Brasil registra 105 mil casos e 7,2 mil mortes por novo coronavírus, diz Ministério da Saúde

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O Brasil chegou a 105.222 mil pessoas infectadas pelo novo coronavírus (covid-19) nesta segunda-feira (4). Nas últimas 24 horas foram adicionadas às estatísticas mais 4.075 casos, aumento de 4% em relação a ontem, quando foram registradas 101.147 mil pessoas nessa condição. Foi o terceiro dia consecutivo de estatísticas de queda de novos casos em 24 horas, após o recorde de 7.218, registrado na quinta-feira.

Conforme o balanço dessa segunda, o número de pessoas recuperadas da doença chegou a 45.815, o equivalente a 43,5% do total de casos. Estão em acompanhamento 52.119 (49,5%) dos pacientes confirmados e 1.360 mortes continuam em investigação.

Segundo atualização do Ministério da Saúde divulgada hoje, o total de mortes subiu para 7.288. Com 263 novos óbitos, a marca representou um aumento de 4% em relação a ontem. No domingo foram contabilizados 7.025 falecimentos e com a inclusão de 275 óbitos.  A letalidade permaneceu em 6,9%, a mesma de ontem.

São Paulo se mantém como epicentro da pandemia no país, concentrando o maior número de falecimentos (2.654). O estado é seguido pelo Rio de Janeiro (1.065), Pernambuco (691), Ceará (491) e Amazonas (425).

Além disso, foram registradas mortes no Pará (330), Maranhão (249), Bahia (134), Paraná (94), Espírito Santo (116), Minas Gerais (90), Paraíba (79), Rio Grande do Sul (74), Rio Grande do Norte (62), Santa Catarina (52), Alagoas (72), Amapá (49), Distrito Federal (33), Goiás (30), Piauí (28), Acre (28), Sergipe (17), Rondônia (25), Mato Grosso (13), Mato Grosso do Sul (10), Roraima (11) e Tocantins (6).

Guerra de posições

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Fiel a uma tática bem sucedida estrategicamente, Jair Bolsonaro lança mão do popular ”bate, assopra” – com o detalhe que a cada dia bate mais forte e assopra menos. Mesmo que suas destemperanças verbais recebam enxurradas de críticas, desaprovações e repúdios, o cálculo político do Presidente acerta por assegurar que uma parcela expressiva da sociedade lhe renda apoio, tributo e dedicação, reproduza seu discurso e se ponha de prontidão para um chamamento mais decidido.

Há inclusive quem especule que o plano golpista se valha justamente desses segmentos radicais, fanáticos e extremistas para avançar tal qual a Marcha dos Camisas Negras na Itália. Ou que se repetiria o modelo aplicado recentemente na Bolívia, onde milícias e grupos paramilitares protagonizaram o grosso das ações que depuseram Evo Morales.

Ciente de que somente esse suporte não lhe dá condições de lograr êxito, faz uso recorrente de uma ”retrotopia” ao invocar a Ditadura Militar e colocar as Forças Armadas como fiadoras de suas pretensões antidemocráticas. O mal estar reclamado pela caserna não autoriza baixar a guarda, tampouco atribuir aos militares – de vasto portfólio intervencionista nas questões nacionais – um fator de estabilidade e segurança.

Corretamente, o jornalista Florestan Fernandes Jr. identificou um aspecto nada desimportante do jogo político: quem tem as FFAA consigo não precisa do Centrão. Mas sendo válido acatar tal raciocínio, também é lícito supor que isso pode ser não mais do que manobra diversionista. Ou um fôlego para ultrapassar momentaneamente as dificuldades postas pela crise econômica, a pandemia, o aparecimento de um flanco opositor no campo interior da burguesia e a queda relativa de popularidade.

No intrincado cenário que evolui em meio às contradições e conflitos, há a possibilidade de comparar – longe dos rigores metodológicos e historiográficos – as situações em curso com duas características que marcaram a 1ª Guerra Mundial no plano bélico: a guerra de posições e a guerra de movimento. Bolsonaro aproveita a excepcionalidade da conjuntura para posicionar suas tropas e artilharia. Estipula fortalecer trincheiras políticas ocupando terrenos mais favoráveis para um embate futuro – que virá – em condições superiores. Sabe ele que mais hora, menos hora, as tropas irão se movimentar para o combate aberto e, precavido, estabelece seu perímetro.

As oposições – a de Direita e a de Esquerda – ainda não trabalham em sincronia, unidade e acordo. Inegável que são adversários do regime, porém patinam nas idiossincrasias de uma visão política que subestima o potencial do fascismo, crédulas que estão nos instrumentos da Democracia. Ensaiam timidamente alguma ação conjunta, mas se chocam por causa das divergências quanto a agenda econômica, submetendo a Política a esse dado que não deveria ser o centro de qualquer iniciativa honesta que preconize a luta contra o perigo golpista e ditatorial.

Ocupa, assim, posições piores, deixa flancos expostos, confunde o efetivo militante com oriente dúbio e vacilante, enfim, prepara-se muito mal para o inevitável confronto em movimento. Apegada a padrões antiquados do fazer politico – os mesmos que decretaram a derrota eleitoral em 2018 – aguardam a batalha sem ordem unida, sem propósitos comuns, sem objetivos estratégicos.

Ainda resta tempo e espaço para definir e determinar posicionamentos inteligentes, capazes de resolver a principal questão que ameaça o edifício social e estatal. Não será fácil, simples e livre de sacrifícios e concessões de ambos os lados contrários à continuidade desse desgoverno. Forjar uma Frente Ampla de Salvação Nacional historicamente sempre apresenta dois fatores: a convicção e a funcionalidade, mas quando faltam opções recomenda-se trilhar por esse caminho sob pena de não ter uma segunda chance. Tomar as posições corretas e organizar a mobilização para a guerra aberta que se anuncia ainda que tardias são urgências. Oxalá os ”generais” cheguem a um consenso.

*Por Alex Saratt