pandemia está se expandindo. Quando está abaixo, é um sinal de que a pandemia está perdendo intensidade.

No caso do Brasil, a taxa era de 1,12 em 16 de novembro, de acordo com o Observatório de Síndromes Respiratórias da Universidade Federal da Paraíba, conforme reportagem da Folha.

Isso significa que 100 pessoas irão infectar outras 112, que, por sua vez, irão infectar outras 125. Assim, a epidemia brasileira cresce exponencialmente.

Na mesma data, a Rt estava acima de 1 em 20 Estados (Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins) e no Distrito Federal.

Alves também analisou a média móvel da Rt, que é calculada com base nos 14 dias anteriores. Neste caso, em 16 de novembro, o valor no Brasil era de 1,06. Na mesma data, a média móvel da Rt estava acima de 1 em 16 Estados (Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e São Paulo).

A média móvel da Rt do Brasil está acima de 1 desde o dia 11 de novembro. Ou seja, há quase uma semana. O índice não ultrapassava esse patamar desde o dia 10 de agosto.

Em outras palavras, depois de três meses de contração, a pandemia voltou a crescer no país, caracterizando a segunda onda identificada por Alves.

Anvisa envia técnicos a China e prevê aval a fábricas de vacinas até janeiro de 2021

/ Saúde

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) enviou técnicos à China para inspecionar as fábricas que devem fornecer insumos a dois dos principais envolvidos na corrida por um imunizante no Brasil contra a Covid-19: o Instituto Butantan e a farmacêutica AstraZeneca.

A previsão da agência é que a análise, que visa conferir às empresas o certificado de boas práticas, necessário para que as vacinas sejam aprovadas no Brasil, seja concluída até o fim de dezembro ou o início de janeiro de 2021. O prazo foi informado em uma reunião com jornalistas nesta quarta-feira (18).

A agência, porém, deve trabalhar para que todo o processo ocorra rapidamente, o que pode mudar essas datas, segundo o gerente de fiscalização da Anvisa, Ronaldo Ponciano.

“Depois do fim da inspeção, vai levar cerca de 25 dias úteis para ter conclusão final? Não. Esses são os prazos máximos da agência [início de janeiro]. Executaremos no menor prazo possível”, diz ele.

Para fazer a análise, um grupo de técnicos embarcou à China na última semana e deve ficar 14 dias de quarentena em um hotel, conforme exigido pelo país nas regras contra a Covid-19.

A primeira inspeção está marcada para ocorrer na fábrica da Sinovac, que mantém uma parceria com o Butantan para desenvolver a vacina Coronavac. A visita deve ocorrer de 30 de novembro a 4 de dezembro.

Já entre 7 e 11 de dezembro a agência deve fazer uma inspeção na sede da Wuxi Biologics, que fornece insumos à AstraZeneca, que desenvolve uma vacina em parceria com a Universidade de Oxford (Reino Unido).

Essas duas vacinas estão na terceira e última fase de testes clínicos, os quais são realizados também no Brasil.

Ambas também são consideradas as mais prováveis de serem oferecidas mais cedo no país, já que envolvem acordos assinados com o governo brasileiro, inclusive de transferência de tecnologia para laboratórios públicos no país.

Segundo Ponciano, o objetivo das inspeções é verificar se as fábricas cumprem as normas brasileiras para fabricação de insumos. O aval envolve ainda a análise de documentos e a entrega de relatórios para resposta das empresas após a visita. Se estiver tudo certo, as empresas recebem o certificado de boas práticas, que é necessário para que haja o registro da vacina.

“Todas as principais agências sanitárias utilizam essa mesma regulamentação”, afirma Ponciano. E, segundo ele, a agência já fez 43 visitas internacionais com o mesmo objetivo nos últimos dois anos. “Não se trata de situação excepcional que está ocorrendo neste momento, mas de situação ordinária.”

O processo, porém, recebe mais atenção devido à expectativa por uma vacina contra a Covid e um possível impacto na análise de pedidos de registro.

Segundo Ponciano, de 4% a 20% dos pedidos de certificação são negados em geral. As empresas recebem um relatório com possíveis “inconformidades” e há um prazo para adequação.

Ainda de acordo com ele, a Anvisa mandou um ofício para todas as fabricantes com testes no Brasil ainda em agosto. O início das inspeções com as fábricas que fornecem insumos ao Butantan e à AstraZeneca ocorre agora porque não houve outros pedidos até o momento. Outras empresas, no entanto, ainda podem solicitar a análise.

A necessidade de visita ao país é verificada conforme cada caso. Um dos critérios, por exemplo, é se há uma análise prévia por outra agência vinculada às mesmas regras, o que não existia até o momento nos dois casos, diz.

Em uma tentativa de rebater suspeitas de interferência na agência, Ponciano diz ainda que a certificação cabe apenas à área técnica.

Nos últimos dias, a decisão da agência por suspender temporariamente estudos da vacina do Butantan foi vista com desconfiança após o presidente Jair Bolsonaro comemorar a medida nas redes sociais. A agência, porém, nega que tenha ocorrido interferência externa na decisão.

REGRAS PARA ACELERAR REGISTRO DE VACINAS
Em outro passo na corrida por vacinas, a Anvisa publicou nesta quarta-feira (18) um documento com regras que permitem acelerar a análise para registro de imunizantes no país.

Na prática, a medida oficializa um processo que já estava em vigor nos últimos meses, o qual permite que empresas antecipem dados de estudo à agência ainda antes do pedido oficial de registro.

O procedimento é chamado de submissão contínua. Atualmente, duas empresas já fazem parte desse processo: AstraZeneca e Butantan. As regras foram publicadas no Diário Oficial da União.

Em nota, a Anvisa diz que a medida “possibilitará acelerar a disponibilização à população brasileira de vacinas contra o novo coronavírus.”

‘De acordo com o procedimento de submissão contínua, os dados técnicos deverão ser encaminhados à Anvisa conforme forem gerados. Assim sendo, as empresas interessadas no registro de vacinas não precisão ter em mãos todos os documentos reunidos para apresentá-los à agência”.

A Anvisa informa ainda que o mesmo processo já foi usado por outras agências internacionais, como as dos Estados Unidos, da Europa e da China. Apesar de facilitar o processo por permitir o envio antecipado de documentos, o modelo, no entanto, não muda as exigências que já ocorrem para registro de vacinas, que inclui comprovação de segurança, eficácia e de qualidade em testes clínicos, aponta.

Bahia registra 2.071 novos casos de Covid-19 nas últimas 24 horas, diz boletim da SESAB

/ Bahia

Na Bahia, nas últimas 24 horas, foram registrados 2.071 casos de Covid-19 (taxa de crescimento de +0,6%) e 1.423 recuperados (+0,4%). Dos 377.445 casos confirmados desde o início da pandemia, 362.017 já são considerados recuperados e 7.415 encontram-se ativos. A base de dados completa dos casos suspeitos, descartados, confirmados e óbitos relacionados ao coronavírus está disponível em https://bi.saude.ba.gov.br/transparencia/.

Para fins estatísticos, a vigilância epidemiológica estadual considera um paciente recuperado após 14 dias do início dos sintomas da Covid-19. Já os casos ativos são resultado do seguinte cálculo: número de casos totais, menos os óbitos, menos os recuperados. Os cálculos são realizados de modo automático.

Os casos confirmados ocorreram em 417 municípios baianos, com maior proporção em Salvador (25,33%). Os municípios com os maiores coeficientes de incidência por 100.000 habitantes foram: Ibirataia (9.019,07), Itabuna (6.756,31), Madre de Deus (6.741,57), Almadina (6.698,39), Aiquara (6.590,19).

O boletim epidemiológico contabiliza ainda 775.117 casos descartados e 91.757 em investigação. Estes dados representam notificações oficiais compiladas pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde da Bahia (Cievs-BA), em conjunto com os Cievs municipais e as bases de dados do Ministério da Saúde até as 17 horas desta quarta-feira (18).

Na Bahia, 30.255 profissionais da saúde foram confirmados para Covid-19. Para acessar o boletim completo, clique aqui ou acesse o Business Intelligence.

Óbitos
O boletim epidemiológico de hoje contabiliza 24 óbitos que ocorreram em diversas datas, conforme tabela abaixo. A existência de registros tardios e/ou acúmulo de casos deve-se a sobrecarga das equipes de investigação, pois há doenças de notificação compulsória para além da Covid-19. Outro motivo é o aprofundamento das investigações epidemiológicas por parte das vigilâncias municipais e estadual a fim de evitar distorções ou equívocos, como desconsiderar a causa do óbito um traumatismo craniano ou um câncer em estágio terminal, ainda que a pessoa esteja infectada pelo coronavírus.

O número total de óbitos por Covid-19 na Bahia desde o início da pandemia é de 8.013, representando uma letalidade de 2,12%. Dentre os óbitos, 56,18% ocorreram no sexo masculino e 43,82% no sexo feminino. Em relação ao quesito raça e cor, 54,55% corresponderam a parda, seguidos por branca com 18,11%, preta com 14,86%, amarela com 0,74%, indígena com 0,10% e não há informação em 11,64% dos óbitos. O percentual de casos com comorbidade foi de 71,82%, com maior percentual de doenças cardíacas e crônicas (74,32%).

Eleição rejeitou radicalismo, mas não é recado para Bolsonaro em 2022, diz Kassab

/ Eleições 2020

Em março de 2011, o então prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, cunhou uma frase que foi entronizada no anedotário político nacional.

O PSD, partido que iria fundar, não seria nem de centro, nem de direita, nem de esquerda. Símbolo da geleia ideológica brasileira para uns ou expoente do pragmatismo para outros, a sigla chegou à eleição deste ano com seu melhor resultado até aqui.

Elegeu 640 prefeitos, 101 a mais do que em 2016, e firmou-se como terceira maior força municipal do país, atrás de MDB e Progressistas.

Vingado num pleito em que o eleitor buscou nomes mais moderados, após o tsunami bolsonarista de 2018, Kassab sempre disse que a frase havia sido editada sem o contexto de que falava na construção do programa partidário.

”Se dependesse de mim, o partido seria de centro. Como acabou sendo e continuará sendo”, afirmou.

Fidelíssimo a seu estilo, nesta entrevista ele diz que o eleitor negou o radicalismo nas urnas, mas que isso nada tem a ver com rejeição ao presidente Jair Bolsonaro ou com definição do pleito de 2022. Lembrado que seu partido apoia e participa do governo, defende independência.

Em São Paulo, concede que a maioria do PSD deverá apoiar a candidatura do prefeito Bruno Covas (PSDB), mas faz muitos elogios à candidatura de Guilherme Boulos (PSOL), usualmente visto como uma besta-fera esquerdista em círculos conservadores.

E deixa no ar dúvidas sobre uma eventual união da centro-direita contra Bolsonaro em 2022, dizendo que vai trabalhar por uma candidatura própria de seu partido.

Afirmou que não discute sua eventual volta ao governo paulista, do presidenciável João Doria (PSDB).

Ele assumiu e se licenciou da Casa Civil do tucano em 2019 para responder às acusações de recebimento ilegal de recursos da empresa JBS, o que ele nega em inquérito.